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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

19/02/2016 07:45

Sem muita balada lésbica, grupo organiza a festa "Sinta a Liga", só para elas

Paula Maciulevicius
A Sinta a Liga já teve edição em janeiro e fez lotar o SIS. (Foto: Gabriel Araújo)A "Sinta a Liga" já teve edição em janeiro e fez lotar o SIS. (Foto: Gabriel Araújo)

É muito mais fácil a gente ver por aí anúncio de festa para o público gay. Por uma questão até de gênero, quem está dentro da causa explica que eles se organizam mais, dão mais a cara à tapa e também são mais aceitos do que elas. Diante da (in)visibilidade lésbica, boate e movimento LGBT se reuniram para fazer uma noite só delas neste sábado. A "Sinta a liga" é só o chamariz para mostrar que existe espaço, sim, na noite para as mulheres lésbicas.

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Foi em agosto do ano passado, durante as comemorações do dia da Visibilidade Lésbica, que entidades se reuniram no SIS Lounge Bar, casa que hoje sedia a segunda edição da festa, para discutir o movimento.

"Infelizmente o que a gente constata é uma invisibilidade muito grande. Politicamente, as mulheres lésbicas do Estado ainda não acordaram para os seus direitos e deveres", avalia a presidente da Associação das Mulheres Lésbicas do Estado de Mato Grosso do Sul, a Dedo de Moça, Sandra Gandolfi, de 39 anos.

Hoje são 123 associadas, mas segundo a presidente, participativas, apenas as cinco que fazem parte da diretoria. A movimentação delas tanto politicamente quanto no cenário da noite campo-grandense é vista com timidez e a festa, como o caminho para reuni-las. "A única coisa que ainda tira um pouco as meninas dos guetos onde elas se escondem são as festas", considera Sandra.

Twiggy vai cantar músicas além do repertório e trazer um show de funk exclusivo para a casa. (Foto: Divulgação)Twiggy vai cantar músicas além do repertório e trazer um show de funk exclusivo para a casa. (Foto: Divulgação)

"A Sinta Liga", tanto para a casa quanto para a associação, é uma maneira de começar a articulação política das lésbicas no Estado. Na experiência de Sandra, a forma como as mulheres foram e ainda são criadas é que influencia na forma de se articularem politicamente.

Na "sopa de letrinhas", a chamada sigla LGBT, as travestis tiveram de se unir como mecanismo político contra a violência que sofriam e ainda sofrem, depois disso vieram os homens gays, criados para serem "fortes".

"Nós vivemos numa cultura de gênero ainda muito diferenciada, o menino é criado para ser líder, ter voz ativa, isso dentro de casa e fora. A mulher não. Isso esquecendo a questão da orientação sexual, mas as mulheres são criadas, hoje, mesmo depois de tanto avanço, ainda para serem independentes, trabalharem fora e ao mesmo tempo, são cobradas para casar, terem filhos e cuidar do marido", descreve Sandra.

O papel de submissão ainda continua enraizado e mesmo dentro do contexto de orientação sexual, Sandra explica que quando a família percebe a tendência homossexual do filho, incentiva mais a masculinidade dele, já as meninas, são trancadas dentro de casa e têm, dos pais, o reforço da feminilidade, de cuidar da casa e da família, o que acaba as deixando mais fechadas ainda.

Reunião de agosto do ano passado, quando a discussão foi a visibilidade lésbica. (Foto: Arquivo Pessoal)Reunião de agosto do ano passado, quando a discussão foi a visibilidade lésbica. (Foto: Arquivo Pessoal)

A proposta da festa, segundo o sócio-proprietário do SIS, Deko Giordan, de 31 anos, é desconstruir a ideia de que o público lésbico tenha que se encaixar nas festas voltadas aos gays.

Em conversas em cima do que as mulheres gostariam de ter na casa, voltadas para si, o SIS chegou ao nome "Sinta a liga" como apologia à peça feminina e que desse a entender o que seria a festa. A primeira edição fez a casa lotar e a segunda acontece neste sábado, com a cantora Twiggy, fazendo um show de funk especial, além de samba e pagode com o grupo Fidelidade, que pediu para se apresentar na boate para ter um contato com o público LGBT e hoje caiu nas graças das lésbicas.

Atrações - Destaque nacional no meio LGBT, Twiggy vai cantar músicas além do repertório e trazer um show de funk exclusivo para a casa. A festa também conta com os DJ's residentes do SIS, Felipe Aguilera, Deko Giordan, o grupo de samba e pagode Fidelidade e apresentação de Milan Bitches, as hostess da casa.

A "Sinta a Liga" começa 23h30 e os ingressos vão de R$ 15 até R$ 25,00. O SIS fica na Rua Dr. Zerbini, 53, no bairro Chácara Cachoeira, em Campo Grande. Para fazer parte da lista, o público deve enviar nomes completos para o e-mail: listasislounge@gmail.com até as 22h do dia 20, especificando o nome da festa ou via confirmação no evento oficial da festa.

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Grupo Fidelidade pediu para se apresentar no SIS e ganhou a mulherada. (Foto: Gabriel Araújo)Grupo Fidelidade pediu para se apresentar no SIS e ganhou a mulherada. (Foto: Gabriel Araújo)



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