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Campo Grande, Domingo, 11 de Dezembro de 2016

07/12/2015 06:56

Comer é uma das coisas mais prazerosas e também complicadas do mundo

Liziane Berrocal
Comer é uma das coisas mais prazerosas e também complicadas do mundo

Tem dias que eu me pego pensando no que eu vou escrever para o #VaiGordinha. Às vezes tenho um texto pronto, daí um comportamento ou situação me chama a atenção e aquele tema vai por água abaixo. E relembrando os “momentos” que vivi nesses 66 quilos eliminados, cheguei a conclusão que comer é uma das coisas mais prazerosas e complicadas do mundo.

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Falo isso na observação de comportamentos diário, infelizmente, não só o meu. Não que eu esteja fazendo fofoca da comida alheia, mas se eu já fui alvo de muitos olhares nos restaurantes e “self services” da vida, agora quem presta mais atenção sou eu.

Em uma das palestras sobre a cirurgia bariátrica, tivemos a presença de uma fonoaudióloga que estava ensinando a comer. Sabe aquele negócio de “mastiga 334 vezes que é melhor para você”? Foi nesse estilo o que ela falou. Daí, comecei a pensar o quanto é cada dia mais complicado comer.

Agora então tem as modas do “sem glúten”, “sem lactose”, zero açúcar, zero gordura trans (juro que eu nunca entendi isso na minha vida). Comida praticamente “sem nada”, daí fica uma loucura cada vez maior se alimentar.

Imagine para mim que literalmente não tenho estômago? Ontem, fui comer uma “pipoca zero”. A marca promete muito sabor de “orégano e alho”, temperada com sal marinho (oi?) e zero de gordura. Zero de gordura a marca cumpriu, mas... o sabor! Gente foi preciso um condimento chamado ketchup para fazer minha refeição (nutricionista, não leia isso) render!

E eu continuei pensando nas observações diárias que eu faço , no dia a dia das bariátricas no grupo “Amigos da Nutri”, onde colocamos até o tamanho dos nossos talheres. Agora eu já como com talher ‘normal’, mas já tive minha fase de talheres infantis, o que eu prefiro até hoje.

Posso dizer então que depois da bariátrica, tudo isso piorou, e me dá desespero comer perto das pessoas. Se antes era por vergonha de ficarem julgando o meu prato, hoje é porque eu acabo julgando o prato – e as garfadas alheias.

Após a bariátrica, tudo é em pequenas porções, tudo é menor, claro que as garfadas também. E eu que almoço com bastante pessoas, acabo sendo a primeira a sentar a mesa e a última a sair. Daí, quando olho as pessoas comendo aquelas porções enormes de carne eu quase me sufoco. Fico pensando no que aconteceria comigo caso eu fizesse isso (sim, eu tentei e quase morri entalada! Hahahaha) e me dá uma agonia de pensar o quanto comemos errado.

Não, não estou dizendo que hoje eu como tudo certinho, porque eu sou bem chegada num brigadeiro e num salgadinho de festa frito! Mas como mastigar as 344 vezes um tolete de carne igual as pessoas colocam na boca? E como as pessoas conseguem comer tanto em tão pouco tempo?

Então, comer que era prazer, agora tem se tornado cada dia mais uma atividade solitária. Quase uma masturbação estomacal, necessária para a manutenção do meu corpo, para que ele se mantenha em pé.

Não vou dizer que isso é triste, claro que não. Porque se as porções são menores, as roupas hoje também são bem menores. Eu que usava uma roupa 64, agora uso 48! Mas os prazeres são em comer – e comer junto com pessoas, é sim menor.

Mantenho minha vida social, mas a relação com a comida – em especial em tempos de tanta cobrança com o corpo, tem se tornado cada dia mais difícil. E se a tendência é que cada dia mais pessoas procurem a busca pela cura da obesidade por meio da cirurgia bariátrica, acredito que ainda haverá muita gente a refletir o quanto a relação com a comida anda numa linha muito tênue entre a satisfação e a reflexão...




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