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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

10/10/2016 06:25

Com 67 anos ele já foi atropelado três vezes, mas não desiste de ser cicloboy

Cansaço é palavra que não cabe nos dias do seu Eurípedes

Thailla Torres
Andar de bicicleta trouxe qualidade de vida e felicidade no trabalho. (Foto: Alcides Neto)Andar de bicicleta trouxe qualidade de vida e felicidade no trabalho. (Foto: Alcides Neto)

Aos 67 anos, cansaço é palavra que não cabe no cotidiano de Eurípedes Alberto de Freitas. Percorrendo a cidade sobre duas rodas, é de bicicleta que há 19 anos ele garante o sustento da família. Com alguns ralados e três acidentes para contar história, não há outro veículo de "cicloboy" que faça mais sentido do que a bike montada por ele.

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Eurípedes começou na profissão quando largou a fazenda onde morava para viver em Campo Grande com a esposa e os filhos. Nascido em Jaraguari, cresceu na zona rural e passou parte da vida trabalhando em lavouras, mas largou tudo em busca de oportunidades ao lado da família. "Não dava mais, vai faltando trabalho e ficando difícil", conta.

Mas é teimoso e nem três acidentes no currículo fez ele desistir da bicicleta. (Foto: Alcides Neto)Mas é teimoso e nem três acidentes no currículo fez ele desistir da bicicleta. (Foto: Alcides Neto)

No Centro, uma empresa farmacêutica foi a primeira e única chance de trabalho desde que chegou à Capital. A simpatia e o jeito simples são cartões de visita que por anos conquistaram os clientes e o coração dos patrões. "Todo mundo já me conhece, eu saio fazendo as entregas e os clientes já se acostumaram comigo", se orgulha.

Ele começou como vigia, mas em pouco tempo foi remanejado para o setor de entregas. De bicicleta, seu Eurípedes chegou a percorrer mais de 35 km todos os dias. "Fazia entrega do centro ao bairro São Francisco. Conheço essa região aqui todinha e não demorava não", garante.

Com o tempo e aumento de veículos no trânsito, por segurança, a empresa quis que ele usasse moto para as entregas, mas ele se negou a pilotar. "Por eles eu ia de moto, mas eu tenho medo. E com esse trânsito hoje fica difícil estacionar, deixar o carro ou a moto, de bicicleta eu faço tudo muito mais rápido", conta. 

Hoje as tarefas diminuiram, por conta da idade e da distância dos lugares. O serviço como cicloboy é só na região do Centro, para entrega de medicamentos e serviços bancários na hora do almoço. Mesmo assim, ele garante que nunca se cansa. "Me falam que é cansativo, mas eu digo que isso daqui é meu ganha pão. Mas eu já estou mais do que acostumado, muito melhor do que andar a pé", brinca.

Nas mãos, marcas do tempo de trabalho. (Foto: Alcides Neto)Nas mãos, marcas do tempo de trabalho. (Foto: Alcides Neto)

Já são três acidentes no currículo, mas nem isso o faz abrir mão do serviço. "Já sofri várias quedas e fui atropelado três vezes. É motorista que não respeita, é gente que abre a porta sem olhar quem tá vindo. Uma vez eu abracei a porta quando abriu. Mas ainda bem que nunca me quebrei", agradece.

Com muito bom humor e disposição, a saúde parece de ferro. E não é por menos, faça sol ou chuva, ele não se cansa e diz que andar de bicicleta foi o que lhe trouxe qualidade de vida. "Não tenho problema nenhum, fiz exames e não tenho nada nem no coração. Quando era vigia, eu só engordava, agora tô magrinho. Também trabalho sem causar poluição, acho que mais gente tinha de andar de bicicleta", sugere.

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