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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

19/08/2014 06:45

Jornalista se livrou da enxaqueca com cardápio funcional e virou especialista

Elverson Cardozo
Pão de coco, uma das alternativas ao glútem.Pão de coco, uma das alternativas ao glútem.

Jornalista por formação, Cristiane Gutierrez, de 35 anos, ou Cris Gutierrez, exerceu a profissão durante 10 anos. Em Campo Grande foi repórter, assessora de imprensa e, neste tempo, escreveu matérias de polícia, política, cidades, entre outros assuntos. Gostava do que fazia, mas com o passar dos anos descobriu que tinha vocação mesmo era para cozinhar.

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A preocupação com a própria saúde foi o empurrão que faltava. Com intolerância ao glúten, especialmente ao trigo, ela sempre buscou alternativas para driblar a terrível dor de cabeça que sentia, mas como tinha dificuldades para encontrar os alimentos certos – e saudáveis, ela mesma tinha que se virar.

Decidida, a jornalista resolveu estudar para, então, mudar de ramo e de vida. Começou pela cozinha quente, fazendo cursos práticos, e acabou se apaixonando pela panificação e confeitaria, dentro da gastronomia funcional, área da qual se tornou especialista.

Hoje, livre das crises de enxaqueca, Cris mora em Fortaleza (CE), faz pós-graduação em Gastronomia, e vive de fazer bolos, pães, tortas, doces, além de outras delícias, que enchem os olhos, mexem com os sentidos, mas fazem bem para o corpo.

“Muita gente pensa que gastronomia funcional são alimentos sem glúten e lactose, mas não é só isso. A gastronomia funcional tem um conceito mais amplo, mas, basicamente, é o que vai fazer bem para o organismo e fazer ele funcionar melhor”, explica.

Cada pessoa tem sua particularidade, salienta. Tem gente que não pode comer determinado tipo de alimento e é justamente aí que a técnica vira prática. Na produção dos produtos, Cris não usa óleos vegetais comuns, por exemplo. “Só os prensados a frio, os extra virgem”, comenta.

Cris trocou o jornalismo pela gastronomia funcional e hoje ensina outras pessoas a se alimentar melhor. (Foto: Arquivo Pessoal)Cris trocou o jornalismo pela gastronomia funcional e hoje ensina outras pessoas a se alimentar melhor. (Foto: Arquivo Pessoal)

Também não usa açúcar branco. Prefere a demerara (que passa por um refinamento leve e não recebe aditivos químicos), mascavo, mel de cana, de abelha e calda de agave (adoçante natural, 100% vegetal e orgânico). O sal é o marinho, mais saudável.

Resumindo: a gastronomia funcional, dentre outras explicações, consiste na substituição de alimentos por opções mais saudáveis. Isso inclui, se vale mais um exemplo, o leite de vaca, que pode ser trocado pelos leites vegetais, feitos à base de avelã e de amêndoas.

Nesse novo jeito de se alimentar, tem até algumas “novidades”, como a biomassa, uma pasta feita com a banana verde. O ingrediente serve para várias receitas. Pode substituir o ovo e até o leite condensado do brigadeiro. “Não tem sabor e nem odor”, afirma.

Um exemplo é o smoothie de morango, que também leva a biomassa de banana verde e é coberto com granola sem glúten, mirtilo e calda de agave.

As receitas desenvolvidas por Cris são ricas em sementes, oleaginosos, frutas, legumes e ervas. Os pratos, garante, são saborosos, e carregam saúde. “Gastronomia funcional, para mim, é a comida de verdade, aquela que faz bem para o seu corpo”, destaca.

Ela usa essas regras até para fazer Naked Cake funcional, com massa de cacau belga e noz pecã, coberto com ganache funcional feita com chocolate belga e biomassa de banana verde. Para decorar, mirtilos, farofinha de avelã e açúcar de coco. "Sem soja, sem glúten, sem lactose e sem açúcar branco", reforça

Para quem quiser arriscar, o Lado B reproduz, abaixo, uma receita indicada pela chef.

 

Bolo é saudável, mas gostoso, garante a chef. (Foto: Arquivo Pessoal)Bolo é saudável, mas gostoso, garante a chef. (Foto: Arquivo Pessoal)

Bolo de cacau com coco
Funcional

Farinha de arroz - 260g
Farinha de côco - 20g
Fécula de mandioca - 20g
Cacau em pó - 30g
Goma Xantana - 3g (ingrediente que substitui o glúten - polissacarídeo obtido pela fermentação da bactéria Xanthomonas campestris)
Fermento químico - 16g
Óleo de côco - 150g
Ovos orgânicos -180g
Açúcar de côco -150g
Leite de côco caseiro - 180g
Coco seco natural- 100g

Modo de fazer: Peneirar os ingredientes secos. Bater bem os ingredientes líquidos com o açúcar. Misturar os líquidos aos secos delicadamente com um batedor (fouet) ou por um minuto na batedeira. Colocar em forma untada e assar por 40 min a 180 graus. Forno pré-aquecido. Retirar do forno e esperar 20 min para desenformar.

Naked Cake funcional, com massa de cacau belga e noz pecã.Naked Cake funcional, com massa de cacau belga e noz pecã.



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