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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

07/05/2015 15:16

Número de morcegos recolhidos no Estado cresceu 66% em 2015

Viviane Oliveira
Morcego foi fotografado em um pé de buriti, no Bairro Los Angeles, região Sul da cidade. (Foto: Marcelo Calazans) Morcego foi fotografado em um pé de buriti, no Bairro Los Angeles, região Sul da cidade. (Foto: Marcelo Calazans)

O número de morcegos capturados no Estado aumentou desde o início desse ano. Em 2014, foram recolhidos 319 morcegos, enquanto este ano já são 159 animais da espécie contabilizados pela Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal). A média, que era de 26 morcegos por mês, subiu para 39, o que representa aumento de 66%. Até agora, cinco bichos encontrados no Centro de Campo Grande foram detectados com o vírus da raiva.

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O coordenador do programa de controle de raiva dos herbívoros da Iagro, Fábio Shiroma de Araújo, explica que a maioria dos morcegos insetívoros, que se alimentam de insetos e frugívoros, de frutas foram localizados em área urbana. A espécie que sobrevive só de sangue, chamada de hematófagos ou vampiros, foram encontrados até agora, em área rural.

No entanto todos os morcegos, independente da espécie, podem transmitir a raiva pelo contato, caso estejam contaminados. Eles não devem ser manuseados por ninguém, mesmo estando mortos. Cachorros e gatos têm que ser mantidos longe desses bichos. A raiva é uma doença viral, que pode levar à morte e é transmitida a partir da saliva de animais infectados.

De acordo com Fábio, os casos de raiva são mais preocupantes em área urbana, porque os principais transmissores são os cães, gatos e morcegos que estão em contato direto com o homem. “Se tiver o contato com algum animal suspeito, a pessoa deve procurar imediatamente uma unidade de saúde”, diz.

A responsável pelo CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) em Campo Grande, Júlia Cristina Maksoud, diz que o órgão deve ser acionado toda vez que um morcego for encontrado caído no chão. Todo morcego encontrado de dia pode estar doente ou desorientado e a possibilidade de estar contaminado pelo vírus da raiva é grande.

“Há uma confusão com os casos de raiva notificados em Corumbá. Lá, os vírus são transmitidos pelo cão, que anda e tem contato com o homem. Os morcegos voam e enquanto tiverem na natureza é comum a presença deles, principalmente à noite, em locais onde há frutos e insetos”, pontua. Júlia acrescenta ainda que na primavera é mais comum encontrar morcegos, por ser período de reprodução.

Pânico - O caso de um homem de 38 anos, que está internado no Hospital Universitário, em Campo Grande, com confirmação de raiva humana trouxe pânico para a população. O paciente foi mordido por um cão na cidade de Corumbá. Há mais de 20 anos, desde 1994, Mato Grosso do Sul não registra caso de raiva humana. No entanto Corumbá e Ladário vive surto de raiva animal. O Caso mais próximo foi registrado na Bolívia, em 2009.

Na última segunda-feira, familiares de pacientes se assustaram com um fato inusitado na enfermaria do Hospital Regional de Campo Grande. Havia morcego no lençol em um dos leitos da unidade. A secretária de Saúde do Estado informou que o local e os pacientes estão sendo monitorados pela Comissão de Controle de Infecções Hospitalares. Ainda conforme o órgão, a secretaria solicitou soros antirrábico para caso seja necessário.

Casos de raiva em animais - De janeiro até abril deste ano, 27 cães foram detectados com o vírus da raiva, 21 casos em Corumbá e seis em Ladário. No total, 232 animais, entre cães e gatos, passaram pelo exame.

Em área rural, foram detectados o vírus da raiva em três bovinos, um em Pedro Gomes e dois em Corumbá. “Existem dois ciclos da doença na região, o rural e o urbano. O rural tem como vetor o morcego que se alimenta de sangue e contamina os animais que vivem no campo.

Já o urbano é transmitido na maioria entre cães, mas há também a transmissão por morcegos que se alimentam de frutas e insetos”, explica Fábio. As cidades de Corumbá, Coxim, Ladário, Pedro Gomes e Rio Verde de Mato Grosso são consideras área de risco do vírus da raiva no Estado.




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