A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

30/10/2015 08:24

Áreas de preservação ambiental viram lixões após paralisação de coleta

Mariana Rodrigues
Lixo acumulado na área de preservação ambiental no Bairro Portal Caiobá. (Foto: Gerson Walber)Lixo acumulado na área de preservação ambiental no Bairro Portal Caiobá. (Foto: Gerson Walber)

Após três paralisações da Solurb, empresa responsável pela coleta de lixo em Campo Grande, os moradores dos bairros Caiobá I e Itamaracá e região começaram a descartar seu lixo em áreas ambientais. Com a última greve que durou uma semana, os resíduos foram acumulando nestes locais e causado vários transtornos aos próprios moradores, devido principalmente ao mau cheiro.

Veja Mais
Terreno abandonado há um ano vira depósito irregular de lixo
Leitor denuncia descarte irregular de lixo em prolongamento de avenida

De acordo com o líder comunitário do Portal Caiobá I, José dos Santos, 45 anos a área foi cedida pela prefeitura há 15 anos e está localizada na Avenida Afluentes com a Nova América. Essa área tem servido para moradores da região e até empresas jogarem seu lixo. O local virou um verdadeiro lixão a céu aberto. "Boa parte do lixo vem de fora do bairro e uma pequena parte são os moradores daqui mesmo que jogam e até empresas descartam seus lixos aqui", conta.

Ele conta que nesta semana a coleta passou normalmente, mas que ainda assim a quantidade de lixo é muito grande no local. A equipe de reportagem do Campo Grande News esteve no bairro e constatou que não é apenas na área de preservação ambiental que o lixo se acumula, mas também em todo o bairro. "Nossa regão está abandonada", lamenta José.

Tanto na parte de fora da área, quanto dentro da mata há muito lixo acumulado. (Foto: Gerson Walber)Tanto na parte de fora da área, quanto dentro da mata há muito lixo acumulado. (Foto: Gerson Walber)
No local é descartado tanto lixo doméstico quanto lixo de empresas. (Foto: Gerson Walber)No local é descartado tanto lixo doméstico quanto lixo de empresas. (Foto: Gerson Walber)

Essa área de preservação é usada também pelas igrejas da região, muitas delas fizeram do lugar um espaço para orações ao ar livre. "O local onde está limpo é porque as igrejas usam para orar e mantém a limpeza", acrescenta. Uma nascente que fica nessa área de preservação é usada pelos jovens para tomar banho nos dias de muito calor, José afirma que a água é limpa, porém, bem perto desta nascente há uma grande quantidade de lixo descartado.

"Famílias vem até aqui para tomar banho, a água não é suja, mas as pessoas jogam lixo ao redor, por isso que queremos limpar, essa área não pode ficar assim, temos que preservar", diz.

Porém, não é só o Portal Caiobá que sofre com o acúmulo de lixo em áreas de preservação, no Bairro Itamaracá e Rita Vieira, moradores sofrem com o lixo que é descartado nas obras inacabadas do Balsamo. Segundo os próprios moradores, são pessoas de fora que jogam lixo no local. "É errado as pessoas jogarem lixo aqui, mas foi a opção que elas encontraram com essa greve dos coletores de lixo", conta o morador do bairro Itamaracá Olicio Mariano, 67 anos, aposentado. Ele disse ainda que antes da greve, quando passava pelo mesmo local não encontrava lixo jogado.

De acordo com o líder comunitário do Portal Caiobá I, José dos Santos, 45 anos a área foi cedida pela prefeitura há 15 anos. (Foto: Gerson Walber)De acordo com o líder comunitário do Portal Caiobá I, José dos Santos, 45 anos a área foi cedida pela prefeitura há 15 anos. (Foto: Gerson Walber)

Selma Alves de Farias, 43 anos, cozinheira mora no Rita Vieira, ela afirma que as pessoas começaram a jogar lixo desde a primeira greve da Solurb, desde então, mesmo quando o lixo que se acumula é recolhido, as pessoas esperam anoitecer para novamente fazer o descarte. "Como é um local escuro, eles esperam anoitecer e sempre é uma pessoa de carro que joga", diz.

Outra moradora que mora no bairro há 23 anos, falou ao Campo Grande News que antes a região era limpa, mas que com esse acúmulo de lixo aumentou a quantidade de animais peçonhentos. "Aumentou muito a quantidade de ratos, sem falar no mal cheiro, quando chove é insuportável", diz Maria Sonia de Souza, 55 anos.

Para o ambientalista Haroldo Borralho, o problema está na má administração ambiental por parte da prefeitura de Campo Grande. "Há um descaso e uma falta de preparo para gerir a administração pública municipal seja na questão das obras, fiscalização e monitoramento". Ele diz que o que acontece com a população na verdade é uma deseducação ambiental. "A população age em resposta ao descaso do poder público, a população vai levar o lixo onde? Se vai no aterro está fechado, a população também está amarrada", indaga.

Como solução ele diz que pode ser criada áreas de depósito de lixo em cada região de Campo Grande. "Se criaria uma reserva técnica e cada bairro teria seu depósito específico, as pessoas depositam seu lixo naquele depósito e toda a semana prefeitura retira e leva para o lixão", explica.

Na região do Itamaracá a quantidade de lixo jogado na área de preservação ambiental também é grande. (Foto: Gerson Walber)Na região do Itamaracá a quantidade de lixo jogado na área de preservação ambiental também é grande. (Foto: Gerson Walber)

Em contato a assessoria de imprensa da Prefeitura, a mesma informou que a demanda que tem recebido com relação a reclamações de locais que têm lixo acumulado é grande, porém não há previsão de um mutirão para a retirada de lixo desses pontos. A assessoria informou também que não é de competência da Solurb realizar retirar os lixos acumulados em áreas de reserva ambiental.

Ação - Para tentar solucionar o problema do bairro, o líder comunitário do Portal Caiobá, José dos Santos organizou junto com os moradores, igrejas do bairro e entidades assistenciais um mutirão para retirar o lixo acumulado na área de preservação. No dia 2 de novembro, cerca de 200 pessoas vão se reunir para fazer a limpeza da área. "As igrejas usam o local como ponto de oração, então os chamei também para ajudar nessa retirada de lixo", explica. Além deles, a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) se ofereceu para plantar 300 mudas nos pontos onde houve desmatamento por conta das queimadas de lixo que se acumulou no local.

"Uma equipe vai retirar o lixo que está em volta e já toma conta das ruas, e a outra vai retirar o lixo que se encontra no interior da mata e pode acumular água e servir de criadouro para o mosquito da dengue". Para isso José conseguiu um caminhão caçamba que vai auxiliar na retirada de entulho e levar para o lixão.

 Olicio Mariano, 67 anos, aposentado, disse ainda que antes da greve, quando passava pelo mesmo local não encontrava lixo jogado.
(Foto: Gerson Walber) Olicio Mariano, 67 anos, aposentado, disse ainda que antes da greve, quando passava pelo mesmo local não encontrava lixo jogado. (Foto: Gerson Walber)
Maria Sonia de Souza, 55 anos, falou ao Campo Grande News que antes a região era limpa, mas devido a greve o lixo só aumentou. (Foto: Gerson Walber)Maria Sonia de Souza, 55 anos, falou ao Campo Grande News que antes a região era limpa, mas devido a greve o lixo só aumentou. (Foto: Gerson Walber)



imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions