A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

20/02/2014 16:43

Na região mais cara da cidade, boom imobiliário causa danos ambientais

Zana Zaidan

As pistas de caminhada do Parque da Nações Indígenas, a ciclovia da avenida Afonso Pena e a diversidade da fauna e da flora. O combo "qualidade de vida" é o principal apelo comercial das construtoras para vender imóveis na região, a mais valorizada de Campo Grande, onde um apartamento de alto padrão pode chegar a custar R$ 2 milhões. 

O boom imobiliário da região, que teve início com a Plaenge, incentivou investimentos de outras construtoras, como a paulista Helbor e a Construbase. Hoje, pelo menos 300 famílias moram em apartamentos de alto padrão no entorno do Parque das Nações, e pelo menos outros 250 estão em fase de obras.

Veja Mais
Área vira "queridinha" de construtoras e apartamento já custa R$ 2 milhões
Em 7 dias, choveu 56% do esperado para o mês em município do interior

Urbanizada há 15 anos, região dos altos da Afonso Pena vai receber 250 novos apartamentos; enchentes são consequências da ocupação sem planejamento (Foto: Arquivo)"Urbanizada" há 15 anos, região dos altos da Afonso Pena vai receber 250 novos apartamentos; enchentes são consequências da ocupação sem planejamento (Foto: Arquivo)

Em 2010 - ano da entrega da última das quatro torres do condomínio Jardins do Jatobá, em frente ao Shopping Campo Grande - um temporal destruiu a Praça das Águas, vizinha do empreendimento. As avenidas Afonso Pena, Ricardo Brandão e a rua Ceará também foram tomadas pela água, e uma cratera literalmente engoliu o asfalto de três quadras da região.

O fato de a conclusão da obra coincidir com a enchente de grandes proporções não é coincidência. Na época, um estudo apontou que a Plaenge, até então soberana no mercado, já havia ocupado uma área que representaria 1% de toda a Bacia do Prosa; quatro anos depois, a ocupação fugiu ao controle e já não se sabe qual o impacto da urbanização no entorno do Parque.

Região complexa - Apesar de nos últimos anos a cidade estar lotada de novos empreendimentos, a região do Prosa é a mais complexa em termos de subsolo, o que exige projetos de drenagem diferenciado das demais, explica o arquiteto urbanista Ângelo Arruda. No entanto, acrescenta ele, a legislação municipal não trata das particularidades da área.

Região do Prosa engloba 40 mil hectares, como a Ricardo Brandão, e exige projeto de drenagem diferenciado para não alagar (Foto: Arquivo)Região do Prosa engloba 40 mil hectares, como a Ricardo Brandão, e exige projeto de drenagem diferenciado para não alagar (Foto: Arquivo)

"Desde o bairro Mata do Jacinto até o Jardim Noroeste, são 40 mil hectares de subsolo com uma capacidade de absorção muito ruim. Qualquer obra a ser implantada ali tem que ter um projeto de drenagem muito eficiente. Mesmo sabendo disso, o poder público não criou mecanismos técnicos para que o empreendedor dê esse tratamento especial", afirma Arruda.

A ocupação do entorno começou há cerca de 15 anos, com o prolongamento da Afonso Pena, e mesmo tendo se intensificado recentemente, não há monitoramento ou elaboração de cartas de drenagem, ou outros documentos técnicos. "O assunto volta à tona só quando tem enchente e fica aquela correia. O certo seria ter um planejamento antes de autorizar qualquer obra. Mas, como não isso não aconteceu, que o poder público corra atrás do prejuízo agora, porque a tendência é piorar nos próximos anos: que façam um trabalho de reconhecimento com imagens de satélite, obtenham os impactos e notifiquem as empresas, com prazos para que cumpram os projetos de recuperação", sugere.

