A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

12/08/2014 13:15

Fundac volta a impedir show na Quinta Gospel, desta vez de bandas espíritas

Elverson Cardozo
Sessão da Câmara Municipal de Campo Grande no dia 7 de agosto. (Foto Kleber Clajus)Sessão da Câmara Municipal de Campo Grande no dia 7 de agosto. (Foto Kleber Clajus)

Depois da polêmica em torno do veto, por parte da Fundac (Fundação Municipal de Cultura), à apresentação da cantora Rita Ribeiro na Quinta Gospel, em Campo Grande, outro fato semelhante veio à tona hoje.

Veja Mais
"Toma aqui uns 50 reais", Naiara Azevedo abre fim de semana eclético
Ludmilla é uma fofa e mostra o que o funk pode ensinar ao nosso sertanejo

Em maio deste ano, o ICE-MS (Instituto de Cultura Espírita de Mato Grosso do Sul), representado pelo seu presidente, João Batista Paiva, encaminhou ofício à Fundação solicitando participação de artistas espíritas no show que acontece toda segunda quinta-feira de cada mês.

Em resposta, datado do dia 4 de agosto de 2014, a diretora-presidente da Fundac, Juliana Zorzo, repetiu o discurso de negação ao show de Rita Ribeiro. Disse que a indicação de artistas espíritas seria impossível porque foge da proposta do evento destinado, na interpretação dela, ao “público evangélico cristão”.

No texto, Zorzo faz questão de ressaltar que a Quinta Gospel “é um projeto do vereador Lídio Lopes (PP), assinado pela maioria dos vereadores evangélicos, com o propósito de oferecer atrações regionais e nacionais do meio Gospel Evangélico”.

A lei, prossegue ela, “reconhece como manifestação cultural as músicas e eventos gospel evangélico”. No término da justificativa, Juliana chega a citar a tradução da palavra gospel como Evangelho.

“Originalmente surgiu nos Estados Unidos e no Brasil é utilizado para se referir à religião Evangélica Protestante. Os protestantes também são conhecidos pelo nome de evangélicos, juntamente com os pentecostais e neopetencostais oriundos de Igrejas Protestantes”, finaliza, pedindo compreensão.

O caso do ICE-MS, reforça, mais uma vez, o desconhecimento da diretora-presidente da Fundac em torno de uma lei clara e de apenas quatro parágrafos. Ao que tudo indica, Juliana Zorzo não conseguiu ou não quis interpretar o texto, que diz o seguinte:

LEI n. 5.092, DE 20 DE JULHO DE 2012.

INSTITUI NA PRAÇA DO RÁDIO CLUBE A QUINTA GOSPEL NO MUNICÍPIO DE CAMPO GRANDE E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.

Faço saber que a Câmara Municipal aprovou e eu, NELSON TRAD FILHO, Prefeito
Municipal de Campo Grande, Capital do Estado de Mato Grosso do Sul sanciono a
seguinte Lei:

Art. 1º. Fica instituída A QUINTA GOSPEL na Praça do Rádio Clube, no Município de
Campo Grande-MS.
Art. 2º. A quinta gospel será realizada na quinta-feira que antecede a noite da seresta
utilizando a mesma estrutura que é utilizada na noite da seresta.
Art. 3º. O evento deverá ser realizado com artistas nacionais e regionais.
Art. 4º. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

CAMPO GRANDE-MS, 20 DE JULHO DE 2012.
NELSON TRAD FILHO
Prefeito Municipal

Com uma descrição tão óbvia, a interpretação, por parte da Fundac, deveria ser a esperada, de que o evento não é exclusivo para os evangélicos, mas isso, como foi exposto, não aconteceu.

O fato tem causado revolta. Utilizando com base o texto da lei e o caso da cantora Rita Ribeiro, o vereador Eduardo Romero (PtdoB) levou, no dia 7 deste mês, o caso à sessão ordinária da Câmara Municipal, depois de ser procurado pelo presidente da Tenda de Umbanda Pai Joaquim de Angola, Elson Borges dos Santos.

O parlamentar checou que a proposição e a lei, aprovada e sancionada, não faz qualquer menção restritiva do evento ao público evangélico. Em sua fala, Romero defendeu que entende-se por música gospel qualquer gênero musical de cunho religioso, o que habilita artistas de qualquer denominação religiosa a participar do evento.

“Nesse contexto temos que ressaltar que a Quinta Gospel é um evento destinado aos campo-grandenses, custeado com o imposto de todos, inclusive dos que não têm religião, não somente do segmento evangélico. Não podemos admitir a ideia de que tenhamos que criar um evento, utilizando recurso público, para contemplar cada religião”, argumentou.

