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Campo Grande, Domingo, 11 de Dezembro de 2016

21/10/2016 18:45

“Não tem como saber”, diz empresário sobre origem suspeita de dinheiro

Christiane Reis
À esquerda Giovane, em registro antigo, ao lado do atual vereador Alex do PT e deputado Federal, Vander Loubet. (Foto: Reprodução)À esquerda Giovane, em registro antigo, ao lado do atual vereador Alex do PT e deputado Federal, Vander Loubet. (Foto: Reprodução)

O empresário Giovane Favieri, um dos antigos donos da produtora VBC e que virou réu na Operação Lava Jato, diz que a empresa “fez a campanha e recebeu por ela”. A acusação é de que ele e Armando Peralta tenham recebido parte dos R$ 12 milhões emprestados a José Carlos Bumlai, que teria sido usado como 'laranja' do PT (Partido dos Trabalhadores) para pagar dívidas de campanhas eleitorais do partido.

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Ainda segundo Favieri, não há como, na condição de prestador de serviço, saber se o dinheiro usado para pagar pelo trabalho realizado foi obtido de forma fraudulenta.

“Não há como saber, ninguém é adivinho”, disse. Ele acredita que por conta deste cenário houve a suspensão da ação por 45 dias, o que no entendimento dele ocorreu para que o dolo seja provado. O empresário Armando Peralta não foi localizado até a conclusão deste texto.

O caso – O juiz federal de Curitiba (PR) Sérgio Moro recebeu na quinta-feira (20) a denúncia do MPF (Ministério Público Federal) contra Favieri e Peralta. Além deles, o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares de Castro, o ex-prefeito de Campinas (SP), Helio de Oliveira Santos, o dono do frigorífico Bertin, Natalino Bertin, e o ex-presidente do Banco Schahin, Sandro Tordin, viraram réus nesta ação, uma das que deriva do que apurou a Lava Jato.

Na denúncia contra os empresários do Estado consta que R$ 3,9 milhões foram transferidos, entre 21 de outubro de 2004 e 5 de novembro de 2004, para as empresas NDEC – Núcleo de Desenvolvimento de Comunicação e Omny Par Empreendimentos e Consultoria Ltda., que pertencem a Favieri e Peralta.

Os recursos seriam destinados à campanha eleitoral de Helio de Oliveira Santos para a Prefeitura de Campinas, naquele ano.

Sérgio Moro aceitou a denúncia, embora tenha evidenciado que não é possível neste momento fazer a análise do dolo (intenção) na lavagem do dinheiro. “No que se refere à justa causa para a denúncia, entendo que a prova documental apresentada quanto ao destino de parte do empréstimo fraudulento, é suficiente para justificar, nessa fase, o recebimento da denúncia”.

A ação está suspensa por 45 dias ou até que outro processo derivado da Lava Jato seja julgado, também por determinação do juiz Sérgio Moro.

O dinheiro é parte do montante de R$ 12 milhões do empréstimo dado pelo Grupo Schahin para Bumlai. O pagamento da dívida foi realizado, ainda conforme apurou o MPF, sob a forma de contratos fraudulentos com a Petrobras – o grupo recebeu US$ 1,6 bilhão para operar o navio sonda Vitória 10.000 posteriormente.

O montante total foi transferido para o frigorífico Bertin, na tentativa de despistar qualquer investigação e foi das contas da empresa, também com sede em Mato Grosso do Sul, que saiu o pagamento para Favieri e Peralta, além de R$ 500 mil para a Omny Par Empreendimentos Consultoria e Participações, credora da dupla.




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