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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

15/09/2011 10:53

Com foco no respeito, Semana Nacional de Trânsito é aberta na Assembleia

Viviane Oliveira e Fabiano Arruda
A Semana Nacional do trânsito foi aberta nesta quinta em solenidade na Assembleia Legislativa. (Foto: João Garrigó)A Semana Nacional do trânsito foi aberta nesta quinta em solenidade na Assembleia Legislativa. (Foto: João Garrigó)

Com a cobrança de mais respeito por estudantes e autoridades para evitar acidentes, a Semana Nacional do trânsito foi aberta nesta quinta-feira, em solenidade na Assembleia Legislativa com o tema "Década de Ação pela Segurança Viária: Juntos Podemos Salvar Milhões de Vidas".

Para o diretor presidente do Detran, Carlos Henrique Santos Pereira, hoje é um dia muito importante para o órgão por causa da Semana Nacional do Trânsito. Segundo ele o grande foco dessa ação é o respeito.

O presidente ressalta que é preciso resgatar valores, tolerância, civilidade e respeito no trânsito. “O condutor tem que parar de ficar apontando os erros, ele precisa entender que o problema também é dele e não só dos outros”.

Ele explica também sobre as intensificações das blitze. “Se tem tanta fiscalização é porque os veículos são irregulares tanto na documentação quanto na questão de segurança”.

De janeiro a agosto deste ano foram aproximadamente 7 mil apreensões de veículos, e que 1500 desses números não foram retirados pelos proprietários. “Muitas vezes o valor da multa é maior do que o valor do veículo, então o motorista não se interessa de ir resgatar o carro”.

Só este ano no período de 1 de janeiro a 4 de agosto foram feitos quatro leilões pelo Detran, conforme o presidente já tem outros agendados não só na Capital, mas também no interior.

Carlos Henrique chama atenção para outro detalhe, de 10 mil veículos no pátio do Detran, 2 mil são objetos de processo judicial que foram apreendidos pela Polícia e Receita Federal. “Tem carro que está há 24 anos no pátio por conta de ação da justiça do trabalho”, ele explica que esses carros não podem ser mexidos.

Para o jornalista e Consultor em segurança do trânsito, J. Pedro Correia, o Brasil não tem uma política de segurança no trânsito. “Se nós temos uma década pela frente é preciso fazer um plano de segurança para evitar fatalidade”, acrescenta.

O jornalista afirma que o Detran não faz planos como esse. “Mato Grosso do Sul tem que esquecer os problemas do país e resolver os problemas do Estado”.

Segundo ele, o país não tem uma política de segurança. “Segurança nunca esteve no dicionário político”.

J. Pedro ressalta que segurança e educação falta na cultura do brasileiro. Ele contou que certa vez trabalhando como jornalista em um programa de rádio na Suíça fez uma entrevista com um engenheiro renomado da formula 1.

“Eu perguntei o que ele entendia por segurança no trânsito, ele respondeu: Segurança no trânsito é quando minha família e eu discutimos o caminho que vamos fazer até a escola”. Ele complementa que educação no trânsito está na cultura européia.

Conforme o jornalista além da educação tem que ser feita a repressão. “Não existe pais no mundo que resolveu problema no trânsito sem educar e reprimir ao mesmo tempo, finaliza.

Conscientização - Com camisetas pretas com os dizeres Trânsito na escola - Formação do jovem condutor, estavam presentes na abertura da Semana Nacional do Trânsito sete escolas, entre estaduais e particulares.

A estudante Camila Nogueira, 15 anos, disse que o principal motivo de eles estarem ali é para cobrar mais respeito entre os condutores no trânsito.

“Tomara que nossas reivindicações não fiquem sem ser atendidas”, disse a estudante Cuéren Barros, 17 anos.

O diretor-presidente da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), Rudel Trindade, destaca que com o início do placar da vida houve uma mobilização maior por parte da sociedade. “O placar da vida fez com que as pessoas se interessassem mais pelo trânsito, não que isso resolva, mas a sociedade está participando mais.




