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Campo Grande, Domingo, 11 de Dezembro de 2016

10/07/2015 11:12

Ampliação da rede de esgoto reduz em 86% número de internações

Flávia Lima
Obras de implantação da rede de esgoto no Bairro Mata do Jacinto eliminou fossas que contaminam o meio ambiente. (Foto:Divulgação) Obras de implantação da rede de esgoto no Bairro Mata do Jacinto eliminou fossas que contaminam o meio ambiente. (Foto:Divulgação)
O aposentado Virdilino Nascimento faz  alimpeza da casa sem se preocupar com limpeza de fossa e infestação de insetos. (Foto:Marcos Ermínio)O aposentado Virdilino Nascimento faz alimpeza da casa sem se preocupar com limpeza de fossa e infestação de insetos. (Foto:Marcos Ermínio)
O comerciante Avelino Amaro diz que a economia com o serviço de limpeza de fossa pode ser aplicada em seu comércio. (Foto:Marcos Ermínio)O comerciante Avelino Amaro diz que a economia com o serviço de limpeza de fossa pode ser aplicada em seu comércio. (Foto:Marcos Ermínio)

Estudo elaborado junto ao Datasus, sistema de informações do Ministério da Saúde, aponta uma redução, nos últimos dez anos, de 86% na taxa de internações, especialmente de crianças, por doenças diarreicas em Campo Grande.

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O levantamento também mostra que em 2003, a taxa de internação devido a diarreias, era de 157,4 a cada 100 mil habitantes. Já em 2013, o número caiu para 22,2 para a mesma faixa populacional, na Capital. Com a queda no índice de internações, houve uma economia de 78% no SUS referente a internações hospitalares em decorrência das doenças diarreicas, que abrangem enfermidades como cólera, infecções intestinais bacterianas e virais.

A pesquisa aponta que os valores investidos pela Saúde Pública do município para combater essas doenças tiveram uma redução contínua a partir de 2003, quando passaram de R$ 48.336,37 por 100 mil habitantes para R$ 10.618,12 em 2013

Um segundo estudo, também citado na pesquisa, feito pelo Instituto TrataBrasil, uma das Ongs (Organizações Não Governamentais) mais respeitadas do país no setor de saneamento básico, corrobora os dados do Datasus e vai além. De acordo com A Ong, a partir de 2008 houve uma nítida redução no número de mortalidade infantil na Capital.

Naquele ano a taxa era de 0,94 óbitos a cada 100 mil habitantes e apesar de uma pequena elevação em 2010, quando foram verificadas 1,02 mortes, os números voltaram a cair e os últimos dados, de 2013, apontam apenas 0,36 óbitos a cada 100 mil habitantes.

Ainda conforme o Trata Brasil, 88% das mortes por diarreia em crianças abaixo de cinco anos, são ocasionadas pela precariedade do sistema de tratamento de esgoto, por isso, os estudos são um indicador importante para avaliar os resultados do investimento no setor.

O relatório indica que os resultados positivos, especialmente no que diz respeito a queda da mortalidade infantil, são resultado de um conjunto de fatores, que inclui o aumento no tempo de amamentação e a conscientização da importância da hidratação, no entanto os dados do Datasus ressaltam que o principal fator está relacionado diretamente aos investimentos no serviço de saneamento básico da Capital.

Para José João Fonseca, diretor-presidente da Águas Guariroba, concessionária responsável pelo serviço de água, coleta e tratamento de esgoto de Campo Grande, os dados são motivos de comemoração, já que, segundo ele, apenas 20% da Capital ainda não dispõe de rede de esgoto, por isso o objetivo da concessionária é universalizar o serviço de coleta e tratamento de esgoto para toda a cidade até 2025. Até lá, a estimativa da concessionária é investir cerca de de R$ 1 bilhão.

No entanto, a empresa está antecipando cerca de R$ 150 milhões desses recursos para que a prefeitura possa realizar as obras de asfalto previstas no PAC II (Programa de Aceleração do Crescimento). Com isso, antes das obras serem iniciadas nos bairros, a rede de esgoto é finalizada para evitar a quebra do asfalto após a pavimentação.

“O esgotamento sanitário é um serviço essencial para a qualidade de vida e tem impactos diretos em outras áreas do desenvolvimento”, destaca.

Segundo José João, com base nos dados apresentados pela pesquisa, é possível verificar que Campo Grande está entre os três municípios que apresentam os melhores resultados em relação ao serviço de saneamento básico, já que 100% da água coletada é tratada. “Mesmo com toda a crise de abastecimento observada em outros estados, Campo Grande não foi obrigada a fazer rodízio devido aos investimentos”, afirma.

