A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

10/07/2012 16:39

"Cidade das Araras", um novo título para a capital onde elas são figura fácil

Elverson Cardozo
Arara Canindé, espécie mais comum em Campo Grande. (Foto: Rodrigo Pazinato)Arara Canindé, espécie mais comum em Campo Grande. (Foto: Rodrigo Pazinato)
Arara morta nas mãos de moradora do Itanhangá: tristeza. (Foto: Minamar Junior)Arara morta nas mãos de moradora do Itanhangá: tristeza. (Foto: Minamar Junior)

Que campo-grandense nunca viu uma arara de perto, “gritando” por aí nos finais de tarde ou até mesmo no quintal de casa? Bem difícil encontrar por aqui quem nunca ouviu falar sobre a ave. Elas saíram do mato, escolheram a cidade e hoje estão por toda a parte.

Veja Mais
Mulher resgata arara ferida, tenta ajuda sem sucesso e chora ao ver ave morta
Condutor se assusta com araras, perde controle e derruba duas palmeiras

Em Campo Grande, na década de 90, ganharam até monumento. Fica em um local privilegiado, no bairro Amambai, rota de muitos turistas que desembarcam no Aeroporto Internacional. É por ali que a Capital das araras começa a dar boas-vindas aos visitantes.

O local, cartão postal da cidade há mais de uma década, ainda atrai muita gente em busca de uma foto junto às três gigantes esculturas. Mas, vira e mexe, há quem consiga fazer um registro da ave verdadeira.

É que ali mesmo, como que atraídas pelas próprias "réplicas", elas costumam pousar em algumas árvores. E estão por toda a parte, do centro às áreas mais afastadas.

Edileide dos Santos, de 46 anos, é uma admiradora. Disse que conseguiu um emprego no bairro certo porque todos os dias têm a oportunidade de ver as aves passando perto da avenida Duque de Caxias.

“Acho lindo acordar de manhã com elas cantando”, disse a mulher, que trabalha como empregada doméstica há dois anos, em uma casa decorada com araras. “Às vezes passa quatro, cinco de uma vez”, contou.

A Praça das Araras, avalia a dona de casa, é um ponto importante para Campo Grande. “Eu nunca vi isso em outra cidade”, afirma.

Mas o privilégio não é só dos moradores do bairro Amambai. Próximo dali, na rua Brilhante, elas também costumam dar o ar da graça. No Parque das Nações Indígenas surgem, às vezes, em bando. A presença da ave em Campo Grande é tão comum que já causou até acidente.

Praça das Araras em Campo Grande. (Foto: Rodrigo Pazinato)Praça das Araras em Campo Grande. (Foto: Rodrigo Pazinato)
Para o militar Wilson Nascimento, arara representa o Estado. (Foto: Rodrigo Pazinato)Para o militar Wilson Nascimento, arara representa o Estado. (Foto: Rodrigo Pazinato)

Em março deste ano, o voo rasante de araras na avenida Gury Marques assustou um motorista, fez com que ele perdesse o controle do veículo e colidisse o carro contra duas guarirobas do canteiro central. Por sorte, sofreu ferimentos leves.

Dois meses depois, a revolta de uma mulher que viu uma arara canindé morrer no Parque Itanhangá Parque chamou a atenção, virou notícia e indignou muita gente. Entre os campo-grandense, a ave virou sinônimo de orgulho.

“Essa ararinha é nossa”, comenta a dona de casa Janete Sanches Paino, de 46 anos. A amiga, Nadija Vanesca, de 39 anos, mora em Brasília (DF), mas está visitando a cidade.

A Praça das Araras foi um dos primeiros locais que foi visitar ontem (9) à tarde. Em Brasília, que concentra os três poderes, "só tem ladrão", comenta a mulher, ao elogiar a beleza da Capital sul-mato-grossense e as araras, tão presentes no cotidiano da cidade.

O que diz a Biologia - Em Mato Grosso do Sul as espécies mais comuns são a arara azul grande, a vermelha e a Canindé, também conhecida como a “arara de barriga amarela”. Destas, apenas a azul está ameaçada de extinção desde 1987, apesar dos esforços para aumentar a população.

A arara vermelha e a canindé são comuns em Campo Grande. A estimativa é de existam ao menos 140 aves, das duas espécies, circulando pela cidade, segundo a bióloga Neiva Guedes, presidente do Instituto Arara Azul. O acompanhamento, explicou, é feito a partir do monitoramento dos animais, que leva em conta, principalmente, os ninhos encontrados.

Neiva, que também é professora do curso de pós-graduação do meio ambiente e desenvolvimento regional da Anhanguera-Uniderp -, explica que as aves, nativas da região, se estabeleceram na Capital em 2001. Ela diz desconhecer outra capital com tantas araras. Embora o número de 140 possa parecer pequeno, ela esclarece, que como são aves barulhentasm, parece que existem em maior número.