Poluição - Junto com o problema das enchentes, a urbanização no entorno do Parque tem outros desdobramentos: o assoreamento do córrego Prosa. Diretor da Ecoa (instituição campo-grandense voltada para ações ambientais), Alcides Faria explica que a impermeabilização excessiva do solo leva à poluição das águas. "Quando chove, ao invés de a água penetrar no solo, ela vai escoar, se concentrar, e levar os poluentes das ruas e sedimentos para córrego", aponta.

O biólogo cita, ainda, que o aumento da frota de veículos que passa a circular pela região é outra fonte de poluição. "Não é considerado pela sociedade, mas, a longo prazo, vai enterrando a preservação dos recursos naturais do parque. Não é proibido construir, mas que a lei estabeleça contrapartidas para as construtoras, que têm condições de estabelecer projetos de compensação ambiental, como o plantio de árvores", pondera Faria.

Além da ocupação do solo, circulação de carros também contribuem para poluição em torno do Parque (Foto: Arquivo)Além da ocupação do solo, circulação de carros também contribuem para poluição em torno do Parque (Foto: Arquivo)



Gente, é conversa essa história de destruição. Aqui até os dinossauros são preservados, como é possível ver na foto.
 
Carlos Augusto em 21/02/2014 17:35:25
Eu acho que discutir isso é muito importante pra cidade, mas é óbvio que a área de um prédio com seus apartamentos tem menor impacto que um condomínio de casas, como bem falou o Roberto dos Santos.
Mas tem muita gente que fala bobagem pra se promover por interesse político.
Duvido que se o Angelo Arruda não quisesse ser político estaria buscando tanto aparecer na mídia.
Bom, desse jeito a campanha dele já tá começando, só não entendi se o Campo Grande News tá apoiando ou apenas mordeu a isca dele.
 
Luiz Carlos Macedo em 21/02/2014 17:33:54
daqui a pouco não vai mais existir o pq.das nações Indigenas, pois vai ser só residencias por todos os lados.....vai ser um "Central Park" igual ao de N.York, concordo plenamente....
que coisa triste, vai acabando com tudo que verde naquela região...
 
antonieta oliveira em 21/02/2014 12:02:54
Muito fácil colocar culpa nas construtoras, que geram empregos, aumentam a arrecadação de impostos (principalmente IPTU) e proporcionam desenvolvimento para a cidade. Tem é que cobrar o poder público, que não têm competência para resolver o problema de drenagem da cidade, ficam só colocando "pedrinhas" nos córregos para depois esperar vir outra chuva forte e acabar com tudo, e novamente ganhar mais dinheiro reparando com o mesmo material, ao invés de investir o dinheiro de uma vez só para aumentar a capacidade de escoamento e canalizando o córrego Prosa com concreto (como foi feito há algumas anos em parte da Fernando Correa da Costa).
 
Anderson Moreira em 21/02/2014 11:45:55
Todos falam sem conhecimento de causa. As construtoras fazem tudo o que está na lei e para quem não sabe a construção de um prédio causa menor impacto ambiental comparado à construção de casas. Um prédio proporciona 50 moradias em uma área que caberiam 4 casas, imaginem uma área ocupada por 50 casas, qto sobraria de impermeabilização. Outro detalhe é que a legislação exige que a construtora construa uma área de retenção de água de chuva, que absorve quantidade enorme de água e depois vai devolvendo aos poucos à natureza. Este tanque fica no subsolo. Isto ninguém vê e falam as coisas sem saber. Ângelo Arruda, vai estudar e para de conversa fiada.
 
Roberto dos Santos em 21/02/2014 11:28:22
Pois é, há algum tempo foi noticiado em toda a imprensa de Campo Grande, que estava proibida a construção de novos prédios na região do Parque dos Poderes e Parque das Nações Indígenas, tendo em vista os problemas mencionados na presente reportagem; entretanto a PLAENGE acaba de lançar a construção de um novo prédio na Rua Antonio Maria Coelho em frente ao Parque das Nações, ao lado daquelas duas torres de 25 andares, que quase adentram o referido parque...Cadê as autoridades ambientais? Não vão tomar providencias? A Plaenge vai mesmo erguer uma nova e gigante torre naquele local?
 