De acordo com as definições dos dicionários Michaelis e Priberam da Língua Portuguesa, "Gospel" é um "estilo musical caracterizado pelas letras com mensagens religiosas e ritmos variados" e "musica religiosa originária de comunidades negras norte-americanas".

Gospel é uma palavra de origem americana, oriunda da contração de "God" e "Spell", que significam, respectivamente, "Deus" e "Apelar, Soletrar". Derivada dos "Spirituals", o cântico religioso dos escravos negros americanos.

O vereador também citou o Estado Laico, que preconiza que o país não segue nenhuma denominação religiosa, mas abrange a todas, sem distinção. O caso foi reportado à 67ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, com pedido de providências.

(Com assessoria do vereador Eduardo Romero)




Mais do que certo, o evento é QUINTA GOSPEL e não QUINTA ESPÍRITA, ou macumba, pelo que entendemos é um evento destinado aos cristãos evangélicos e não uma grande bagunça com tudo que é tipo de manifestação, aprendam a discernir a diferença pra depois criticarem!
 
Oswaldo Ferreira em 15/08/2014 09:54:28
Os nossos vereadores, secretários e prefeito, trabalha pro município que foi eleito, ou apenas, para alguns munícipes?
Por favor me esclareçam, pois indiferente de religião, todos tem direitos iguais, parece que esta na constituição... deixe me ver....
"Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade." e ainda tem mais no Parágrafo "VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política".

Bom mais ai tem o lado politico da história.. "Aos amigos tudo... aos inimigos... a LEI"

 
pedro medeiros em 13/08/2014 14:12:27
Juliana Zorzo te admiro muito mas desta vez infelizmente a senhora não foi correta em afirmar que a quinta gospel é exclusiva aos evangélicos sabe por quê? Banda Rosa De Saron é uma banda católica e qualquer pessoa, mesmo leiga, sabe que evangélicos não partilham da mesma ideologia ou linha de raciocínio então pra não ficar muito feio pra senhora, acabe com esta bobeira de entravar manifestação religiosa se não já já te tiram da fundac por meio de protesto no mínimo!!!!! Conto com sua compreensão ok? :D #owmeajudaaimew
 
RAFAEL GAIJIM em 12/08/2014 22:37:27
Isso é um absurdo e prova que (ainda - 2014) existe intolerância religiosa! Será que "Deus" aprova esse tipo de exclusão? "Porque miras o arguelho no olho do teu irmão se não enxergas a trave nos teus olhos?". Tem muita gente que desconhece a bíblia e sai por ai pregando o que lhe convém! A Juliana Zorzo tem que assumir sua postura POLÍTICA e deixar sua religião para ser cultuada na IGREJA DELA! Afinal, TODOS os religiosos pagam impostos caros e merecem tratamento igual! Ou para cessar essa discussão, que acabem com essa "Quinta Gospel" que só beneficia uma parte da população. Direitos iguais para todos! É um erro esses fanáticos religiosos ocuparem cargos públicos, porque uma boa parte não sabe distinguir o interesse pessoal do INTERESSE PÚBLICO!
 
Diego Barcellos em 12/08/2014 21:49:13
Além de absurdo, leva a gente a pensar que a diretora da FUNDAC está sendo mal orientada e assessorada.
 
Samuel Fernandes de Aguiar em 12/08/2014 19:12:37
Tem dois pontos discrepantes nesta polêmica: Este vereador Eduardo Romero, como membro da Comissão da camara, deveria solucionar o problema de imediato e por conta dele, locando um espaço para tais grupos se apresentarem em outros dias. O título "GOSPEL" está atualmente ligado há muito tempo pelo culto da 5ª gospel da 1ª igreja batista de CG e vinculado a nós povo Evangélico. eu nunca vi "Umbanda gospel", "espírita gospel", "Islamismo gospel, budismo gospel. é pra acabar mesmo!
 
EDINALDO VIANA em 12/08/2014 17:49:11
Vou repetir o que já comentei aqui:

A religião seja ela qual for não deve ter influência em assuntos do estado, não vejo produtividade em se discutir assuntos relacionados a divindades e seus derivados. A "palavra de deus" (seja qual deus for esse) , que sendo promovida pelo estado fere a laicidade. De qualquer forma não é correto a isonomia em detrimento a algumas religiões menos representativas ou até mesmo de quem não tem religião nenhuma.Vão procurar meios de ajudar a sociedade como um todo e deixar de lado essa picuinhas de seitas religiosas e essa "panelinha evangélica" que se acham os escolhidos por um deus.
 
Luciano Bandeira em 12/08/2014 15:16:35
imagem transparente

Compartilhe

Classificados


Copyright © 2016 - Campo Grande News - Todos os direitos reservados.