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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

05/10/2015 06:12

Loja de videogames famosa na década de 80 tirou muito aluno da sala de aula

Naiane Mesquita
A única foto que encontramos da Brink's, no segundo endereço, na 13 de maio, entre a Afonso Pena e a Barão (Foto: Arquivo pessoal/ Patrick Weiller)A única foto que encontramos da Brink's, no segundo endereço, na 13 de maio, entre a Afonso Pena e a Barão (Foto: Arquivo pessoal/ Patrick Weiller)

Em uma portinha da rua 13 de Maio, as crianças se aglomeravam em máquinas de fliperama. Aquelas coloridas, com desenhos estilosos e jogos viciantes foram o início de uma era que mudaria para sempre a infância de milhares de pessoas em todo o mundo.

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Em Campo Grande, a tecnologia começou a chegar graças ao protagonismo da loja Brink's, um ícone para quem aprendeu cedo a matar aula por umas horas de diversão.

Cleber no endereço onde funcionou a Brink's relembra as histórias do local Cleber no endereço onde funcionou a Brink's relembra as histórias do local

O Lado B faz uma parada especial na rota de lugares inesquecíveis de Campo Grande, mas que fecharam ao longo do tempo, na Brink's, em uma época que jogos eletrônicos exigiam fichas, não downloads.

Reza a lenda que o primeiro prédio da loja foi na 13 de Maio, entre a Afonso Pena e a 15 de Novembro. Com o tempo, o espaço seria transferido para outro ponto na 13, dessa vez entre a Afonso Pena e a Barão do Rio Branco.

A loja abriu provavelmente no final dos anos 80, ainda no primeiro endereço. Na lembrança de quem frequentou o lugar, o espaço tinha uma áurea underground, aberto a todas as classes sociais, mais precisamente aos detentores de uma ficha de jogo. “Era meio escuro, mais simples, os jogos eram de luta, na década o que fazia sucesso eram os arcade, aquele 1942 (esse era o nome do game)”, explica o estudante de psicologia Cleber Hafner, 38 anos.

Foto atual do segundo ponto da loja de videogames Foto atual do segundo ponto da loja de videogames

Com 10 anos de idade em 1988, ele lembra que começou a frequentar a Brink's acompanhado de amigos e, às vezes, do irmão mais velho. As crianças que moravam na região e estudavam nas próximidades costumavam se reunir aos montes no local.

“Só ia molecada mesmo, nunca vi uma menina na antiga. Na época, era um pessoal diferente, mais humilde mesmo. Eu morava na rua Maracaju, lembro que jogava volêi e bete na rua, da para acreditar? Na Maracaju?”, questiona aos risos Cleber.

Um tempo depois e ao custo de muitas fichas, a Brink's mudou para o espaço onde ficou consagrada, próximo a rua Barão do Rio Branco.

Era muito grande, tinha muitos fliperamas, foi uma novidade para a cidade, porque não tinha nada para fazer, só a Brink's e o cinema. Se você comparar aos videogames da época e os fliperamas, os gráficos dos fliperamas eram melhores, então as crianças ficavam doidas”, diz o estudante.

Na gana por conseguir vencer as disputas nos videogames, as crianças se reuniam em grupos e não hesitavam em matar aula. Diz a lenda que até fiscalização para encontrar os alunos que faltavam e estavam com uniformes de escola aconteceu, isso no auge dos anos 90.

O pente fino, no entanto, não funcionava. Os jovens costumavam levar uma camisa adicional e escondiam o uniforme nas mochilas ou entre os cadernos. “Uma tática comum era sempre conferir se na máquina que você ia jogar não tinha uma ficha sobrando. Acho que na época custava R$ 0,25 cada ficha.. com R$ 1,00 você fazia a festa”, relembra.

De acordo com Cleber, foi nesse espaço, em um portinha estreita, que começou a história da Brink'sDe acordo com Cleber, foi nesse espaço, em um portinha estreita, que começou a história da Brink's

Outro fã do lugar, o empresário e proprietário da Retro Gamers, Patrick Weiller, 31 anos lembra que na década de 90, o que fez sucesso na casa foram os jogos de corrida e street fighter.

“O grande marco foram os jogos de Corrida, possuíam o pacote completo, banco, acelerador e freios, volante e câmbio, além de várias máquinas interligadas em si, era o Daytona USA, chamava a atenção de todo mundo até mesmo pros amigos todos correrem juntos, rolava de contar até 3 pra colocar a ficha. Era pioneiro por ter 4 modos de câmera com botões coloridos na cabine, gráficos 3D e som digital”, explica.

Até X-Men x Street Fighter rolava. “Já tinha o Street Fighter em outros lugares da cidade, mas o que chamou atenção mesmo foi o primeiro Mortal Kombat, e todas as edições que sairam dele, até a versão Ultimate Mortal Kombat 3”, frisa.

