A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

22/11/2016 10:13

Acesso ao crédito e manejo adequado são desafios da pecuária eficiente

Elci Holsback
Evento aconteceu ontem e reuniu mais de 100 produtores. (Foto: Sindicato Rural)Evento aconteceu ontem e reuniu mais de 100 produtores. (Foto: Sindicato Rural)
Autoridades no assunto debateram com o público.(Foto: Sindicato Rural)Autoridades no assunto debateram com o público.(Foto: Sindicato Rural)

Alto desempenho na produção com menor impacto ambiental. Essa é a premissa da Intensificação na Pecuária, que visa, por meio de orientação técnica e integração de culturas, estimular resultados com menor desgaste ou degradação do solo, entre outras iniciativas de preservação por meio da intensificação de investimentos.

Veja Mais
Produtor de MS tem até 10 de janeiro para cadastrar área de plantio de soja
Entregas à agricultura familiar serão mais frequentes, afirma governador

O assunto foi tema de palestra na noite desta segunda-feira (21) promovida pelo Sindicato Rural de Campo Grande para mais de 100 produtores, representantes do setor agro e estudantes.

O assunto foi conduzido pelo especialista em nutrição animal da Embrapa Gado de Corte (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Sérgio Raposo Medeiros que destacou a importância dos investimentos na pecuária. Segundo o pesquisador, por meio de ciclos mais curtos e sistemas mais intensos o criador alcançará carne de mais qualidade e melhor genética com retorno garantido.

"Intensificar frequentemente compensa sempre. Em geral a média de custo em assistência para intensificação não chegam a 1% do total dos resultados obtidos em lucratividade", pontua Medeiros.

O palestrante avaliou ainda que, com maior eficiência produtiva os danos ambientais seriam reduzidos significativamente na produção pecuária. "O Brasil tem um dos rebanhos mais significativos do mundo e um dos maiores desafios é a redução na emissão de gás metano. Um animal que não ganha peso, não oferece rentabilidade, mas produz a mesma quantidade de gás. A métrica adotada pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) órgão que avalia o assunto é de 1 kg de gás metano para cada 1 kg de carne produzida. Com o manejo adequado é possível ainda reduzir a quantidade de animais à pasto, produzindo a mesma quantidade de carne com redução de emissão de gás pela metade", acredita Medeiros, que destaca ainda que entre os principais erros do pecuarista está o manejo inadequado das pastagens.

"Sem boa pastagem o animal não ganha peso, é necessário respeitar o limite do solo, o tempo de utilização, senão ocorre a erosão e o solo não capta mais nem água nem os nutrientes necessários", finaliza.

Entre os maiores desafios para uma produção adequada ao meio-ambiente e rentável é o acesso ao crédito. "A demanda de produzir mais com menos enfrente a grande dificuldade de o produtor ter acesso às linhas de crédito para investir em sua propriedade , esse é um dos maiores gargalos da pecuária, já que quando chega ao produtor, o crédito vem com altos juros e burocracia. Há assistência técnica para uma produção maior com impacto menor, mas é necessária adequação, de acordo com cada propriedade. Essa demanda de produzir mais com menos é mundial e produtor está consciente da importância do tripé ambiental, econômico e social", considera o presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, Ruy Fachini.

Programa Terra Boa - Lançado em março deste ano pela Sepaf (Secretaria de Produção e Agricultura Familiar) o programa tem o objetivo de estimular em cinco anos a recuperação de áreas degradadas por meio da ILPF (Integração lavoura-pecuária-floresta). Dos quase 16 milhões de hectares de pasto, cerca de 50% estão degradadas e a perspectiva do Terra Boa é recuperar ao menos dois milhões de hectares no período.

O programa é uma das oportunidades para que o produtor invista em desenvolvimento da propriedade, como defende o titular da Sepaf, Fernando Lamas "A intensificação é decisiva quando se pensa em sustentabilidade e esta é ancorada na integração de sistemas. O Terra Boa vem com a premissa de recuperar áreas degradadas pelo sistema ILPF e com o fundamento do plantio direto, promovendo a recuperação, estratégia de intensificação de toda produção agropecuária", considera Lamas.

O Terra Boa é subsidiado com incentivos do Estado, através de recursos do FCO (Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste) e linhas de crédito na área do fomento do BNDES na área da agricultura de baixo carbono, para financiamentos dos processos de recuperação.




imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions