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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

29/04/2014 14:07

Sem água encanada, comunidade decide construir sistema de abastecimento

Luciana Brazil
Moradores, reunidos no MPF, querem arcar com todos os custos da obra. Moradores, reunidos no MPF, querem arcar com todos os custos da obra.

O abastecimento irregular e a péssima qualidade da água oferecida pelos carros-pipa fizeram a comunidade tradicional de Antonio Maria Coelho, em Corumbá, a 419 quilômetros de Campo Grande, decidir pela construção de um sistema de abastecimento de água para as famílias do local.

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Os moradores afirmam que a obra será feita por conta própria. A decisão da comunidade foi anunciada em reunião no Ministério Público Federal no município.

A comunidade denuncia que, além da ausência de abastecimento regular, a água servida pelos carros-pipa, contratados pela empresa Vale- que explora minério na região-, é armazenada em reservatórios inadequados.

De acordo com relatos, com o início da exploração de minérios, alguns córregos na Morraria do Urucum já secaram, a vazão de outros foi reduzida e a qualidade da água está prejudicada.

Moradores dizem que a falta de canalização da água faz com que médicos e enfermeiros sejam obrigados a trazer garrafas de água de suas casas para atender a população no posto de saúde local.

A comunidade pretende arcar com todos os custos da obra, sem ajuda financeira das mineradoras. Apesar das dificuldades, todos reconheceram a importância da mineração para a geração de emprego e renda, mas deixaram clara a insatisfação com ausência de políticas públicas.

Para dar início ao projeto ainda é necessária a autorização de alguns proprietários de imóveis da região, já que o encanamento passa por propriedades particulares.

Os representantes da comunidade terão apoio do Ministério Público Federal, Embrapa-Pantanal, Fundação do Meio Ambiente e Secretaria Municipal de Obras.

Belo Monte do Pantanal - O Maciço do Urucum, localizado em Corumbá, possui a maior reserva do país de manganês e a terceira maior reserva de ferro. A exploração de minério é realizada por grandes empresas como Vale, Vétria e Urucum Mineração. A Vétria pretende ampliar suas instalações, com investimento de R$ 11,5 bilhões, para produzir 27,5 milhões de toneladas de ferro por ano.

O empreendimento envolve uma jazida de ferro em Corumbá (MS), ferrovia da ALL e um terminal portuário em Santos. Já a Vale quer expandir suas atividades em 138,6% - o que aumentaria a retirada de minério de ferro de 4,4 milhões de toneladas por ano para 10,5 milhões. Os projetos estão na fase de licenciamento ambiental.

A Vétria anunciou que vai destinar 0,4% do investimento total (de R$ 11,5 bilhões) para compensações ambientais. Na usina de Belo Monte (PA), 13% do investimento total (de R$ 30 bilhões) foram aplicados em condicionantes ambientais.

Fiscalização- Para o MPF, é necessário que o novo licenciamento ambiental preveja compensações que minimizem não só os danos ao meio ambiente, mas também aqueles sofridos pela comunidade. Conforme o órgão, o objetivo é proporcionar aos moradores que vivem perto das usinas melhor qualidade de vida.




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