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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

13/01/2014 09:08

Do Detran para a rua: diferença que rouba vidas e cria risco sobre 2 rodas

Aline dos Santos
Por semana, Detran recebe 300 candidatos a condutor de moto. (Foto: Marcos Ermínio)Por semana, Detran recebe 300 candidatos a condutor de moto. (Foto: Marcos Ermínio)

Motociclista com capacete fechado, viseira abaixada, sem zigue-zague, trafegando no centro da via e sem excesso de velocidade. Não, você não está sonhando. Você está no pátio de aulas e exame do Detran (Departamento Estadual de Trânsito) de Campo Grande.

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As imagens que em muito diferem das vistas nas ruas da cidade, onde 55% dos mortos em acidentes estavam em motos, demonstram que uma perigosa margem de aceitação de risco faz com que o modo correto de conduzir a motocicleta não passe do portão. Nas ruas, vale a briga de espaço por cada centímetro da via. A realidade rouba vidas, superlota hospitais e tira o sono das autoridades de trânsito.

Instrutor de CFC (Centro de Formação de Condutores) há cinco anos, Márcio de Freitas, conta que duas características do candidato a uma carteira de habilitação A chamam atenção. Logo de cara, avisam que sabem pilotar e saem em alta velocidade. “Chega com muitos vícios, achando que sabe tudo”, relata.

No entanto, saem sem regular os espelhos ou prender o capacete, situações que eliminariam o candidato de forma imediata na prova para obtenção da CNH (Carteira Nacional de Habilitação). Nas aulas, um dos pontos mais reforçados é não fazer ultrapassagem pela direita, prática irregular e motivadora de acidentes.

Ao contrário de quem faz aulas em carros, a prova prática não é na rua, mas em um espaço que reproduz rampas, semáforos, avenidas e cruzamentos. Por semana, com exames realizados às quartas e sextas-feiras, são 300 alunos em busca da carteira A.

De acordo com a supervisora da banca examinadora do Detran, Mércia Miranda Melo, entre setembro e dezembro, a demanda cresce e o número de vagas aumenta para 250 a cada dia de prova.

Segundo Mércia, no fim de ano, número de vagas para exames aumenta para 250 por dia. (Foto: Marcos Ermínio). Segundo Mércia, no fim de ano, número de vagas para exames aumenta para 250 por dia. (Foto: Marcos Ermínio).

“São duas fases. A primeira, verifica o equilíbrio. Na segunda, é feito o percurso”, explica a supervisora. Na prova, são cobrados vários procedimentos: capacete na cabeça e preso, ajuste dos retrovisores e farol da motocicleta ligado. Se sair sem cumprir uma das exigências, a eliminação é imediata. A locomoção correta na via ainda exige distância de seguimento e veta o corredor.

Vale a pena – Assessor de psicologia de trânsito do Detran, Renan da Cunha Soares Júnior avalia que a providencial amnésia sobre as regras de circulação no trânsito leva em consideração a aceitação do risco. “Acham que se colocar em risco, como zigue-zague e excesso de velocidade, vai compensar. Precisa de uma mudança de valores. O trânsito é coletivo. Ele não se coloca em risco sozinho”, avalia.

Para o psicólogo, entra em cena a maior dificuldade, ter noção que o trânsito é de todos. “O que é público, não é de ninguém. Cada um olha só o seu lado. Se você perguntar para o motociclista sobre os outros participantes do trânsito, ele vai dizer que o problema é o motorista de carro, o pedestre, o motorista de ônibus”.

Com dados que mostram a combinação de excesso de velocidade, consumo de álcool e motocicleta na liderança de acidentes, os motociclistas são o centro das preocupações dos órgãos de trânsito. “As estatísticas são gritantes”, salienta Renan da Cunha. Sem exemplos no Brasil, Campo Grande vai ter que descobrir um caminho próprio na luta para reverter o quadro.

