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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

31/07/2012 17:20

Adrieli sobreviveu a um atropelamento e as marcas ficaram para sempre

Elverson Cardozo
Sete meses após o acidente, apoiada às muletas, Adrieli Hevi está disposta a continuar lutando, mas a tragédia ficou gravada na memória: Nunca imaginei que seria atropelada em uma calçada, disse. (Fotos: Pedro Peralta)Sete meses após o acidente, apoiada às muletas, Adrieli Hevi está disposta a continuar lutando, mas a tragédia ficou gravada na memória: "Nunca imaginei que seria atropelada em uma calçada", disse. (Fotos: Pedro Peralta)

Campo Grande, sábado, 31 de dezembro de 2011, quatro horas da manhã. Adrieli Hevi de Melo Vaz, de 19 anos, espera um táxi na calçada de uma choperia localizada na rua Brilhante, quando é atingida por um carro desgovernado.

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“Eu não vi o carro vindo na direção. Fui atingida pelas costas, só senti a pancada e fui parar do outro lado da avenida sem saber o que tinha acontecido. Passava um monte de coisa na minha cabeça e eu senti o meu corpo paralisado”.

Adrieli, infelizmente, não estava sozinha. Outras quatro pessoas, entre elas amigos, que também esperavam na calçada, haviam sido atingidas de forma violenta. “Para onde eu olhava tinha um aglomeramento de pessoas em volta de um corpo. Só pela cara das pessoas eu imaginava que não estava tudo bem”.

Jovem fraturou a tíbia e a fíbula da perna direita. Na perna esquerda a fratura foi no joelho e tornozelo, que ficaram esmagados.Jovem fraturou a tíbia e a fíbula da perna direita. Na perna esquerda a fratura foi no joelho e tornozelo, que ficaram esmagados.

O relato vem da vítima que, felizmente, está viva para contar a história. Os passos, com ajuda de um par de muletas, ainda são lentos, traiçoeiros, mas trazem esperança à garota que, por algum tempo, pensou que passaria o resto da vida em uma cadeira de rodas.

Adrieli Hevi fraturou a tíbia e a fíbula da perna direita. Na perna esquerda a fratura foi no joelho e tornozelo, que foram esmagados. Já passou por 7 cirurgias e agora carrega no corpo hastes, ferros e parafusos, além de 10 cicatrizes.

Sete meses após o acidente, a jovem está reaprendendo a caminhar, a sonhar e a fazer planos. Está reaprendendo a viver. “Não posso desistir. Eu estou viva”, comenta.

Mas não há como evitar o trauma. Não por enquanto. “Às vezes eu estou na rua, o carro está a quilômetros de distância e parece que ele vai vir na minha direção. Eu começo a apavorar”, relata.

A mãe, Aparecida Melo, de 44 anos, sabe bem do que a filha está falando. Nos primeiros meses após o acidente, conta, Adrieli queria desistir de tudo. “Ficava muito triste, maltratava os amigos e chorava muito”, disse. “Só eu sei o que passei”, acrescentou.

Férias -O dia do acidente também foi a data em que Adrieli trabalhou pela última vez, após 1 ano e 4 meses como caixa de uma lanchonete no Shopping Campo Grande. Na segunda-feira estaria de férias, por isso havia saído para comemorar com os colegas de serviço.

Na frente de casa, acompanhada da mãe, Adrieli agradece por estar viva. Na frente de casa, acompanhada da mãe, Adrieli agradece por estar viva.

O réveillon, naquele ano, seria em Bonito e o descanso na casa do pai, em São Paulo. Estava tudo planejado, mas a tragédia mudou os planos. “A passagem que meu pai comprou para mim ele teve que usar para vir me ver”, contou.

Uma reviravolta que transformou os dias de repouso em dor e sofrimento. Foram 33 dias internados na Santa Casa de Campo Grande. “Ela chorava 24 horas por dia”, conta a mãe.

Apesar das sequelas, Adrieli sabe que teve sorte e agora está disposta a continuar lutando pelo sonho de se tornar uma nutricionista. “Uma hora você está trabalhando, estudando, tem planos para o seu futuro e de repente chega uma coisa e atrapalha tudo o que você sonha”, declarou.

Mas o que mais revolta a família da jovem é saber que o motorista que a atropelou está nas ruas novamente, em liberdade, enquanto aguarda julgamento.

Rafael Freitas, contou Adrieli, já foi colega de escola e chegou, inclusive, a ir a casa dela em uma festava de aniversário. “Só fui saber quando vi fotos dele nos jornais”, disse.




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