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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

01/10/2012 09:26

Em festival de pouco protesto e sem sertanejo, poesia venceu

Anny Malagolini
A apresentação performática de Beto faz lembrar o cantor Ney Matogrosso.A apresentação performática de Beto faz lembrar o cantor Ney Matogrosso.

Vinte músicas sobre o amor, a tecnologia e pouco, bem pouco protesto. As letras não surpreendem mais. Mas os autores sim. São dos cursos mais improváveis, como Física, Enfermagem, Engenharia. Em mais um Festival Universitário da Canção, o mais produtivo foi ver gente fazendo música, independente da qualidade.

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Na mesa de jurados, a compositora Lenilde Ramos ficou surpresa com a presença de tanto rock no festival. “Já estava preparada para ouvir pelo menos uma música sertaneja, mas para surpresa maior nenhuma foi tocada”

Todos os grandes nomes da música sul-mato-grossense nasceram do festival. Em um movimento que começou na década de 60. “Temos como frutos os músicos Paulo Simões, Almir Sater, Jerry Espíndola”, lembra Lenilde.

Mas o concurso é só o começo. “Mas não adianta fazer tudo isso e não levar adiante, não pode morrer aqui. Temos que dar continuidade a nova geração de músicos”, adverte.

A maioria das inscrições partiu da UFMS, mas o ganhador da noite é acadêmico da Universidade de Sumaré (SP).  O estudante de Letras, Beto Santos, 55 anos, também venceu em 2011. Ester ano, ele apresentou “Mistério da Fé”.

A apresentação performática de Beto faz lembrar o cantor Ney Matogrosso, um pouco de Mick Jagger e Cássia Eller. Mas a poesia é mais simples...“Uma sereia bela. De um rio de tradição. Certa noite sonhei, sonhos de amedrontar. Me disse ela, que a chuva ia chegar. Que eu procurasse ter fé de até derramar. Sonhei e me acordei”.

Para o vencedor, quem canta, mais do que competir, tem de levar a música também para fora da universidade. “A música universitária não sai da universidade. A música ficou estagnada. Somos guerrilheiros da canção, e estamos carentes de movimentos como este. O FUC é um evento singular, que se mantém nos mesmos moldes dos festivais que aconteciam na década de 60, essa coisa de público chiando, gritando e participando não existe mais”.

Beto é operador de telemarketing, e depois 31 anos resolveu voltar a estudar. Em um ano, ele deve ter participado de pelo menos 50 festivais pelo Brasil, mas não ganhou nenhum. “Desde o ano passado notei que a qualidade dos músicos e platéia melhor 99,9%”.

 

Em festival de pouco protesto e sem sertanejo, poesia venceu

A estudante Karla Daniele Freitas Martins, 20 anos, é público pela primeira vez e lamenta as poucas oportunidades. “Acho uma pena ter isso só uma vez por ano. A UFMS tem uma concha acústica, mas raramente tem apresentação. Os acadêmicos deveriam utilizá-la”.

O acadêmico do curso de Ciências Sociais Diego Paica, 21 anos, diz ter se surpreendido com a edição deste ano “Eu li as letras das canções antes, e achei bem clichê, mas me surpreendi com a variedade de estilos e o instrumental das apresentações”.

As amigas Juliane Hardoim, 19 anos e Marri Beatriz, 20 anos, concordam. “Até berimbau tinha”, comenta Juliane.

Mas a decepção da amiga Marri veio com a falta de organização do evento “Eu não gostei do evento, foi demorado, teve atraso.”

Vencedores - O segundo lugar ficou com Berget de Lucena, estudante da Universidade Anhanguera, que apresentou a música Chão de Jazz. O terceiro lugar foi para a música UNA, interpretada pela estudante Sofia Basso, da UFMS. Já o melhor intérprete do FUC 2012 saiu da Banda Levando a Luz.

A música mais irreverente foi “Te cutuquei no facebook”, de João Paulo Pereira de Moraes, no som da Banda Larga, formada por estudantes de Engenharia Elétrica. A canção é mais cômica do que inovadora, fala de uma gravidez a partir do contato virtual. Coisa para rir. “Entrei no mundo virtual, fabricando um bebê digital, que trista. Na sua pulseira escrito o nome BIT”.




Sucesso a este companheiro de curso, também fiz Letras e sei o quanto a poesia é importante nas letras de músicas, música de verdade tem que ser feita com inteligência e com o coração. E realmente o festival merecia ser feito mais vezes, a boa música merece espaço.
 
SUZY RANNIELLY ROBERTO FERRO em 01/10/2012 23:16:50
Campo Grande e o Brasil precisam ter mais espaço para as apresentações culturais. Falta um pouco de boa cultura para nós terra brazilis.
 
Wellington Sampaio em 01/10/2012 14:05:44
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