Mais do mesmo - Nas primeiras horas de 2014, uma cena comum e dolorosa, que marcou o último ano no trânsito em Campo Grande, se repete: um jovem motociclista morreu em acidente. Em 2013, segundo o levantamento do site Estrela do Asfalto, das 106 pessoas que perderam a vida no trânsito da Capital, 58 estavam em motos.

Recém-chegado ao comando da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), o engenheiro civil Jean Saliba diz  buscar uma saída. “Não podemos ficar parados frente essas estatísticas”, afirma. Ele vai solicitar estudo de especialistas na tentativa de reduzir o número de acidentes envolvendo motocicletas. Na Capital, da frota de 472.922 veículos, 23% são motos: 109.122.

“Não podemos ficar parados frente essas estatísticas”, diz diretor da Agetran. (Foto: Marcos Ermínio)“Não podemos ficar parados frente essas estatísticas”, diz diretor da Agetran. (Foto: Marcos Ermínio)

No hospital, na sala de cirurgia – Após visitar o Pronto-Socorro da Santa Casa de Campo Grande, a promotora Filomena Fluminhan fez apelo aos motociclistas. “Eram cinco macas, os cinco motociclistas”, relata. A fila de espera para cirurgia ortopédica que em média era de 10 pacientes, já chegou a 39 nos últimos meses.

Para a promotora, é preciso um esforço da sociedade e órgãos de trânsito. A primeira para evitar conduta que coloque as pessoas em risco. O segundo deve atuar na retirara do trânsito de condutores inabilitados ou alcoolizados.

O MPE vai solicitar à Agetran e Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública) medidas de fiscalização mais eficazes. Aos condutores, principalmente, aos motociclistas, a promotora apela ao bom-senso. “Para não ser um a mais nessa fila de ortopedia da Santa Casa”, afirma.

Em Campo Grande, frota de motos é de 109.122. (Foto: Marcos Ermínio)Em Campo Grande, frota de motos é de 109.122. (Foto: Marcos Ermínio)



mas que baboseira são esses de comentários,tao querendo dizer que só os não habilitados são os causadores de acidentes de transito,se querem saber quem não tem CNH anda com mais cuidados do que aqueles que tem a anos.em todos as manchetes que leio são os habilitados que são os que mais desrespeitam as leis de transito,dirigem sem cintos de segurança,falam ao celular ao volante ,bebem bebidas alcoólicas a noite toda em bares nos fins de semanas,e saem a todas e ate capotam seus veículos.
 
valdir zatti em 13/01/2014 20:42:25
A MOTO É UMA ARMA , E SO DEVE SER USADA POR QUEM SABE MANUZEA-LA BEM ENTÃO SE PRA EU COMPRAR UMA ARMA ME EXIGEM UM MONTE DE COISA , DEVERIA PELO MENOS EXIGIR A CARTEIRA DE MOTORISTAS NA HORA DA TRANSFERENCIA DE UMA MOTO ...
 
IVONE OLIVEIRA em 13/01/2014 20:32:10
Algumas medidas a serem tomadas:
1. cameras nos sinaleiros, TODOS os sinalieros. 25% dos acidentes na cidade acontece em cruzamento com sinaleiro. Quem causou, tem que ser flagrado. Geralmente é moto...
2. blitz, e retirar quem anda sem doc. 30% das despesas em hospitais é com vitimas de transito. O DPVAT que deveria pagar esta conta, e quem anda sem doc está deixando a conta para outros pagar.
3. blitz, e retirar quem anda bêbado. 10-15% dos acidentes envolve alcool e muitos ainda dirigem bebados. Tem que ter tanto blitz que ninguem mais se arrisca, principalmente nas noites de fim de semana
4. o exame teorico deve ser mais dificil. Muitos motoristas não tem noção de coisas como preferência e direção defensiva.
5. mais fisalização de policia desfarçado, mas com camera.
 