Consicentização - Quando assumiu o serviço de saneamento da Capital, em 2006, a Águas Guariroba elaborou o programa Sanear Morena, que dividiu em três etapas as obras de ampliação da rede de esgoto na Capital. Na primeira etapa, lançada em 2006, foram aplicados R$ 198 milhões; na segunda, foram R$ 57 milhões e na terceira, que vai levar o saneamento a 100% da cidade, já foram investidos R$ 636 milhões. Até 2025, o valor deve chegar a R$ 1 bilhão.

"Poucas empresas elaboram um programa de investimentos tão detalhado. O que vemos em outros estados é a falta de gerência, que acaba levando a escassez de água nas casas", diz José João Fonseca. Porém, ele alerta que a falta de consciência de uma parcela da população, que prefere consumir água de poços e utilizar fossas, coloca em risco a qualidade do subsolo e a vida dos poucos mananciais existentes na Capital.

Ele diz que atualmente existem pelo menos 25 mil imóveis, ou seja cerca de 100 mil pessoas que não possuem água tratada em casa, já que as residências estão desconectadas da rede esgoto. “São locais onde há a estrutura pronta de saneamento, mas os moradores se recusam a pagar pelo serviço”, diz.

Para José João, falta o entendimento sobre os riscos de doenças a que estas famílias estão expostas. Ele diz que o valor médio da taxa de água e esgoto pago pelo campo-grandense é de R$ 90,00, o que corresponde, a R$ 3,00 por dia. “Em uma casa com três pessoas, se esse valor for dividido, fica R$ 1,00 para cada um contribuir por dia”, ressalta.

O diretor-presidente da concessionária ressalta que para ampliar o entendimento da população sobre a necessidade de consumir água devidamente tratada, diversas ações sociais e educativas são desenvolvidas em comunidades, especialmente nas escolas públicas e particulares. Uma delas são os teatros e jogos pedagógicos.

“Através dessas atividades as crianças podem levar esse conhecimento para suas famílias, já que não temos poder de obrigar as pessoas a se conectarem a rede de esgoto”, acredita.

Ampliação da rede de esgoto reduz em 86% número de internações

Alívio - Mesmo sem nunca ter participado de uma campanha educativa, o aposentado Virdilino Dias do Nascimento, morador do bairro Mata do Jacinto, diz que sempre entendeu a relação entre os investimentos em saneamento básico e qualidade de vida. Morador há dez anos no bairro Mata do Jacinto, ele comemora a chegada do esgoto na Rua Elias Nachif, depois de 30 anos de pedidos dos moradores.

"Minha vida mudou. Era um trabalho terrível ter que limpar a fossa todo mês", diz. Ele conta que antes das obras de esgoto, precisava economizar na água consumida no banheiro e na cozinha, sem falar nos insetos que infestavam a casa. "Agora a higiene é outra. Me preocupava com meus netos que vem aqui em casa", afirma. Sobre o valor pago a concessionária, ele ressalta que gastava mais contratando uma empresa para a limpeza da fossa. "Tudo tem uma contrapartida, mas pelo benefício vale a pena", acredita.

A dona de casa Orilene Barbosa Rodrigues também sentiu alívio após a conclusão das obras. Mãe de um menino, ela revela que em frente à sua casa havia três fossas que exigiam limpeza constante. "Mesmo economizando a água do banheiro, tínhamos que todo mês esvaziar as fossas, que já não estavam dando conta", diz.

Ela também conta que com o saneamento completo no bairro, está mais segura quanto a saúde da família, que está livre dos insetos que eram atraídos pelas fossas.

Para o comerciante Avelino Amaro, que há três anos tem um bar na Rua Elias Nachif, o acesso à rede de esgoto também trouxe uma economia de mais de R$ 100,00, gastos para limpar a fossa do local. Dinheiro que agora ele investe em produtos para o seu comércio. "Como o uso do banheiro era constante, tinha que limpar quase toda semana. Sem falar que agora não precisamos mais ficar aplicando veneno por causa dos insetos", diz.

Diretor-presidente da águas Guariroba, José João Fonseca mostra evolução da rede de esgoto da Capital. (Foto:Divulgação) Diretor-presidente da águas Guariroba, José João Fonseca mostra evolução da rede de esgoto da Capital. (Foto:Divulgação)



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