A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

21/01/2014 13:05

Como criar a relação de amor com a corrida e deixar no passado o sedentarismo?

Angela Werdemberg
Treino em pleno sábado e com chuva.Treino em pleno sábado e com chuva.

Dia 14 de outubro de 2012. Neste dia decidi que eu e a corrida seríamos felizes para sempre. Nosso caso de amor foi selado e teve, inclusive, direito a juras de amor. Tinha tudo para ser mais uma prova. Na verdade, a minha segunda prova de 10 quilômetros.

Veja Mais
Clínica realiza palestras para sanar dúvidas sobre infertilidade conjugal
Peregrinos não precisam ir tão longe, nosso "Caminho de Santiago" fica a 60km

Tumulto de gente com camisetas amarelas e verdinhas. Cerca de 25 mil pessoas inscritas. Eu estava de verde e me achando a atleta. Só quem iria correr os 10 km e os 21 km estava de verde. Eram os caras do pedaço. Os amarelinhos faziam parte do time da caminhada.

Claro que, como a maioria dos iniciantes, eu também estava super bem equipada. GPS, fone de ouvido, braçadeira, celular, óculos escuros com filtro UVA e UVB, short de conforto térmico, carboidrato em gel e mais algumas coisinhas que já não lembro mais. Totalmente fechada no meu mundo.

Cheia de cacareco para não me sentir tão órfão e, principalmente, pra me sentir munida de coisas que ajudassem o tempo passar mais rápido. Eu pensava que a corrida era um esporte solitário. Seria um pouco mais de uma hora de corrida, um passo atrás do outro durante 10 quilômetros de sol na fuça no sobe e desce de Campo Grande. Sabia que não seria uma tarefa fácil.

Estava ansiosa para a largada. Ansiosa para saber se daria conta do recado. Se sobreviveria à subida da Antônio Maria Coelho depois da Via Park. Se não quebraria com o sol e o calor das manhãs de outubro. Corria há pouquíssimo tempo, mas me cobrava como se fosse uma queniana patrocinada pela Fila.

Já na primeira dificuldade, pensei. “Bendita hora que troquei meu feriadão em Bonito só para vir correr. Eu não era assim. Alguns meses atrás eu estaria chegando em casa da balada”. Mas já era tarde. Tinha deixado a família viajar sem mim, mesmo com a insistência para que fosse com eles.

Pressentia que iria descobrir o motivo da minha amiga Nayara Osmar declarar tanto amor à corrida nas redes sociais. Não deveria ser tão chato assim. Precisava dar mais tempo para o nosso relacionamento. Era cedo pra dispensá-la.

Eram só quatro meses de namoro e sem muita dedicação e empolgação.

 

Como criar a relação de amor com a corrida e deixar no passado o sedentarismo?

Foi dada a largada. Chip para cronometrar o tempo de prova no pé direito. Instrução de uma amiga corredora repetida várias vezes mentalmente. “Não posso esquecer de pisar no tapete para ler o chip”. É assim que marcam o tempo de cada atleta. Plateia nos canteiros. Tinha até torcida. Helicópteros. Imprensa, câmeras e todo mundo em ação.

Na minha playlist tocava Jota Quest. “Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua. Qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria em estar vivo...”. Não tinha aumentado muito o volume da música. Ia esperar a multidão dispersar para mandar ver no volume. Foi neste momento que tive a oportunidade de ouvir distantemente o som da corrida. Senti vontade de tirar o fone e saber melhor como era o mundo runners.

Aí encontrei meu primeiro grande motivo para correr. É arrepiante a sonoridade das pisadas. Avenida Mato Grosso tomada de gente. Eram 25 mil pessoas contagiadas pela energia descontraída e alegre do esporte. Pessoas comuns e que estavam ali pela diversão e pelo bem-estar da prática de atividade física. Apaixonei-me pelo som da corrida. Foi o início da aposentaria do meu fone, do celular e da braçadeira.

Durante as corridas, o companheirismo é empolgante. Já me ofereceram até chocolate. É camaradagem de irmão bonzinho quando percebe que pode ajudar. De uma corrida, ninguém sai sem fazer uma boa ação.