Marcos da Silva em 13/01/2014 14:23:32
o certo, seria a obrigatoriedade de CNH, na hora de comprar uma moto, dificultar a compra, nao deixa como esta, vc compra moto como compra um celular, ai sai os muito louco, que nao tao nem ai com nada, podendo prejudicar eu vc e outro inocente!!
 
joao moreira em 13/01/2014 14:14:08
Não resolve aulas, ou "retirara do trânsito de condutores inabilitados ou alcoolizados", tem que haver uma fiscalização ostensiva, contra os abusadores, que muitas vezes são sóbrios e habilitado.
Nobre Jean Saliba, "solicitar estudo de especialistas na tentativa de reduzir o número de acidentes envolvendo motocicletas", também não vai resolver, pois sabemos que conclusão os mesmo vão chegar.
Provavelmente os especialista vão dizer que precisa de uma FISCALIZAÇÃO MAIS OSTENSIVA, por parte das autoridades, em vez de gastar com a terceirização de semáforos ou de redutores de velocidade, que só rouba o dinheiro público e do povo. Deveria isto sim, pagar melhor os amarelinhos e colocar mais guarda de transito nas esquinas e nas ruas, assim sim cobrar diretamente dos infratores.
 
Roberto Mendes Motta em 13/01/2014 13:33:33
os problemas principais são bebida alcoólica, falta de habilitação pois subir e andar é fácil agora aprender oque se deve fazer ou não é outra coisa e falta de manutenção pois isso causa diversos acidentes pois são pneus carecas, transmissão gasta e freios ruins, agora a parte do Detran apenas serve para saber se você fica equilibrado na moto nada mais pois noção de transito ninguém tem e é isso que causa inúmeros acidentes, tenho 1 joelho quebrado acidente de moto que foi causado por outra pessoa de moto sem habilitação e moto em péssimas condições.
 
Jhony Felipe em 13/01/2014 12:54:46
João Renato , você disse tudo meu caro. Realmente, é muito grande o número de "instrutores" negligentes, imprudentes, irresponsáveis... fazem zig zag, cortam pela direita, muitas das vezes não dão seta e por ai vai...
Se uma equipe de reportagem, ficar no trecho que o colega acima citou ou na Ernesto Geisel com a Clemente Pereira( extensão da MT) com a Calógeras, no primeiro horário da manhã ou final da tarde, com certeza irão presenciar cada coisa que até Deus duvida.
Há anos atrás, fui vítima de instrutor louco, sem noção.. que prestava serviço na Autoescola Dom Aquino. O infeliz, colocou-me para fazer cone na primeira aula, sem ao menos explicar o funcionamento da máquina, resultado: cai fraturei o braço e a mão( escafóide), sem contar que gastamos menos de 10' do centro ao Detran.
 
Neyde de Oliveira em 13/01/2014 11:43:52
NÃO ADIANTA EMITIR CHN, PARA MOTOQUEIROS, QUE ULTRAPASSAM, ENTRE VEÍCULOS, PASSAM O TEMPO TODO NO TRANSITO, DESTA FORMA, SE É VEÍCULOS, TERIA QUE TRAFEGAR, NORMALMENTE COMO SE FOSSE UM VEÍCULO DE QUATRO RODAS, UM ATRÁS DO OUTRO, MAS COMO NÃO TEMOS GOVERNANTES NESTE PAÍS, A BAGUNÇA E GENERALIZADA, TANTO NO TRANSITO, COMO ADMINISTRATIVAMENTE, E O POVO, CONTINUAM PERDENDO O DIREITO, A VERGONHA POLÍTICA, DA CLASSE POLÍTICA EXECUTIVA, QUE NÃO SABE O QUE É GESTÃO PÚBLICA, NÃO CORRIGE OS SUBORDINADOS, PORQUE FORAM COMPRADOS, ATRAVÉS DE PATROCÍNIOS POLÍTICOS DE CAMPANHA, E SOFRE O POVO, HÁ SE ELES, FOSSEM JUSTOS COM DEUS, COMO SERIA ÓTIMO.
 
