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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

25/04/2016 06:25

Há uma irritante onda em busca de emagrecer e ter saúde, e isso é muito bom

Liziane Berrocal
Há uma irritante onda em busca de emagrecer e ter saúde, e isso é muito bom

Desde que me entendo por gente – gorda, existe uma luta incessante pelo emagrecimento das pessoas. Me lembro da minha pré-adolescência, quando já gordinha minha mãe me levou a um endocrinologista e ele me entupiu de remédios e eu quase surtei. Fiquei noites sem dormir, já que ele me entupiu de sibutramina e eu tinha apenas doze anos. E desde então, nunca deixei de observar a incessante luta pelo emagrecimento, muitas vezes travestida em “busca pela saúde”, que cresceu cada vez mais.

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Com as redes sociais, isso ganhou uma amplitude máster. Participo de vários grupos de discussões sobre RA (reeducação alimentar), cirurgia bariátrica e também gordofobia. E nessas discussões, confesso que eu aprendo muito, em especial me enxergo e faço uma autoanálise de tudo que é sentimento que envolve a busca pelo corpo se não perfeito, pelo menos saudável.

Em alguns grupos de discussões, percebi meninas reclamando dos antes e depois que são postados na rede acusando muitos de “gordofobia” por comemorarem o emagrecimento. Foi aí que me deu o start de gritar: “Parem de se enganar”. Gente, claro que emagrecimento é uma vitória. É muito ruim conviver com algo que você não gosta ou com algo que te faz mal. E no caso de meninas que pesam acima de cem quilos, eu não vejo porque acreditar que é algo agradável pesar 170 quilos, como é o meu caso e ter uma vida complicadíssima para tudo. Sim, o emagrecimento é uma vitória, seja por meio de RA ou de cirurgia ou fazendo exercícios, que é o que muitos buscam.

Não dá para deixar de lado a sinceridade – mesmo correndo o risco de ser taxada, quando há mais de um ano todas as segundas-feiras eu exponho minha vida aqui. Quantas vezes eu não senti raiva absurda daquela mina marombada de roupa fitness? Não somente porque ela era fitness, mas porque eu me sentia incapacitada de ser igual a ela.

Ou senti raiva do Eder Lima ou do Marlon Ganassin, porque eu os considerava preconceituosos ao vê-los cultuar beleza. Também criticava a Elaine Rodrigues, porque mesmo grávida, ela fazia exercícios e voltou a rotina pouco tempo depois. Na verdade, nenhum deles em momento nenhum fazia nenhum tipo de comentário preconceituoso ou direcionado a gordos e gordas, porém, eu me sentia atingida pelo simples fato que eu não conseguia fazer nada daquilo. E quando nós assumimos para nós mesmos, nossos sentimentos, temos como melhor trabalhá-los e se for preciso, modifica-los.

E numa dessas intermináveis discussões sobre o ser ou não alguém magro – coisa que eu já descobri que não quero ser, até porque meu biótipo não serve para isso, eu descobri que quero ser alguém feliz. E não vou conseguir ser feliz se ao olhar no espelho contemplar com tristeza um corpo imenso que não cabe em nada. Ou simplesmente fugir do espelho, porque não quero encarar a realidade. É bem melhor parar de mentir para si mesmo, parar de tentar se enganar e de jogar no outro culpas de frustrações que somente cada um pode melhorar em si.

Obvio que minha autoestima melhorou muito com o emagrecimento, mas minha vida deu sim um salto espetacular com a perda de peso, em referência a saúde e ao bem estar que posso ter sendo menos gorda. A sensação de felicidade ao conseguir subir escadas sem simplesmente morrer ao chegar no andar de cima, entrar numa loja de departamentos e conseguir comprar um sutiã bacana, uma calça com preço legal ou mesmo a incrível sensação de durante uma aula de alongamento, vivendo de medos e traumas carregados ao longo da vida, a professora mandar pegar uma bola e mesmo com medo você tentar e conseguir.

Então, que bom que cada dia mais cresce os números de cirurgias bariátricas no país, que bom que as academias estão cheias e pessoas como eu, que antes sentia raiva e mágoa dos professores de educação física e marombeiros hoje entendem que cada um tem o direito de buscar o que considera melhor.

Por isso concluo que há uma irritante onda pela saúde e isso é muito, muito bom mesmo! E se ela vier aliada de estética, nada contra, afinal, qual o problema em querer se sentir cada dia mais bonito?

E se você que ler, sentir algum tipo de sentimento negativo, por favor, não me leve a mal, permita-se uma auto-reflexão e descobrir o outro lado, pode não ser tão ruim!




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