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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

25/10/2014 08:11

Copo reutilizável ao invés do absorvente. Será que dá certo? Elas dizem que sim

Paula Maciulevicius
Copinho ou absorvente? Nos últimos anos, mulheres adotaram uma outra medida no que diz respeito à absorção ou contenção do sangue. (Foto: Marcelo Callazans)Copinho ou absorvente? Nos últimos anos, mulheres adotaram uma outra medida no que diz respeito à absorção ou contenção do sangue. (Foto: Marcelo Callazans)

O período menstrual pode ser drama como bem pode passar batido. Na hora de lidar com a menstruação, cada mulher sabe a dor, o incômodo, a duração e a intensidade do fluxo. Nos últimos anos, têm as que adotaram uma outra medida no que diz respeito à absorção ou contenção do sangue: o copinho reutilizável. O uso ainda é tímido, mas quem experimentou, não troca por nada. 

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O nome correto é coletor menstrual. Feito de silicone, ele deve ser inserido na vagina de modo a coletar todo fluxo desde a saída. A flexibilidade do material faz com que ele se adapte ao corpo e  possa, enfim, substitui os absorventes tanto externo como interno. Podendo ser usado até 12h seguidas, basta retirar, descartar o sangue, lavar e colocar novamente. 

Foi num grupo de mães, há quatro anos, que a administradora, Adeise Marcondes, de 31 anos, conheceu o coletor. "Me bateu curiosidade, eu gosto de produtos que não agridem ao Meio Ambiente. Achei prático de usar, ouvi relatos de pessoas que já usavam e resolvi experimentar. Estou até hoje", descreve. 

O nome correto é coletor menstrual. Feito de silicone, ele deve ser inserido na vagina de modo a coletar todo fluxo desde a saída. (Foto: Marcelo Callazans)O nome correto é coletor menstrual. Feito de silicone, ele deve ser inserido na vagina de modo a coletar todo fluxo desde a saída. (Foto: Marcelo Callazans)

O desconforto, segundo ela, é zero. "É só mesmo uma questão de se adaptar, mas ele não é diferente de um absorvente interno, por exemplo. É capaz de você até se esquecer dele", comenta.

O método ela diz que não troca por nehum outro. Durante a menstruação, retira apenas uma vez ao dia para higienizar. "Dá para ficar 8, até 10h. Ele não altera cheiro, fluxo, nada. Só quando enche é que precisa tirar", reforça. Na hora de praticar esportes ou até mesmo sair para trabalhar, por segurança, ela no início colocava um protetor na calcinha. "Mas se for bem colocado o coletor, não vaza não. O interessante é que com o tempo cada mulher vai conhecendo o processo do uso", exemplifica Adeise.

A recomendação dela é clara e toda vez que o assunto surge, ela trata logo de por na roda. "É mais praticidade e questão de economia também, porque eu acabo tendo menos lixo e de certa forma, o absorvente comum incomoda bastante. Você tem que trocar várias vezes, tem também o odor".

Por questões alérgicas que a jornalista e professora Laís Camargo, de 24 anos, chegou até o coletor. Hoje uma das maiores defensoras do uso na Capital, ela é tão convincente que até dá vontade de trocar o velho absorvente pelo reutilizável copinho.

O desconforto, segundo Adeise, é zero e nem se sente o produto no corpo. (Foto: Marcelo Callazans)O desconforto, segundo Adeise, é zero e nem se sente o produto no corpo. (Foto: Marcelo Callazans)

"É muito mais higiênico, porque o sangue não entra em contato com o ar, então não tem cheiro nenhum e você acompanha todo o seu ciclo pela cor", aponta a vantagem. Há cinco anos ela deixou o absorvente pelas alergias que apareciam depois, na prática, sentiu que o fluxo até diminuiu. "Os absorventes têm uma substância que é anticoagulante e faz você sangrar mais para você usar mais. Diminuíram as minhas cólicas também, nossa, é muito mais prático e você nem percebe", compartilha.

O coletor precisa ser comprado pela internet e custa uma média de R$ 70,00, mas pode ser usado por anos dependendo da forma como a higiene é feita.

Para a engenheira química MorenaBertuzzi, de 29 anos, o que pesou foi o fato do produto não ser testado em animais. "Ele é um coletor vegano, não é testado em animais, é reutilizável, não polui o Meio Ambiente", pontua. Vegana, Morena ainda não usa, mas pretende por o coletor em prática ainda este ano.

O coletor precisa ser comprado pela internet e custa uma média de R$ 70,00, mas pode ser usado por anos. (Foto: Marcelo Callazans)O coletor precisa ser comprado pela internet e custa uma média de R$ 70,00, mas pode ser usado por anos. (Foto: Marcelo Callazans)

Modo de usar - No corpo, o copinho fica numa posição mais baixa que um absorvente interno, ou seja, ao retirar, a mulher não terá contato com o sangue. De silicone medicinal, é quase zero as chances de ele provocar alergias. Ao colocar, é preciso lavar bem as mãos e higienizar o coletor.

A mulher precisa procurar uma posição confortável que pode ser em pé, agachada ou ainda sentada no vaso sanitário. Com as pernas abertas, o copinho deve ser inserido começando pela parte arredondada. Depois se deve colocá-lo na direção horizontal. O coletor precisa ser inserido até ficar dentro da vagina.

Não é necessário retirá-lo na hora de ir ao banheiro. A retirada é, pelo menos na teoria, simples e basta apenas puxar o coletor pela haste até alcançar a base. Tudo isso com as mãos muito bem lavadas. Os fabricantes do produto indivam lavar com água e sabão neutro antes de colocá-lo novamente e ao final de cada ciclo, ferver por cinco minutos.

O médico ginecologista Alex Bortotto explica que o uso vai muito de pessoa para pessoa, conforme os próprios costumes. Na maioria das vezes, a opção leva em conta alergias, mas mesmo assim, ele alerta que o coletor precisa ser bem manipulado. "Todo e qualquer objeto intravaginal precisa ser muito bem esterelizado, não podendo adentrar bactérias", frisa.

Sobre a diminuição do fluxo, ele não relaciona diretamente ao uso. "As mulheres que tiverem redução pode ser tido alguma outra modificação em termos hormonais no ciclo.

Mal não faz e não há também contraindicações, a não ser em casos específicos de alergia até do silicone. Para o médico, o uso ainda tímido se dá pela rejeição das mulheres. "Geralmente, quando se fala em manipulação vaginal, a paciente tem uma certa resistência, como era com o diafragma", compara ao contraceptivo que já caiu em desuso.




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