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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

15/12/2014 06:34

Em equipe iniciante, repórter sedentário experimenta horas de rally a pé

Elverson Cardozo
Início do percurso, no trilho. (Foto: Elverson Cardozo)Início do percurso, no trilho. (Foto: Elverson Cardozo)

Eu tinha apenas duas opções neste domingo (14): Fazer meu plantão de 10 horas na redação, estando sujeito a cobrir qualquer coisa que viesse a surgir, ou trabalhar fora dela, ao ar livre. A segunda hipótese tinha uma condição: participar de um esporte de aventura e, depois, contar a experiência aqui no Lado B.

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Não pensei duas vezes. Decidi abandonar o computador para curtir a natureza. Mas fiz isso, confesso, para fugir da rotina mesmo e não porque gosto de me exercitar. Na minha vida de sedentário, assumido, esporte não e lá uma prioridade. Detesto. De aventura, então, dá para imaginar o nível do ódio.

Mas ignorei o fato, já consumado, e resolvi encarar o "Trekking de Regularidade", também chamado de "Enduro a pé" ou, simplesmente, "rally a pé". "Ah, é algo novo para mim", pensei antes, tentando me convencer. Sinceramente, ainda não sei se saí em vantagem porque, enquanto escrevo essa matéria, de casa, sinto minha virilha, coxas, e até o cóccix latejarem. Estou um trapo. Morto de casado. Nunca andei tanto na vida. E olha que foram só 6 quilômetros.

Equipes precisam se localizar com planilha, bússola e cronômetro. (Foto: Elverson Cardozo)Equipes precisam se localizar com planilha, bússola e cronômetro. (Foto: Elverson Cardozo)

Mas 6 quilômetros no meio do mato, com "sol de estalar mamona", e pisando em pedra, no barro, pulando cerca, desviando de galhos, de vacas e de outros obstáculos. Na teoria, o percurso tem apenas um quilômetro a mais do que os 5 km que eu já me acostumei a fazer quando a calça aperta na cintura. Mas isso nem se compara.

Caminhar no asfalto, em terreno plano, é uma coisa. Fazer percurso equivalente em área de desnível é outra, e bem mais complicada. Isso reflete no tempo de finalização, que acaba sendo mais que o dobro. Mas é essa a graça do Trekking.

A modalidade é definida como uma caminhada esportiva, onde um grupo, formado por 3 ou, no máximo, 6 pessoas, percorre uma trilha com o auxílio de uma planilha de navegação, contando passos, fazendo uso de cronômetro e, inclusive, de uma bússola.

Monitor usa camisa azul e fica atento aos atrasadinhos. (Foto: Elverson Cardozo)Monitor usa camisa azul e fica atento aos atrasadinhos. (Foto: Elverson Cardozo)

O caminho precisa ser desvendado com ajuda de pontos de referências, destacados, na planilha, por pequenos desenhos (cerca, pé de coqueiro, casa, etc.). O trabalho é em conjunto. Para dar certo, cada integrante assume uma função.

Tem o “Navegador”, que interpreta a planilha e faz a condução do grupo, o “Condutor de passos”, que mede as distâncias em metros ou passos, além do “Calculista”, que dá ritmo à equipe, medindo se as distâncias estão sendo percorridas no tempo adequado, fora o “Homem Bússola”, responsável pela orientação e direção da trilha a ser seguida.

No meu grupo, apenas três pessoas: eu, o estagiário do Campo Grande News, Adriano Fernandes, e a jornalista Flávia Vicunã. Nenhum dos dois conheciam o esporte. Eram, portanto, iniciantes e complemente inexperientes.

Pelo número reduzido de integrantes, acumulei funções. Me tornei "Navegador" e "Calculista". Flávia assumiu o posto de "Condutora de passos" e Adriano tornou-se o "Homem-Bússola". Não adiantou muita coisa. De cara, erramos o caminho.

Prova de escrita japonesa. (Foto: Elverson Cardozo)Prova de escrita japonesa. (Foto: Elverson Cardozo)

A sorte é que, durante todo o trajeto, monitores acompanham as equipes de longe e em pontos estratégicos. Eles não entregam o jogo, mas mostram, pelo menos, uma luz no fim do túnel.

