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Campo Grande, Sexta-feira, 02 de Dezembro de 2016

10/02/2016 08:49

Em mercado que levanta R$ 6 milhões ao mês, latinha é reciclada em 27 dias

Caroline Maldonado
Lojistas separam lixo e shopping Bosque dos Ipês envia para reciclagem 25 toneladas de recicláveis por mês (Foto: Marcos Ermínio)Lojistas separam lixo e shopping Bosque dos Ipês envia para reciclagem 25 toneladas de recicláveis por mês (Foto: Marcos Ermínio)

Parece um “trabalho de formiguinha” o que é feito por centenas de pessoas todos os dias para que o alumínio de uma latinha de refrigerante, que foi jogada no lixo, volte para circulação em 27 dias. Esse e outros recicláveis, como papelão, plástico e vidro, movimentam ao menos R$ 6 milhões por mês, somente em Mato Grosso do Sul. São mais de 5 mil toneladas de material jogado em qualquer lixeira por aí, que passa na mão de muita gente até ficar pronto para ser reutilizado.

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Na verdade, boa parte desse volume não vem de uma lixeira qualquer. Grandes empresas, como lojas e shoppings, que recebem centenas de pessoas diariamente, investem em esquemas para coletar o que não se pode mais chamar de lixo, embora vá, antes de tudo, para as lixeiras. Elas ganham cor e até formato diferente para chamar a atenção de quem está prestes a jogar qualquer coisa fora e facilitar o trabalho de quem recolhe. 

Caiu ali naquele saquinho colorido da lixeira, o produto entra na corrente do que a coordenadora de Manutenção do Shopping Bosque dos Ipês, Eliane Muniz Soares, chama de “trabalho de formiguinha”. Com o vai e vem de gente pelos corredores, nas lojas e na praça de alimentação, a empresa envia para a reciclagem 25 toneladas de material por mês, incluindo papel, plástico, alumínio e isopor.

“Nós usamos até sacos coloridos dentro de cada compartimento da lixeira para que a pessoa possa identificar com mais facilidade qual é de cada material. Depois de reunido, isso vai separado para gaiolas de cinco docas que há no shopping e, sem seguida, para um contêiner e em nenhum momento pode ter contato e ser contaminado pelo lixo orgânico”, comenta a coordenadora. Ela conta que no começo foi difícil fazer com que os lojistas criassem o hábito de separar o lixo.

Os comerciantes levam os pacotes até essas docas que estão espalhadas pelo shopping, onde o cliente não tem acesso. “Nós promovemos também visitas de escolas para mostrar tudo que fazemos pela sustentabilidade e elas ficam impressionadas com o tanto de detalhes que não haviam percebido até então”, detalha Eliane.

Coordenadora de Manutenção do shopping Bosque dos Ipês, Eliane Muniz Soares explica como lixo é selecionado (Foto: Marcos Ermínio)Coordenadora de Manutenção do shopping Bosque dos Ipês, Eliane Muniz Soares explica como lixo é selecionado (Foto: Marcos Ermínio)
Reciclagem movimenta R$ 6 milhões por mês em MS, segundo gerente comercial da Repram, Felipe Pohlman (Foto: Fernando Antunes)Reciclagem movimenta R$ 6 milhões por mês em MS, segundo gerente comercial da Repram, Felipe Pohlman (Foto: Fernando Antunes)

Três vezes por semana, o contêiner sai do shopping, cruza a cidade e chega a uma empresa instalada na região sul, que recebe caminhões de material diariamente. Ali, os produtos são processados ou prensados e boa parte segue para São Paulo. “As latinhas vão em fardos para ser derretidas em outro Estado e em 27 dias ou, no máximo, 30 dias, esse alumínio está de volta no mercado como embalagem”, comenta o gerente comercial da Repram, Felipe Pohlman.

O gerente explica que passam pelo local cerca de 2,5 mil toneladas de papelão e a mesma quantidade de latinha, totalizando mais de 5 mil toneladas, por mês. “O plástico é processado aqui mesmo. Nós fabricamos o granulado que vai para a indústria para voltar ao seu estado original, seja plástico mole ou de engradados”.