“Aqui elas encontraram comida, estão se reproduzindo e se estabeleceram na cidade”, disse, acrescentando que um dos motivos para a escolha da “casa” foi o fato de Campo Grande ter resquícios de árvores do cerrado, como o jatobá, palmeira e bocaiúva, de onde elas costumam retirar os frutos.

No perímetro urbano, entre as regiões mais frequentadas pelas araras destacam-se os bairros Vilas Boas, Jardim Mansur, Rita Vieira, Giocondo Orsi, Cidade Jardim e Parque dos Poderes.

Segundo a bióloga, só no ano passado o instituto monitorou 17 ninhos. A estimativa é de que 20 filhotes voaram. Os dados deste ano ainda não foram apresentados. O monitoramento deve começar ainda este mês.

As araras não são aves solitárias. (Foto: João Garrigó/Arquivo)As araras não são aves solitárias. (Foto: João Garrigó/Arquivo)

Do que elas gostam– As araras não são aves solitárias. Costumam dormir em bando, às vezes em pares, famílias ou grupos. Gostam de ficar penduradas em galhos, como folhas de palmeiras e, segundo a bióloga, acordam cedo, antes mesmo do sol clarear.

O tempo de reprodução das aves, segundo a bióloga, demora cerca de 26 dias. O filhote fica no ninho menos de 3 meses, uma média de 85 dias. “A população tem aumentado bastante”, completou a bióloga.

O Instituto Arara Azul estima que em Campo Grande exista mais de 100 araras Canindé e cerca de 40 araras vermelhas.

Morador de Amambai, o militar Wilson Nascimento, de 41 anos, acredita que a ave representa o Estado e monumentos como o do bairro Amambai é um incentivo a preservar a espécie, ameaçada de extinção. “Sensibiliza a gente”, disse.

Há pouco mais de um ano, Maria Antônia, de 9 anos, era moradora de Natal (RN). Quando chegou à Campo Grande se encantou com a ave “que nunca tinha visto de perto”. “Lá é muito difícil você ver um animal solto como você vê aqui”, disse.




Parabéns para todas as pessoas que lutam para que as Araras Azuis possam se procriarem e que o nosso Brasil possa ser o porto seguro delas. É um trabalho dignificante e de muita responsabilidade e que os nossos filhos, netos poderão admirar no futuro estas aves que não cairão em extinção.
 
Suely Maria A. Labes em 12/07/2012 01:57:39
NA AV SALGADO FILHO, LOGO ABAIXO DA AV DAS BANDEIRAS, EXISTE UMA PALMEIRA BABAÇU, ONDE VIVEM UM GRUPO COM APROXIMADAMENTE 15 AVES ANINHADAS EM SUA COPA. O PODER PÚBLICO DEVERIA PLANTAR DESSAS PALMEIRAS NO PARQUE DAS NAÇÕES INDÍGENAS, ONDE SERIAM MAIS PROTEGIDAS.
 
VALTER ANTUNES em 11/07/2012 12:56:36
a praca das araras precisa de reforma aquele gramado 'e horrivel...ponto turistico deveria ser + bonito
 
ygor bueno em 11/07/2012 12:04:00
Quem mora em Campo Grande há bastante tempo sabe que esses animais se tornaram mais visíveis nas últimas duas décadas. Para mim, é a prova mais contundente da diminuição do habitat natural das araras e de outros animais. É uma lástima que diversas outras espécies não tenham a mesma aptidão para fugir da degradação.
 
Marco Aurélio Gonzalez Chaves em 11/07/2012 10:53:51
Magnifíca reportagem!! Parabéns ao jornalista - Elverson Cardozo por nos presentear com essa maravilha da natureza. Obrigada também - Rodrigo Pazinato, pelas excelentes fotos e dos ótimos comentários de todos os internautas.
 
Joanne Pereira em 11/07/2012 10:08:27
Este e mais um dos privilegios de morar em Campo Grande. Moro no centro, Antonio Maria Coelho com Bahia e no cruzamento da Antonio com a Rio Grande do Sul tem um casal de araras chocando em um tronco de coqueiro. Entendo que deveriamos divulgar mais, fora do estado este nosso grande patrimonio.
 
jose roberto em 11/07/2012 08:56:42
Você squecera que na Salgado Filho com Fabio Zaram, tem a praça do preto velho, tem muitos pés de elcalipitos no Jardim Paulista com V. Carlota, la no entardecer a
festa é grande das arraras é um espetacula maravilhoso, moro bem enfrente. Ali tem lugar de sobra pra elas se divertir, nem os movimentos de carros que ficou um fluxiso grande com a nova av. atrapalham elas.
 
marli . P. Silva em 11/07/2012 08:51:41
Estou muito triste pois em frente o condominio onde moro na Rua Pestalozzi, Bairro Miguel Couto tem um terreno baldio. e nesse terreno tem uns coqueiros, onde essas lindas araras tem ninho, já chegamos contar até 8 araras no local. Agora vão construir no local, já começaram a limpar o terreno, vou achar muita falta de acorda cedo com as algazarra que ela aprontam é muito lindo pena que vai acaba
 
Arilda Riquelme em 11/07/2012 08:24:03
TALVEZ O QUE A MAIORIA NÃO VEJA É QUE ISSO É HORRÍVEL (VÊ-LAS PELA CIDADE) ISSO SIGNIFICA QUE O HABITAT DELAS ESTÁ ACABANDO POR CULPA EXCLUSIVA DO HOMEM!
 
