A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

04/08/2016 14:27

Para quem aprendeu até a chocar ovo, Pokémon GO tem lá suas vantagens

Ângela Kempfer
Todo mundo que quer, tem.Todo mundo que quer, tem.

Minha filha de 10 anos nunca teve qualquer videogame ou jogo eletrônico. Não gosta. Por isso, achei que essa história de Pokémon Go não iria emplacar lá em casa. Engano meu. Ontem, a brincadeira já estava instalada e hoje tive de aproveitar a hora do almoço para encontrar pokébolas pela cidade, no caminho entre a escola e a avó.

Veja Mais
The Last of Us 2, novo Uncharted e tudo mais que rolou na PlayStation Experience
Last Guardian e Mario Maker no 3DS puxam lançamentos de dezembro

Como toda mãe, sempre que alguma coisa estranha surge na nossa vida, a primeira reação é ver os contras. A primeira foi pensar: "Não gente, não precisamos de outro motivo para essa gurizada olhar mais para o celular e menos para o céu". Mas desta vez comecei pelos prós, a começar pelo acesso democrático. Quem quer, baixa, sem pagar nada.

Depois de invadir o mundo, é claro que o joguinho tem mostrado a face exagerada do ser humano, que não perde uma oportunidade para evidenciar o quanto pode ser maluco e socialmente isolado. Mas insisto em ver as vantagens, por enquanto.

Conhecer a cidade - Na tarefa de repor as pokébolas gastas na noite de ontem, minha filha descobriu hoje vários pontos de Campo Grande pelos quais nunca havia despertado interesse. Aprendeu, por exemplo, sobre a pracinha ao lado da prefeitura, uma homenagem a Manoel de Barros, poeta das palavras inventadas.

Tudo bem que no frenesi da novidade, a imagem do poeta e a representação da fauna pantaneira atualmente são o que menos importa. Ali agora é um PokéStop, local marcado pelo aplicativo onde você recarrega as bolas que serão usadas para capturar mais bichinhos. Pegamos 3 bolas e a passagem, mesmo que rápida, serviu para contar um pouco a história do homenageado.

Logo depois, um muro grafitado ganhou outra parada. E antes de ver a pokebola, foi a arte que chamou atenção.

Brincar junto – Nas descobertas de como tudo funciona, passei mais de uma hora conversando e rindo com minha filha. A cada parada para catar as bolotas, lá vinham as perguntas e sobre que o lugar que servia de PokéStop. Em troca, ela me contava o que cada Pokémon significa e quais as preferências no desenho animado que foi o começo dessa mania mundial.

Em casa, a irmã mais velha, com 12 anos de diferença, encontrou assunto para discutir com a pequena, o que é uma raridade quando uma tem 10 e a outra tem 22. Por fim, as duas entenderam que há mais em comum entre elas do que imaginavam.

Conhecer pessoas – A imagem hoje pela cidade era de muitos grupos andando, rindo. De meninos e meninas mostrando o celular um para o outro e mirando para o além, sem um alvo visível a quem observava de longe. Vi pai achando graça da forma como o filho narrava as conquistas da manhã e marmanjo trocando o carro por uma pernada pelo quarteirão.

Os relatos em uma redação cheia de faixas etárias e rotinas diferentes é outra prova de que há vantagem no jogo, basta saber aproveitar. Na noite de quarta, quando a febre começou, muita gente conheceu os vizinhos. Após anos morando lado a lado, sem nunca ter trocado uma palavra, quem saiu para capturar Pokémons na vizinhança teve de trocar ideia, bater papo, se apresentar finalmente.

Fazer exercícios – Talvez a parte positiva mais louca desse jogo seja colocar todo mundo para gastar calorias. Além de andar para ficar mais fácil de ver os alvos, ontem o povo saiu para “chocar ovo” pelas pistas de caminhada da cidade.

Os “Eggs” aparecem também nos PokéStop e o jogador tem de chocá-lo para dali surgiu um Pokémon. Para o monstrinho crescer, o usuário tem de andar determinada distância estabelecida pelo jogo, enquanto o aplicativo estiver aberto. Quanto maior a quilometragem pedida, mais raro é o Pokémon. No meu caso por exemplo, para o bicho quebrar a casca, vamos ter de andar 10km.

Olha, e ainda tem gente que nunca passeia ao ar livre e no domingo já está combinando de ir ao Parque das Nações Indígenas com a expectativa de caçar muitos bichinhos japoneses.

Bom para o comércio – E aí surge mais um camarada para lucrar com essa história. Quem vende baterias deve aumentar muito as vendas, porque se tem algo negativo nessa novidade é o consumo animal de carga.

 




imagem transparente

Compartilhe

Classificados


Copyright © 2016 - Campo Grande News - Todos os direitos reservados.