A festa continuou até os anos 2000, quando acreditamos que a loja fechou. Preciso pedir desculpas ao leitor pela inconsistência das datas em relação à abertura e o fechamento da Brink's. Infelizmente, não conseguimos encontrar o proprietário da loja, que aparentemente se mudou para São Paulo. Quem souber notícias ou conhecer ele, favor avisar.

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os proprietários eram valdeci e wanderley são irmãos, em 2007 quando fui a DOURADOS/MS ele eram donos do parquinho e game do shopping center de lá.
 
jezilson em 05/10/2015 18:18:30
Me desculpem, tenho 42 anos e frequentei a Brinks desde os primordios, o primeiro endereço da 13 entre a afonso e a 15 foi no inicio dos anos 80, depois eles mudaram para a 13 entre afonso e barão mas do lado do posto, ficava no predio onde hoje é ou foi cambio, o terceiro endereço é que é o da foto. Foi uma judiação acabar....
 
Max em 05/10/2015 17:59:35
O Cleber, que foi o entrevistado, é autoridade máxima em Brinks, pois praticamente morava lá dentro! Íamos de manhã para matar aula e a tarde para curtir mais ainda eh eh eh eh.
 
OtavianoLacet em 05/10/2015 16:01:36
Muitooo bom ler essa matéria!!! Me fez voltar no tempo!! E o que os caras falaram aí do lugar, confirmo e assino!!! Era bem em frente de um ponto de ônibus, na 13 de maio quase chegando na 15 de novembro!!!
Eu estudava no Joaquim Murtinho, e perdi as contas de quantas vezes matei aula pra jogar, ou as vezes, só ficar olhando, pra aprender as "manhas" dos golpes!!!kkkk
E não é lenda não, tinha sim fiscalização pra pegar alunos que estariam matando aula!! Eu fui um dos alunos que as inspetoras pegaram na Brink"s!! hehehehe!!! Eu e mais um amigo, e um que só tinha aula a tarde mas tava la, e também acabou sendo grampeado!! Só não pegamos suspensão!!
Muito boa a matéria, apesar de alguns equívocos!!!!
 
Anderson em 05/10/2015 15:48:19
Fui um frequentador assíduo da Brinks (tanto na primeira quanto na segunda), guardando o dinheiro do lanche para torrar lá (como todo mundo que ia fazia eh eh eh eh). Eu estudava na MACE e pelo menos uma vez por semana matava aula para ir lá... Era uma verdadeira aventura conseguir escapar, mas valia cada ficha. Eu lembro de uma vez em que eu estava na frente da Brinks esperando ela abrir (ainda era muito cedo e eu havia conseguido escapar da MACE antes do início das aulas...), quando o carro da minha mãe parou bem em frente ao fliperama, no sinal! Na hora tudo em que eu consegui pensar foi em cobrir a cabeça com o meu casaco (estava um frio de lascar...) e aguardar a bronca que eu ia levar bem na frente do restante dos moleques que estavam ali... Mas para minha surpresa ela foi embora \o/
 
OtavianoLacet em 05/10/2015 15:46:17
Algumas correções sobre a reportagem, loja de videogames não, era um fliperama como era chamado na época e hoje leva o nome chique de arcade, a imagem onde supostamente era a primeira Brinks está incorreta, o predio correto era um sobradinho com atual numero 2282, que fica mais à frente, mais precisamente em frente ao ponto de onibus, era praticamente um corredor e como o colega que já comentou tinha a tal "prateleira" embaixo da escada.
Antes de mudar para o outro prédio da foto foto tb foi na treze de maio em frente à antiga CEF, tinha a porta estilo Sallon de Faroeste.
 
Luciano Yamauchi em 05/10/2015 12:48:03
Reza lenda???kkkkk...... Pode confirmar ai criança. O primeiro endereço da Brinks foi na 13 de Maio entre as ruas 15 de Novembro e Afonso Pena, bem em frente a praça. Lembro que os alunos dos colégios, Dom bosco, Mace, Ase, Joaquim Murtinho eram os que mais "frequentavam" o fliperama. Eu estudava no Vespasiano Martins e sempre estava por lá. No local havia uma escada e todo mundo jogava seu material debaixo, na hora de ir embora tínhamos que ficar procurando em meio a pilha de mochilas, cadernos e blusas. Mesmo no verão o pessoal ia de casaco para o colégio, estratégia para esconder o uniforme e claro muitos levavam outra camiseta. O local era muito democrático, frequentado por todo tipo de gente e as meninas se faziam presentes em grande número, sempre rolava uma paquera. Isso foi em 89...
 
Marc em 05/10/2015 08:52:43
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