DIESSIKA SOARES em 11/07/2012 07:46:27
Além das araras nas cidades, existe também as Antas mortas nas beira da br 262. Tudo isto é desequilibrio ambiental. Só existe Eucalipto para elas comerem, então elas saem para a estrada para pastar o capim andropogon que esta plantado nos acostamentos da br.
 
Antonio da silva menezes em 11/07/2012 06:21:14
Lindo cartão postal a Praça das Araras!!! Lá havia um POSTO DE SAÚDE!!!
 
Tasso Guerra Junior em 11/07/2012 04:56:24
Estas araras só estão nas cidades porque o seu habitat foi prejudicado. Está havendo um desequilibrio ambiental, pois no campo não há mais condições favoraveis para a sobrevivencia e não existe alimentos suficientes. Só existe brachiaria e a monocultura do Eucalipto e da Soja.
 
Antonio da silva menezes em 11/07/2012 04:53:46
parabens pela materia sou carioca e campo grandense de coração. fiquei sabendo ontem pelo prefeito pelo se facebook que campo grande é a cidade mais arborizada do brasil. que previlegio abraços mario
 
mario ribeiro marques filho em 11/07/2012 03:08:34
Elverson e demais leitores,
Hoje a equipe do Instituto Arara Azul, com a bióloga Larissa Barbosa Tinoco e Edson Lino Diniz Pereira, acadêmico de biologia da Anhanguera Uniderp, começaram o monitoramento dos ninhos em Campo Grande. Já encontraram 5 ovos nos ninhos. A população pode colaborar observando estes ninhos e repassando informação para o e.mail projetoararaazul@gmail.com.
 
Neiva Guedes em 11/07/2012 02:56:03
Elverson, Parabéns pela matéria!. As araras migrarem para a cidade por falta de comida e ninhos no campo. Porém, é fato que a nossa cidade tem resquício de cerrado e boa arborização, o que permitiu a permanência delas aqui..Campo Grande é uma cidade biodiversa. Para manter isso, é necessário a participação de todos: governo e cidadão. A conciliação entre desenvolvimento e conservação é possível.
 
Neiva Guedes em 11/07/2012 02:39:24
É lindo mesmo, beleza para nossos olhos! Mas será que as araras se sentem mais confortáveis na cidade barulhenta do que no antigo habitat, agora sendo desmatado? Por que estão aos montes na cidade, diferente de antes? Isso ninguém fala né! Isso é uma vergonha e nao algo para Campo Grande se orgulhar!
 
Viviane Benevides em 11/07/2012 01:55:36
Vi duas araras canindés hoje no São Francisco, são maravilhosas, é um privilégio enorme poder tê-las por perto!
 
Rose Alves em 10/07/2012 11:41:32
Temos que fazer projeto para garantir a permanência e a reprodução das araras visando o aumento das mesmas que tanto alegram nossa cidade. A Prefeitura podia bancar essa iniciativa de povoamento das araras...
 
eli pinheiro em 10/07/2012 10:23:05
moro em c.grande e essa cidade e muito linda mesmo,e cada dia melhor.
 
ademilso barbosa em 10/07/2012 09:00:35
É com misto de tristeza e alegria que vejo estas lindas aves em nossa cidade.
Elas estão em período de reprodução e lhes restaram poucas matas para procriarem.
Dessa desolação restou uma "ilha" de coqueiros que é a nossa cidade.
No fundo seu habitat natural foi consumido por nós, através da lavoura e pecuária extensiva.
O ideal para elas seriam suas matas e coqueiros no campo, longe do homem.
 
Elviria Santos Ferreira em 10/07/2012 08:18:55
Eu so campo-grandense de coraçao. Mas moro longe, so de outro pais, mas se fala que a patria fica onde esta o coraçao.
 
Eduardo Postigo em 10/07/2012 05:57:46
São muito lindas essas aves, hoje mesmo vi uma delas bem perto do centro da cidade. Esta manhã também vi uma dezena de tucanos, que também são aves incríveis. É realmente um grande previlégio para os campograndenses.
 
André Nicolau em 10/07/2012 05:20:06
Sou campograndense por opção. Amo essa cidade e suas belezas!
 
Erica Cunha em 10/07/2012 05:13:56
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions