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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

16/11/2015 06:23

Uva mais doce da cidade tem endereço, concorda o dono de chácara na Três Barras

Paula Maciulevicius
Celso Cortada trocou a pecuária pelo doce da agricultura. (Foto: Gerson Walber)Celso Cortada trocou a pecuária pelo doce da agricultura. (Foto: Gerson Walber)

"Aqui que vende a uva mais gostosa da cidade"? pergunto. Do outro lado a resposta vem com um convite: "Dizem que sim, mas você tem que experimentar. Toma, para a matéria ficar mais doce". De cara me encantei pelo atendimento do dono da estância que trocou a pecuária pela agricultura há cinco anos.

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"Sempre gostei de plantar, resolvemos diversificar um pouco", conta seu Celso Cortada, de 60 anos, dono da Estância Angélica, terra comprada para esse fim, de cultivar o doce. No primeiro ano não se produz, então essa é a quinta safra a que se chega. A uva niágara dá ali de agosto a novembro e tem ficado conhecida na cidade pelo boca a boca mesmo. "É que além de ser a melhor uva, tem também tecnologia de ponta", completa Celso. 

As parreiras de três hectares de extensão são acompanhadas por agrônomos especializados no plantio e também assessoradas pela Embrapa. "Ela é uma uva rústica, se adapta bem em qualquer temperatura e tempo, mas não gosta de umidade nas folhas e sim no pé. Quando chovem, me perguntam se eu estou feliz. Digo que não, sou obrigado a pulverizar, elas querem água embaixo", narra.

O segredo do doce está na altura da colheira, que espera ir além do ponto. (Foto: Gerson Walber)O segredo do doce está na altura da colheira, que espera ir além do ponto. (Foto: Gerson Walber)
A verdinha é do mesmo tipo, mas sofreu mutação se tornando mais doce ainda. (Foto: Gerson Walber)A verdinha é do mesmo tipo, mas sofreu mutação se tornando mais doce ainda. (Foto: Gerson Walber)
É assim que se vê uma parreira, de cabeça para baixo. (Foto: Gerson Walber)É assim que se vê uma parreira, de cabeça para baixo. (Foto: Gerson Walber)

As uvas recebem tratamento com produtos, mas conforme o proprietário, respeitando o tempo de carência deles para então começar a colheita. Da parreira para a mesa é assim que elas saem. O dono mesmo vai todos os dias, não não passa o tempo todo ali, demos sorte e ele explica que é porque os "meninos" estão na colheita.

Eram 13h da última sexta-feira e só na parte da tarde já haviam sido vendidas 18 caixas de uva. Cada um com 2 quilos e um preço que chega a ser metade da cidade. Pela manhã, mais de 40 também tinham ganhado estrada. Se desse para transmitir cheiro para o texto, as palavras sairiam tão doces quanto as uvas.

O lugar é tão lindo e baixinha como sou, nem preciso me abaixar para desviar delas. "Você sabe como olha uma parreira?" - pergunta seu Celso. Não, respondo. "É assim, de cabeça para baixo, olhando pelo vão das pernas. Olhando assim como você está, enxerga um pouco, assim, desse jeito, atéeeee lá no fim". A vista é linda e a gente se perde na imensidão de uvas.

Se desse para transmitir o cheiro para o texto, as palavras sairiam tão doces quanto às uvas. (Foto: Gerson Walber)Se desse para transmitir o cheiro para o texto, as palavras sairiam tão doces quanto às uvas. (Foto: Gerson Walber)

Por que de ser tão doce? O dono explica que o segredo está em colher acima do ideal. "A gente já tem um nome conhecido na cidade, as pessoas vêm aqui às vezes e querem porque querem levar, mas não dá, não está doce ainda o bastante. E eles perguntam, mas como não tem, olha o tanto aí?", reproduz Celso.

A niágara é rosada, mas conforme explicação do agricultor, de vez em quando sofre mutação e alguns cachos saem verdes. "Assim ela é muito mais doce, mas não tem valor comercial. Por quê? Todo mundo que vê não acha que está boa", explica.

A uva mais doce da cidade tem endereço certo, na estância onde se vê a parreira de cabeça para baixo, na MS-040, quilômetro 5 e está aberta de segunda a sábado, das 7h às 18h e aos domingos, até meio-dia.

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A estância onde se vê a parreira de cabeça para baixo fica na MS-040, km 5. (Foto: Gerson Walber)A estância onde se vê a parreira de cabeça para baixo fica na MS-040, km 5. (Foto: Gerson Walber)



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