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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

20/04/2015 06:23

Após mandar embora alguns sacos de gordura, vem a relação séria com a balança

Liziane Berrocal
A balança agora faz parte da vida.A balança agora faz parte da vida.

Sabe qual o maior pesadelo de um gordo? Engana-se se você acha que é o bullying, o preconceito ou a baixa autoestima. O maior pesadelo de um gordo tem um nome: balança. Já percebeu que quando você entra numa farmácia, sempre tem alguém ou magro ou mediano se pesando. Parece que é inconsciente, a pessoa ir lá só para verificar tanto que ela é magra.

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Bom, eu nunca me pesava nessas balanças, primeiro por ser gorda e segundo, porque esse tipo de balança não alcançava meu peso. Sério! Pesando mais de 150 quilos isso ultrapassava o limite da balança. Como toda semana eu escrevo sobre essa mudança toda que a bariátrica provocou na minha vida, eu vou confessar a vocês: gente, eu estou num relacionamento sério com uma ex-inimiga. É um negócio assim, que a atração é maior que eu posso segurar, de verdade, eu estou num relacionamento sério com a balança!

Porque depois de comer, o que gordo mais gosta é de eliminar peso (perder nunca, que quem perde acha). Agora imagine uma pessoa obesa que começa a perder peso todos os dias? Já imaginaram? Pois é, e eu que via isso acontecendo com várias pessoas nos grupos de bariátrica que eu acompanhava por aí, vi acontecer comigo e cada pezinho na balança é um flash!

Lembro a primeira vez que pesei logo após a cirurgia, quando cinco dias depois eu tinha mandado embora cinco quilos e falei: “Meu Deus, eu não acredito”. E claro, eu fiquei naquela ilusão de que iria eliminar um quilo por dia e o resultado foi um pito do médico e da minha super nutri Mariana, visto que ela falou que o certo era pesar sempre na balança do consultório, primeiro para não ficar encanado com isso, e depois, porque principalmente nós mulheres temos variações de peso. Mas o amor entre nós duas foi irresistível!

Então, quando eu consegui emagrecer os primeiros dez quilos, eu comecei a sentir que o negócio era mais sério. E a prova de fogo do nosso relacionamento foi a primeira vez que eu subi em uma daquelas de farmácia. Foi tão romântico, lembro que eu estava fazendo compras no hipercenter e de repente ela estava lá, solitária, olhando para mim e me chamando: “Vem que eu te quero”. E eu fui...

Meio envergonhada, eu caminhei pé ante pé, e cheguei, num gesto que eu não sei se foi de reverência ou de esperança, tirei meus calçados, pedi para o marido segurar a bolsa e subi. E gente, que momento, foi quase sexual o negócio: A balança da farmácia me aceitou!

Se você não é gordo, você não tem ideia disso, não tem ideia quando aqueles ponteiros apontaram 15 quilos a menos e aquela engenhoca tão temida para mim se tornou um palco e naquelas frações de segundos eu me senti uma diva sendo aplaudida pelo supermercado. Claro, que meu marido impaciente me chamou para a realidade, mas eu tive aquele momento.

Bastante animada, cometi o deslize de deixar que outras sentissem o meu corpo, e quando os ponteiros variam, claro, eu comecei a ficar meio doida, porque quando você troca muito de balança é um tal de emagrece-engorda que é de deixar qualquer um doido, no entanto, é tão bom você ver aqueles quilos indo embora, que a atração fica irresistível!




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