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Meio Ambiente

Alvo de multa ambiental milionária foi doador de campanha de Tereza Cristina

Propriedade rural de Adolpho Mellão Cecchi foi alvo de ação de 2016, e recebeu multa de R$ 10 milhões

Mayara Bueno e Aline dos Santos | 16/12/2018 09:10
Imagem anexada ao processo mostra fazenda São Francisco (polígono amarelo) e área de vistoria (polígono vermelho). (Foto: Reprodução)
Imagem anexada ao processo mostra fazenda São Francisco (polígono amarelo) e área de vistoria (polígono vermelho). (Foto: Reprodução)

Dono da fazenda São Francisco, em Bonito, alvo de ação em 2016, Adolpho Mellão Cecchi, doou R$ 20 mil para a deputada federal e futura ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM), na campanha de 2018. Os dados constam no Divulgacand, sistema do TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul).

Tal área de propriedade de Adolpho foi alvo de ação do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), em dezembro de 2016. A promotoria denuncia a construção ilegal de 46 quilômetros drenos, dos quais 29 quilômetros foram construídos entre agosto de 2013 e abril de 2016, levando à drenagem de uma área de 973,1902 hectares do brejão do Rio da Prata.

Em uma edição da Ong Repórter Brasil, em 29 de setembro deste ano, logo após a reeleição de Tereza, o proprietário fez elogios à parlamentar ao comentar que não existia uma deputada igual a ela no Brasil e que ela deve incomodar muita gente, pois trabalha seriamente.

O brejão do Rio da Prata é uma área úmida no limite entre Bonito e Jardim. Com 5 mil hectares, abrange várias fazendas e funciona similar ao rim, mas filtrando os sedimentos.

Ação

A denúncia de 2016 que motivou ação do MP informa a aplicação de multa de R$ 10 milhões e que os canais de drenagem resultaram em danos a fazendas vizinhas, o que favoreceu o rápido escoamento da água da chuva, criando erosão e levando sedimentos que turvam o Rio da Prata.

Em janeiro de 2017, a juíza Adriana Lampert determinou audiência de conciliação, realizada em junho do ano passado. Na ocasião, o MP suspendeu a ação por 90 dias e o fazendeiro, que mora em São Paulo (SP), se comprometeu em manter suspensa a atividade alvo da ação. Sem acordo, o processo voltou a tramitar em janeiro deste ano, a pedido da promotoria.

No dia 18 de janeiro, a magistrada negou a liminar, porém determinou que a área em litígio, cerca de 1.000 hectares do brejão do Rio da Prata, ficasse inalterada. A defesa também deveria comprovar a implantação de um plano de monitoramento do rio.

Em fevereiro deste ano, o proprietário informou a Justiça uma reviravolta: o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) revogou o termo de paralisação sobre a área, autorizando a continuidade da atividade. Em 21 de maio deste ano, a juíza revogou a decisão que proibia o funcionamento dos drenos.

“Os drenos estão em atividade, firme e forte destruindo o meio ambiente”, disse o promotor ao Campo Grande News semana passada.

A reportagem tentou conversar com a futura ministra na manhã deste domingo (16), via celular, mas não obteve resposta.

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