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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

01/11/2016 13:19

Orro diz não saber detalhes sobre dono de celular que gravou dica de fraude

Deputado foi flagrado em conversa com colega, que sugere fraude em ponto de frequência

Mayara Bueno e Leonardo Rocha
À esquerda, Junior Mochi (PMDB), presidente da Assembleia, com o deputado Felipe Orro (PSDB). (Foto: Roberto Higa e Victor Chileno/ALMS)À esquerda, Junior Mochi (PMDB), presidente da Assembleia, com o deputado Felipe Orro (PSDB). (Foto: Roberto Higa e Victor Chileno/ALMS)

Flagrado em gravação sobre fraude em ponto eletrônico, o deputado estadual Felipe Orro (PSDB) disse desconhecer a pessoa, identificado por ele como "pastor Jairo",  que emprestou o celular usado para o telefonema com seu colega Paulo Corrêa. 

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Orro disse que "nem havia entendido o motivo da conversa", mas a gravação deixa claro que o tempo todo os dois só falaram sobre a fraude. 

No diálogo, Paulo Corrêa sugere como fraudar o ponto de servidores do deputado na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. A conversa teria ocorrido há um ano e meio, mas só veio à tona semana passada.

Como havia dito no sábado (30), Orro repetiu que estava no aniversário da cidade de Maracaju, em 2015, quando recebeu a informação de que Paulo Corrêa queria falar com ele “urgentemente”. Como estava sem celular, pedido o aparelho de uma pessoa, que ele identifica apenas como “pastor Jairo”.

O paradeiro e mais informações do tal pastor o deputado diz desconhecer. Afirmou apenas que recebeu a notícia, depois do episódio, de que ele teria a intenção de vender a gravação em troca do silêncio. Inclusive, teria ido à Assembleia Legislativa com este objetivo, mas não quis recebê-lo, afirma o deputado.

“Eu nem entendi o motivo da conversa (com Paulo Corrêa), a princípio, até porque eu faço o controle dos servidores daqui e do interior”. Segundo o parlamentar, o número de servidores não extrapola a cota disponível para gastar com pessoal.

Orro não quis informar quantas pessoas mantém em seu gabinete. Disse somente que está dentro da legalidade, mas garante que informará aos órgãos de controle, caso eles requisitem.

A gravação - Paulo Corrêa abre a conversa pedindo que Orro preste atenção e se certifica de que ele está sozinho. Em seguida, cita matéria da Rede Globo sobre o Poder Legislativo. No caso, uma reportagem do Fantástico na Assembleia do Rio Grande do Sul, um indicativo de que a conversa data de junho de 2015, quando a matéria foi veiculada pela emissora.

“A rede Globo está entrando nas Assembleias Legislativas do Brasil inteiro, onde que ela pega você? Você e eu temos bastante, certo! Você sabe o que nós temos mais do que os outros, não sabe? Põe um controle de ponto, mesmo que seja fictício, do começo do ano até agora. Pega o seu chefe de gabinete e manda agir. Todo dia aquelas pessoas têm que assinar o ponto até que passa esse rolo aí”, afirma Corrêa. Antes da orientação, ele repreende o deputado do PSDB, que disse não saber da reportagem.

Na sequência, Orro pergunta sobre quem está na base, numa alusão a Aquidauana, onde tem funcionários. Em seguida, Corrêa critica o deputado Zé Teixeira (DEM). Ele dispara xingamentos e afirma que o parlamentar do DEM fala mais do que a boca.

Depois, Corrêa retoma o ponto principal da conversa e diz que Orro precisa providenciar registro de ponto e fazer todos assinarem. “Se tem mais gente, faz os 40 assinar. Faz uma folha dos 20 normais e os outros que você tem. Assina o ponto, deixa sempre do dia anterior assinado”, reforça Côrrea.

O deputado do PR prossegue com a afirmação de que ele e Orro têm o mesmo problema. “Eu só falei isso pra você, por favor não repita para ninguém. Estou sugerindo porque gosto de você”, diz. Orro finaliza: “pode deixar, um abraço”.




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