Leonardo Martins em 21/02/2014 10:36:26
ahahahhahhahah!!!! ainda bem que os cidadãos campograndenses tem senso de humor, só rindo mesmo!!!!!
 
Mara Lucia Barrros em 21/02/2014 09:48:14
Futuramente o Parque das Nações Indígenas vai ser um "Central Park" igual ao de N.York.
O que tem que mudar é a organização de como será feito isso!
 
Paulenir de Barros em 21/02/2014 09:47:50
Finalmente botaram o dedo na ferida. Mas nada será feito.
 
Leonardo Reis em 21/02/2014 07:57:35
Realmente o solo não absorve água por isso há 15 anos não se podia construir prédio nessa região e depois o plano diretor foi mudado pela prefeitura e permitiu tamanha ocupação e todos esses estrago ambiental. Quem tem uma casa ali agora tem que conviver com um prédio ao lado. Tudo isso há 15 anos atrás, quem foi o prefeito nessa época?
 
Rodiney Silva em 20/02/2014 23:39:34
Cumprir o Plano Diretor ninguém quer.
 
Marcio Silva em 20/02/2014 23:38:16
Pois é, a pessoa paga quase 2 milhões em um imóvel para morar na dita região nobre da cidade. Ai domingo, na hora de voltar para casa, ou de receber visitas, é obrigada a aguentar aquela baixaria que virou a afonso pena, com música alta, bebidas, drogas, baderneiros, povo sem educação, congestionamento, motos acelerando, prostituição na porta de casa, e não pode aproveitar o parque, ciclovia, nada disso. Ou seja, desvaloriza e muito o investimento que fizeram.
 
rafael santos em 20/02/2014 22:34:25
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk chooorei Daniel Alves!! Porém, concordo plenamente com você! ;)
 
Fernanda Ianczyk em 20/02/2014 22:33:38
É uma pena a ocupação desordenada de uma região tão bonita, isso é incompetência do poder público e ganância das construtoras...campo grande não merece ser maltratada assim!
 
fernando benedito leite peralta em 20/02/2014 21:33:54
Em campo grande os carros são como as lanchas as camionetes são como os iates e as motos como os jet-skis bem vindo a capital que não pode ver uma chuva que as ruas viram rios.
 
Eduardo Lemos em 20/02/2014 20:57:24
Campo Grande toda está em cima de um grande aquífero, prova disso é a quantidade de lagoas,rios e córregos encontrados aqui.Tanto pobres quanto ricos vão amargar a destruição da natureza.As consequências já se apresentam a cada chuva.Com isso só quem perde é o campo grandense, já que as construtoras levam rios de dinheiro.Não tinha outra foto?Assim todos perdem o foco.
 
Marcia França em 20/02/2014 20:18:25
Basta ser biólogo.
 
maria rodrigues em 20/02/2014 19:23:07
Maria Helena, é um dinossauro. Em meados de Outubro de 2012 houve em Campo Grande uma exposição sobre dinossauros. Me lembro de ter encontrado uma fantasia animatrônica de um velociraptor na Praça do Rádio Clube, promovendo o evento. Até filmei um pouco com o celular e coloquei no YouTube (https://www.youtube.com/watch?v=UCQNtyURGPk). A menos que estejam preparando outra exposição agora e esta foto tenha sido tirada recentemente, ela deve ser uma foto daquela época.
 
Michael F. de Godoy em 20/02/2014 18:12:24
Maria Helena Streicher Vieira: Não está vendo que é um dinossauro, o filme jurassic park 5 esta sendo gravado aqui.
 
DANIEL ALVES em 20/02/2014 17:57:22
O impacto ambiental está tão grande na região que até os dinossauros estão mudando de habitat.
 
Ronaldo Castor em 20/02/2014 17:53:10
Gente, o que é aquilo no caminhão?
 
Maria Helena Streicher Vieira em 20/02/2014 17:22:27
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions