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Campo Grande, Domingo, 11 de Dezembro de 2016

18/05/2016 19:16

Pesquisadores alertam para cuidados com cabeceiras de rios do Pantanal

Renata Volpe Haddad
Audiência pública reuniu pesquisadores que falaram sobre a degradação nas cabaceiras do Pantanal. (Foto: Fernando Antunes)Audiência pública reuniu pesquisadores que falaram sobre a degradação nas cabaceiras do Pantanal. (Foto: Fernando Antunes)

A degradação nas cabeceiras dos rios com o avanço de agricultura e pecuária tem causado sedimentação em rios que irrigam o Pantanal sul-mato-grossense, que é o Miranda, Taquari e Aquidauana. Com o acúmulo de areia, o rio sobe e acaba inundando várias regiões, até mesmo na seca.

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Durante a audiência pública realizada nesta quarta-feira (18) na Assembleia Legislativa, foi debatido o tema Salve a Cabeceira do Pantanal. Um dos palestrantes, o fundador e presidente do Instituto Homem Pantaneiro, Coronel Ângelo Rabelo, afirmou que há um grau de comprometimento sério em todas as nascentes dos rios que irrigam o Pantanal.

"Precisamos chamar a atenção da sociedade através das entidades para que protejam as nascentes. Se o planalto continuar sendo degradado desta maneira, isso pode não só causar risco para falta de água mas também acabar com o universo de espécies que moram no Pantanal".

Segundo o professor universitário da UFMS (Universidade Federal de MS) do campus do Pantanal, Aguinaldo Silva, há mais de 30 anos se percebe a degradação nas nascentes que tem causado a sedimentação do rio Taquari. "Eu faço um questionamento: há tanto tempo isso vem acontecendo e por que até agora nada foi feito? Nossa maior preocupação tem que ser as cabeceiras, pois quem paga pelos impactos são as regiões mais baixas, no caso o Pantanal sul-mato-grossense, onde há fazenda que já se tornaram improdutivas".

Para o professor, a solução é integrar Mato Grosso com Mato Grosso do Sul e estudar como funciona o sistema do planalto. "Ações precisam ser desenvolvidas no planalto para que aos poucos seja reduzida a produção de sedimento nos rios e quando isso ocorre, se tem mais água e menos sedimento o rio tende a buscar um novo ajuste e volta a sua normalidade", explica.

Conforme o diretor executivo do SOS Pantanal agrônomo e professor universitário, Felipe Augusto Dias, o grande problema no Pantanal está principalmente nas bordas. "No planalto vemos que as atividades econômicas estão bem consolidadas e agora com isso, a tendência é que a agricultura comece a ir para dentro do Pantanal, ou seja, o que acontecia em regiões mais altas, agora está bem próxima do Pantanal", alega.

Quando se instala uma atividade econômica em uma área rural, como a agricultura, por exemplo, muda-se o cenário e ao modificá-la isso implica na alteração climática. "Além disso, temos o avanço da agricultura nas áreas do Pantanal e os produtores usam agrotóxico e isso causa a morte dos peixes, algo comprovado", afirma.

Ações – A PMA (Polícia Militar Ambiental) tem intensificado ações no dia a dia com trabalhos preventivos e repressivos. Conforme o tenente coronel Jeferson Villa Maior, é possível perceber que há falta de informação e acompanhamento técnico na questão das APPs (Áreas de Preservação Permanente). "Essas áreas não são inclui apenas mata ciliar, tem também os mananciais, morros, entre outros. Como intensificamos as ações, nos cinco meses deste ano já existem 40 ocorrências de agressões às APPs", relata.

De acordo com o superintende do IBAMA (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente), Márcio Yule, o instituto tem atuado na fiscalização no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. "Em 2012 foi instituído um grupo de trabalho que reúne periodicamente quais são as ações da equipe, além de fiscalização na nascente do rio Taquari até o rio Coxim".




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