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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

06/09/2014 11:10

Telecentro democratiza mundo virtual, mas falta de verba é ameça

Lidiane Kober
Terceira idade ganhou chance de descobrir os segredos dos computadores (Foto: Divulgação)Terceira idade ganhou chance de descobrir os segredos dos computadores (Foto: Divulgação)

Idealizados para incluir a terceira idade e os estudantes no mundo virtual, os telecentros se dividem entre duas realidades, em Campo Grande. Em uma, idosos têm a chance de conhecer os segredos dos computadores, mas, na outra ponta, há queixas de falta de investimentos e até de descaso. Usuários reclamam da ausência de manutenção nas máquinas, monitores sofrem com salários atrasados e teve gente que desistiu do projeto de tanto esperar pela montagem dos computadores.

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No centro comunitário da Associação de Moradores do Parque Maria Aparecida Pedrossian, desde 2012, 11 máquinas estão disponíveis, em sala com ar condicionado, à população no Telecentro. Para instalar os equipamentos e começar um projeto de sucesso, o presidente da entidade, professor Jânio Batista de Macedo, precisou “mexer os pauzinhos”.

Cansado de esperar pela prefeitura para montar os computadores, ele aproveitou viagem a Brasília para cobrar providências. “Contei que estava com o equipamento e faltava gente para instalar”, relatou. Pouco tempo depois, veio um técnico do Governo Federal e fez o serviço. “Era um rapaz franzino”, lembrou Jânio.

Carlos Roberto se diverte pesquisando no Google e aconselha o curso (Foto: Marcelo Calazans)Carlos Roberto se diverte pesquisando no Google e aconselha o curso (Foto: Marcelo Calazans)

Superado o problema, a associação abriu curso de computação para a terceira idade. Atualmente, 40 pessoas frequentam as aulas gratuitamente. É o caso do aposentado Carlos Roberto Pereira, de 72 anos. “Sempre pedia para meus filhos me ensinar a mexer no computador, mas ninguém tinha paciência. No curso, temos uma ótima professora e gosto muito de entrar no tal do Google para pesquisar”, contou.

A dificuldade, segundo ele, é dominar o teclado e o mouse. “Trabalhei muitos anos com eletricidade, acho que minha mão ficou pesado e todo hora perco a setinha (do mouse) e fico igual doido procurando”, disse Carlos Roberto. Para ele, mais gente deve aproveitar a oportunidade e não faltar em nenhuma aula. “Aconselho o curso, é bom e é de graça”, destacou.

Alerta - O presidente da associação se alegra com a felicidade da terceira idade, mas não deixa de citar a necessidade de melhorias. De acordo com Jânio, não há manutenção das máquinas por parte da prefeitura. “Recentemente, a associação precisou desembolsar R$ 720 para arrumar umas máquinas. Imagine tanta gente mexendo, acaba dando problema, principalmente, por causa de vírus”, ponderou.

Outra reivindicação dele é mais atenção com o salário dos monitores. “Há três meses, nossa professora está com o salário atrasado”, revelou professor Jânio.

Além do curso para o idosos, a associação disponibilizou o espaço para o Senai oferecer cursos profissionalizantes. Por enquanto, a entidade não abriu aos estudantes por temer estragos. “Não temos uma pessoa para ficar cuidando o tempo todo e os alunos têm computadores nas escolas”, observou Jânio.

Jânio se alegra com a felicidade dos idosos, mas ressalta que projeto precisa melhorar (Foto: Marcelo Calazans)Jânio se alegra com a felicidade dos idosos, mas ressalta que projeto precisa melhorar (Foto: Marcelo Calazans)

Ele ainda faz questão de ressaltar que a associação foi a primeira a abrir o Telecentro, em Campo Grande. “Teve associação que, de tanto esperar pela montagem dos equipamentos, devolveu à prefeitura os computadores por medo de eles serem furtados”, revelou.

O outro lado – Titular da Sedesc (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Turismo e Agronegócio), Edil Albuquerque confirmou que nem todos os Telecentros previstos na Capital estão de portas abertas. “O projeto prevê a instalação de mais de 20, mas não inauguramos todos porque realmente há o temor de furto por falta de segurança em alguns pontos. Fora isso, estamos com problemas na instalação de redes”, explicou.

O secretário ainda informou que o projeto sofreu com certo “esquecimento”, durante a gestão do prefeito Alcides Bernal (PP). “Quando assumimos precisamos colocar tudo em dia e organizar”, disse. Agora, é foco retomar o programa e abrir mais 13 unidades para oferecer computador e internet à população.

Os pontos escolhidos, conforme ele, saíram de análise do Governo Federal, que priorizou comunidades carentes, adensamento populacional e a segurança. O projeto prevê ainda a contratação de um monitor para cuidar das salas e orientar os frequentadores. “Temos o cuidado de bloquear sites de jogos e pornográficos”, frisou Edil.

Além do Parque Maria Aparecida Pedrossian, estão com Telecentros, de acordo com o secretário, os bairros Novo Amazonas, Portal Caiobá I e Coophamat. “Em breve vamos inaugurar outros no centro comunitário do Arnaldo Estevão de Figueiredo e nas Comunidade Quilombola Tia Eva e Buriti. Até o final do ano inauguramos todos”, finalizou Edil.

Por enquanto, prefeitura não teria disponibilizado verba para a manutenção dos computadores (Foto: Marcelo Calazans)Por enquanto, prefeitura não teria disponibilizado verba para a manutenção dos computadores (Foto: Marcelo Calazans)



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