Corremos com pessoas que não conhecemos e que, provavelmente, jamais iremos reencontrá-las, mas por instantes são nossos melhores amigos. São quem nos incentivam, contam piadas, dão dicas de como treinar. O bate-papo rola gostoso como em uma mesa de bar.

Nesse dia descobri que a corrida não é um esporte solitário e penoso. Descobri também que para correr só é preciso querer. Não é necessário tanto acessório. É um dos poucos esportes que não precisa de nada, além do corpo, para ser praticado. O corpo é a ferramenta da corrida. Nada de rede, piscina, bola, raquete, regras. Na corrida, você escolhe o caminho, o nível da dificuldade e curte o vento contra ou a favor. É, simplesmente, apaixonante.

Angela em uma das muitas maratonas que tem participado.Angela em uma das muitas maratonas que tem participado.



Matéria inspiradora. Parabéns Angela, pela forma descontraída de falar do esporte. E necessitamos, como necessitamos dessa tal ATIVIDADE! Fica o recado para os que como eu ainda engatinham: é possível correr!!
Grande beijo, sucesso!!!
 
Danilva Ferreira em 24/01/2014 15:00:22
Sou corredor de rua a uns 30 anos já ganhei maratonas e provas mais curtas e tudo que falou e verdade, e isso mesmo muito bom hje só Professor de Educação Física e continuo correndo tenho 54 anos, sou ministro treinamento de corrida tenho vários alunos que estão correndo mas o principal e a saúde que e mais importante abraços parabéns
 
Celso Roberto de Oliveira em 22/01/2014 06:59:19
Parabéns Angela, brilhante texto. Corrida vicia, vc corre e passa a querer correr mais e sempre, pq o "barato" que a endorfina dá é algo viciante. As provas, as pessoas, o mundo corrida realmente é fascinante. E acrescento uma situação que identifiquei na corrida: somos pessoas do bem, sem querer menosprezar qquer outra "tribo" (baladeiros, boêmios, etc) pq percebi que nos corredores não há qualquer espaço pra mal-humor, reclamações, ou gente chata!
 
Fabiano Horimoto em 21/01/2014 21:07:34
Nossa que texto lindo! Venho bem na hora para mim, obrigada por compartilhar!
 
Clarice Mesquita em 21/01/2014 18:33:48
Muito boa a matéria; dá até vontade de correr :]
 
Natália Fernandes em 21/01/2014 17:55:54
Nossa!!! Parabéns pelo texto. E obrigada pela lembrança. E eu espero que continuar inspirando mais pessoas a essa prática, que nos leva a uma constante superação. Sabe que lendo tudo isso eu assim fico aqui pensando, o esporte nos ensina muito, nós é que não nos atentamos a tudo o que isso é de fato, se levássemos o esporte para nossa vida superaríamos perdas das quais jamais imaginamos, pois nossa mente humana é que de fato nos limita, nós sempre achamos que chegamos no nosso limite e dali não há mais o que se evoluir, mas tem sempre alguém para nos dizer, vamos! mais um pouco que você consegue, e descobrimo que sempre podemos ir um pouco mais, e se levássemos isso na vida, chegaríamos onde jamais nem se quer imaginamos.

Corra sempre... Beijos!
 
Nayara Osmar em 21/01/2014 15:29:45
Legal,essa matéria da Angela corrida é tudo isso mesmo.È muito desgastante,por alguns minutos chega a ser solitário porque é você vencendo os seus limites. Mas também tem muito de união e solidariedade como ela bem pontuou.Minha primeira corrida foi em 2012 (talvez eu até tenha cruzado por ela),mas como eu já vinha treinando pedi para minha filha me inscrever(tinha 48 anos) de cara na de 22km. Comecei a correr por necessidade da minha profissão, na época estava fazendo umas ilustração emergencial pra uma editora então eu sentava na prancheta as cinco da manhã e tocava até quando o esqueleto aguentava.Foi quando eu comecei a correr toda manhã...( o texto da Angela é bem legal para quadrinizar, quando eu o li imaginei as cenas por ela descrita.
 
acir alves em 21/01/2014 14:24:07
imagem transparente

Compartilhe

Classificados


Copyright © 2016 - Campo Grande News - Todos os direitos reservados.