Com o passar do tempo, pega-se o jeito e aí, sim, caminha-se com as próprias pernas. E como caminha. A trilha, para um ansioso como eu, parece interminável. A vontade é sentar e não levantar nunca mais.

Não bastasse isso tem as provas que precisam ser cumpridas quando se chega a determinados locais. Em uma deles, o desafio era fazer um circuito equilibrando, na boca, uma colher com um ovo em cima. Na outra, foi necessário reproduzir uma escrita em japonês.

A única parada é para um descanso de 15 minutos e um lanche rápido, a base de banana, bolinho de maça com castanhas e água. Depois, "sebo nas canelas". Em determinado momento, o cansaço começou a ficar insuportável. Me senti franco e tive calafrios. Mas resisti.

A pausa de 15 minutos e o lanche, com banana e  bolo de maçã e canela. (Foto: Elverson Cardozo)A pausa de 15 minutos e o lanche, com banana e bolo de maçã e canela. (Foto: Elverson Cardozo)

Em aproximadamente 2h25, eu e minha equipe chegamos ao destino final. Na competição deste domingo, um rio era a surpresa. Para que começou a caminhar às 9h e só parou às 11h25, o banho de água fresca foi mais que um alívio.

O retorno para o almoço - churrasco e porco no rolete - foi na carroceria de um caminhão. De volta, "quebrado", mas vivo, pensei em como foi bom abandonar o computador e o ar-condicionado da redação. Se vou voltar, não sei. Mas já posso dizer que vive uma aventura.

A chegada no rio, destino final. (Foto: Elverson Cardozo)A chegada no rio, destino final. (Foto: Elverson Cardozo)
Tênis voltam imundos. (Foto: Elverson Cardozo)Tênis voltam imundos. (Foto: Elverson Cardozo)

Meus companheiros de caminhada não tinham plantão neste domingo, mas adoraram a experiência.

"Por mais que você faça uma caminhadinha, alguma coisa, quando você encaram uma trilha dessa, de duas horas, andando em terreno íngreme, é diferente. Mas é extremamente relaxante. Acho que você se desestressa. No final a gente já estava louco para parar, de tão cansando. Aquele riozinho foi um deleite. Acho que super vale a pena. É uma atividade diferente. Quebra completamente sua rotina. Curti. Curti muito", destacou a jornalista Flavia Vicuña.

Para Adriano, o que mais valeu a pena na atividade foi o relaxamento. "Por um dia a gente esquece a rotina corrida do dia a dia, se exercita, diverte, se aventura e tudo isso em sintonia com a natureza. Não me lembrei de nada da minha vida enquanto estava na prova. Só pensava em descobrir o percurso e me divertir. Você sai com as energias renovadas".

Mas o exercício, completa, foi puxado. "O corpo sente. Chegou uma hora que deu falta de ar, calafrios. O final nunca chegava. Vou ficar sem andar por uma semana, mas tudo bem. Valeu a experiência", exagera.

A prova de ontem foi realizada pela empresa EDA (Espírito de Aventura Brasil) e aconteceu na Colônia Jamic, a 23 quilômetros de Campo Grande, na entrada do município de Terenos. O desafio reuniu, no total, 11 equipes.

Para saber mais, clique aqui.




Outra prova que existe já a 15 anos é a Peregrinação de Santo Antonio, que consiste em uma caminhada de 30 quilômetros que vai da Paróquia Santo Antonio que fica na Rua 15 de novembro em Campo Grande até ao Santuário de Santo Antonio em Terenos, o percurso é feito todo em asfalto e a saída é pela madrugada quando o sol está mais fresco, e o percurso é feito aproximadamente em 6 horas.
 
wild em 15/12/2014 11:16:08
Atividade muito legal, fiz isso muito quando era adolescente, em Europa. E inclusive alguns vezes por ano era organizado de madrugada, que dá um toque especial.
No entanto, o primeiro foto para mim é inacreditável. Até agora sou acostumado que em trilha de trem NUNCA se anda. Pois, (pelo jeito diferente de aqui) ali os trems andam a 120-160 km/h, e os de carga a 80-100 km/h, mesmo dentro das cidades, e como é totalmente impossivel eles conseguir parar todos sabem ficar longe dos trilhos.
Agora resta saber quando é a proxima edição...
 
Marc em 15/12/2014 10:27:09
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