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31/12/2013 06:09

Causas e declarações que foram motivos para boas brigas ou "linchamento" em 2013

Ângela Kempfer
Mãe da jornalista Juliana Ribeiro Campos teve de entrar na Justiça para excluir o perfil da filha no Facebook.Mãe da jornalista Juliana Ribeiro Campos teve de entrar na Justiça para excluir o perfil da filha no Facebook.

Uma declaração raivosa nas redes sociais e pronto: o linchamento virtual acaba com o sujeito. Em 2013, quem falou o que queria, ouviu em dobro. O professor universitário Kleber Kruger perdeu até o emprego por conta do desabafo no Facebook.

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Ao chegar na universidade, teve uma reação radical ao encontrar paredes pichadas nos corredores da UFMS. Colocou a culpa em acadêmicos de turmas que considera “coloridas”, pediu o fim dos cursos formadores de “bichonas”, acusou alunos de “veados” e tantos outros sinônimos nada amistosos, sem nenhum receio de ser taxado de homofóbico.

Acabou pedindo as contas, exclui os posts agressivos e na retrospectiva de 2013, proposta pelo Facebook, deixou de fora os dias turbulentos de repercussão nacional. Hoje, Kleber trabalha em uma empresa privada e segue a vida, sem postagens polêmicas ou vontade de dar entrevistas. "Acho que tenho uma vida medíocre demais pra ter tanto destaque!", argumenta.

O professor se meteu em um tipo de assunto que sempre rende confusão. No ano que passou, Nell Isabelle Bezerra Abrego, 18 anos, provocou um levante pelo direito de usar o banheiro feminino da Escola Joaquim Murtinho. Ela nasceu Pablo Henrique Ferreira Abrego, mas nunca se sentiu um menino, por isso o desconforto em usar o banheiro masculino.

Apesar de apoios públicos e cobranças, na prática nada mudou. “O diretor disse que poderia usar, mas se alguém reclamasse ia me chamar na diretoria e ver no que daria”. Sem querer pagar para “ver”, a solução foi simplista: “Abandonei a escola”, diz Isabelle, dez meses depois.

O valor para entrar em uma briga pode variar bastante. Cerca de 400 alunos do curso de Direito da UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), por exemplo, também foram à luta, mas pelo direito de pagar meia-entrada no Cinemark, usando as carteirinhas de identificação estudantil com o selo do Daclobe (Diretório Acadêmico Clóvis Bervilaqua), o que até então não era aceito pela rede.

A professora universitária Dolores Ribeiro travou uma batalha contra inimigo bem mais poderoso. Mãe da jornalista Juliana Ribeiro Campos, de 24 anos, ela conseguiu, na Justiça, que o Facebook excluísse a página da filha na rede social, um ano após a morte da jovem, por complicações em uma cirurgia de redução de estômago. Para Dolores, ler mensagens de amigos sobre a saudade que sentiam de Juliana era como tortura.

Postagem polêmica de professor da UFMS que provocou a ira na internet.Postagem polêmica de professor da UFMS que provocou a ira na internet.

Já para a publicitária Isabella Gimenez, o poder de divulgação da internet foi fundamental para a realização de um sonho. A briga no caso dela foi por um belo emprego em São Paulo. A sul-mato-grossense fez os amigos tirarem a roupa para conseguir uma vaga na agência de publicidade paulistana Naked.

Lançada no formato do Tumblr, a campanha "Eu Fico pelado para a Isa ser Naked" teve, em apenas 5 dias, cerca de 50 fotos de apoios, Com tanta gente sem roupa, usando apenas a plaquinha com o slogan criado por ela, é claro que a contratação foi garantida.

Mas o ano provou mesmo que as redes sociais são implacáveis. É bom não dar a deixa, porque se a pessoa escapa do sofrimento ou se livra de ser linchada, acaba virando Meme.

“É que eu moro em Paris, na verdade” é uma das frases descabidas que caíram na rede. O autor da declaração é Alcides Nascimento, assessor do ex-diretor do HU (Hospital Universitário), José Carlos Dorsa Vieira, investigado na operação “Sangue Frio”, aquela que revelou desvio de dinheiro público no Hospital do Câncer.

Para escapar das perguntas de repórter disse que não conhecia o programa Fantástico porque morava em Paris e virou a gracinha da semana no País da piada pronta.

“Que incêndio é esse que todo mundo está falando? Não estou sabendo... É que eu moro em Paris, na verdade”. “Ai, gente, não consigo me acostumar com esse clima... “É que eu moro em Paris, na verdade”, foram só algumas das versões que Alcides teve de encarar.

Com 2014 abrindo a porta, quem quer apostar que os personagens vão mudar, mas os velhos temas continuarão gerando grandes barracos?

Campanha que rendeu emprego em agência de São Paulo.Campanha que rendeu emprego em agência de São Paulo.



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