A SEMANA NACIONAL DE TRÂNSITO E A GRAVE DOENÇA SOCIAL DOS ACIDENTES


Milton Corrêa da Costa


Estamos em plena Semana Nacional de Trânsito, comemorada, em todo território nacional, entre 18 e 25 de setembro, cujo tema escolhido este ano, dentro da Década Mundial de Ações para a Segurança de Trânsito-2011/20, foi “JUNTOS PODEMOS SALVAR MILHÕES DE VIDAS’. Um bom momento para reflexão e nada a comemorar. A jornalista Ruth de Aquino, num artigo de sua autoria, publicado dias atrás na Revista Época, que analisava a violência e a barbárie do trânsito brasileiro, em poucas palavras disse tudo: “Temos um exército de homicidas e suicidas em potencial ao volante dos carros. Pilotam estimulados por álcool, deprimidos por drogas ou excitados pela sensação de onipotência”. As palavras da ilustre jornalista podem ser retratadas em recentes números do seguro obrigatório DPVAT (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores em Vias Terrestres) que, no primeiro semestre deste ano pagou 107. 403 indenizações por invalidez. Os dados se referem a acidentes ocorridos até três anos atrás no país. No total, incluindo mortos e feridos, as indenizações, nos primeiros seis meses de 2011 chegaram a R$ 1,1 bilhão.

O crescimento da frota de motocicletas é tida por especialistas pela puxada das estatísticas de acidentes, onde as lesões que mais matam são fraturas no crânio (falta do capacete de segurança), trauma de tórax ( falta do uso do cinto nos carros), bacia e ossos longos.O trânsito é a principal causa de morte de jovens no país, numa faixa etária de 15 aos 24 anos..Mais de 70% são do sexo masculino. Segundo a ONU o Brasil é o quinto país em acidentes de trânsito no mundo. O trânsito brasileiro mata 2,5 vezes mais que nos Estados Unidos e 3,7 vezes mais que na Europa. Cerca de 100 pessoas, em média, por dia, perdem a vida na barbárie do trânsito brasileiro que ceifa a vida de 36 mil anualmente ( quase a capacidade total do Estádio do Engenhão no Rio), sem falar nos que adquirem graves sequelas. A Espanha, cita em seu artigo a jornalista Ruth de Aquino, reduziu em 57% as mortes em estradas. “Não basta educar, é preciso vigiar e punir. As campanhas devem ser duras e realistas. Acidente de trânsito não é maldição divina e deve ser combatido como doença grave”, diz Navarro Olivella, um espanhol estudioso do tema.
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A semana de trânsito deve servir, portanto, para que nos mobilizemos por um trânsito mais humano. Os acidentes de trajeto são uma grave doença social e parecemos impotentes para conter tamanha tragédia, onde carros retorcidos, vítimas ensanguentadas, dor, sofrimento, desespero e famílias enlutadas são fatos rotineiros. Acresce-se o fato de que boa parte de nossas estradas e vias urbanas apresentam-se em estado precário no que tange à pavimentação e à sinalização. A cada dia o carro vem se transformando, pois, numa arma mais mortífera e a impunidade dos crimes de trânsito é flagrante. Apesar do advento da Lei Seca, muitos motoristas continuam bebendo e dirigindo. Matando, morrendo e mutilando e as leis acabam protegendo os homicidas do trânsito. .

Fica evidenciado que o perfil do motorista brasileiro, em sua maioria, é de imprudência, desrespeito as leis de trânsito e acentuado grau de estresse e deseducação. Não há disciplina consciente no trânsito. É problema cultural e de carência de rigorosa punição. Precisamos frear o ímpeto dos imprudentes e assassinos em potencial do volante. Antes que sejamos a próxima vítima. Quem mata no trânsito por direção alcoolizada ou por excesso de velocidade comete homicídio doloso. É preciso incluir, urgentemente, no Código de Trânsito Brasileiro, no capíulo dos Crimes em Espécie, tal modalidade de delito, onde o dolo eventual fica plenamante evidenciado na assunção do risco do resultado danoso. Trânsito é meio de vida, não de morte e destruição humana. Com a palavra o Congresso Nacional. Juntos podemos salvar vidas. Só depende de nós.

Milton Corrêa da Costa é coronel da reserva da PM do Rio e estudioso em segurança de trânsito
 
Milton Corrêa da Costa em 19/09/2011 03:36:41
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