Plástico é derretido, vira granulado e vai para SP, onde é transformado em sacolas novamente (Foto: Caroline Maldonado)Plástico é derretido, vira granulado e vai para SP, onde é transformado em sacolas novamente (Foto: Caroline Maldonado)
Em MS, empresa coleta 5 mil toneladas de material reciclável por mês (Foto: Caroline Maldonado)Em MS, empresa coleta 5 mil toneladas de material reciclável por mês (Foto: Caroline Maldonado)

Segundo Felipe, 30% desses granulados ficam aqui em Campo Grande com empresas que fazem a transformação e o restante segue para Estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. “As empresas que entram nesse circuito geram renda e é um compromisso com o meio ambiente”, comenta Felipe. A Repram atende ainda outros shoppings da cidade, atacados e supermercados.

Além disso, a empresa recebe materiais de pequenos empresários que compram para revenda. Há três anos trabalhando com coleta, Ramão Ramos, 54 anos, revende para a Repam cerca de 200 quilos, por semana. Ele passa com o caminhão anunciando a compra nos municípios de Corguinho, Rio Negro, Rochedo e Rio Verde. 

Pelo quilo da latinha, ele paga R$ 2. O cobre custa R$ 10 e o inox sai por R$ 2. "É um serviço difícil, porque dá trabalho, tem dias que você toma chuva, come mal, porque está sempre em viagem", comenta Ramão, que deixou de trabalhar como mecânico e investiu na coleta. Juntos, a esposa e ele, levantam em torno de R$ 6 mil, por mês. 

Ramão revende cerca de 200 quilos de material reciclável, por semana (Foto: Caroline Maldonado)Ramão revende cerca de 200 quilos de material reciclável, por semana (Foto: Caroline Maldonado)
Lixeira tem pacotes coloridos para facilitar seleção (Foto: Marcos Ermínio)Lixeira tem pacotes coloridos para facilitar seleção (Foto: Marcos Ermínio)

Em restaurantes e bares, o esquema é o mesmo, mas o material que mais preocupa, em função dos danos que pode causar ao meio ambiente, é o óleo de cozinha. Licenciada para coletar óleo em Campo Grande, a empresa Katu Oil recolheu 21 mil litros de 300 restaurantes, somente em janeiro deste ano. 

“Temos dois carros circulando todos os dias. Com relação as residências é um trabalho mais difícil, porque depende da conscientização, pois é uma questão cultural”, disse o sócio-proprietário Caio Arakaki Gasparinni. Ele tem parceria com um condomínio a cidade, mas a quantidade coletada é muito pequena.

“No Flamingos, a cada 6 meses nós recolhemos 50 litros de óleo, mas queremos fazer parcerias com outros residenciais, pois tem muito óleo que é destinado de forma que prejudica o meio ambiente. Sabemos que cada família gasta em média 5 litros de óleo, por mês”.

O empresário lembra que o óleo jogado na pia ou no quintal é extremamente prejudicial. O óleo entope encanamentos e quem despeja na terra está afetando o solo e os lençóis freáticos.

Uma das maiores reservas de águas subterrâneas do mundo é o Aquífero Guarani, que está sob o território de Mato Grosso do Sul. Ele ocupa o subsolo do nordeste da Argentina, centro-sudoeste do Brasil, noroeste do Uruguai e sudeste do Paraguai. Além disso, segundo Caio, um litro de óleo descartado no esgoto pode contaminar cerca de um milhão de litros de água, o que é consumido por uma pessoa por 14 anos.

Pontos de Coleta - A Repram compra sucata, sendo no mínimo 100 quilos por produto já prensado. A empresa fica na Rua Francisco Galvao Paim, 1709, Bairro Cristo Redentor.

O coletor de recicláveis que passa com caminhão no interior do Estado também tem ponto de coleta em Campo Grande. O endereço é Rua Iporã, 164, Bairro Taquarussu. 

A Katu Oil compra óleo de cozinha por litro, na sede da empresa, na Rua Rio de Janeiro, 1675, Bairro Monte Castelo. A coleta ocorre também em diversos locais da cidade. Confira os pontos de coleta no site www.katuoil.com.br/coleta.




Meu comentário, na verdade é uma dúvida. Gostaria de saber o que é feito dos vidros, garrafas similares.
 
Hugo Paes de Barros em 10/02/2016 14:58:49
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