PEDRO A BRAGA em 13/01/2014 11:21:17
Coloque no código de transito a obrigatoriedade de uma terceira roda nas motos, como ocorre nos veículos de moto entregadores.
Acredito que só isso ja fará uma diferença significante, pois trará dificuldades aos "aventureiros", quando quiserem sair costurando ou fazer ultrapassagens junto ao meio-fio ou na contra-mão.
Entre outros benefícios...
 
Romeu Luitz em 13/01/2014 11:08:54
mas só faltava essa, o leitor sugerindo que as montadoras de motocicletas paguem pelos acidentados? O seguro obrigatório serve exatamente para isso, todos pagam e quase ninguem usa, quem ganha com isso? O governo, sempre, então o pecuarista tem que ajudar no regime de quem engorda? Quem se cuida somos nós, todo mundo crucifica os motociclistas mas ninguem fala do povo que dirige o dia todo falando no celular, se eu parar 30 segundos em qualquer rua, sim eu disse qualquer rua da cidade (desde que seja rua que passe carro), vai passar alguem de carro dirigindo e falando no celular, isso eu aposto com qualquer um que quiser, é certeza absoluta.
 
maximiliano nahas em 13/01/2014 10:56:04
Blitz, fiscalização, isso sempre é válido, porém o exemplo também pode ajudar, tenho um comercio na Euler de Azedo, um dos acessos ao DETRAN, e sempre, sempre mesmo vejo os próprios instrutores cometendo as mais diversas barbaridades e quase sempre com o aluno na garupa, de que adianta ensinar a fazer o certo se o exemplo é do errado?
 
joao renato em 13/01/2014 10:47:52
Só de fiscalizarem os 'motoqueiros' que andam nos corredores (ñ respeitam a distancia lateral de segurança) já seria um senhor avanço, mas no brasil, tudo pode.
 
Ronaldo Castor em 13/01/2014 10:43:19
Qual a colaboração efetiva que os fabricantes de motos trazem para os hospitais? Nunca vimos reportagem com doações em dinheiro ou equipamentos para hospitais, feitos por eles. Os Centro de Tratamentos Intensivos e Setores de Ortopedia dos PS, estão entupidos com condutores de motos, envolvidos em acidentes. Se os seus veículos são objeto de causa de tamanho prejuízo, deveriam arcar com uma fatia, ou então o governo sobre taxar seus produtos visando assim, minimizar suas ações nefastas. Motos estão ceifando mais vidas do que armas.
 
Valter Oliveira em 13/01/2014 10:34:40
para que a blitz funciona, e pegar as pessoas que dirigem de forma perigosa, é colocar
policiais de civil, pelos menos dois tres quilometros antes em observação. e as multas tem que ser pesadas, preço minimo de quatro pneus novos de um carro tipo.
 
Gilberto DIAS em 13/01/2014 10:32:40
Eu já considero a idéia de aumentar rigorosamente as blitz para que os CARROS sejam parados e autuados os motoristas sem CNH, sem documento do veículo, em estado de embriaguez e principalmente motoristas que falam ao celular enquanto dirigem, afinal se formos analisar a fundo as reportagens sobre acidentes com motos, em sua maioria esmagadora há um veículo de 4 rodas envolvido, quase não observamos relatos de acidentes causados por duas motos e na maioria das vezes o motorista do veículo de 4 rodas foge, isso comprova duas coisas, ou a pessoa está dirigindo sem habilitação ou documento do veículo ou a pessoa está embriagada, resolvam o problema dos motoristas de carros, caminhonetes, onibus e caminhões que voces resolvem o problema da violencia no transito.
 
maximiliano nahas em 13/01/2014 09:53:53
Acho o circuito de provas do Detran inútil e ineficaz. Ensinar o futuro motociclista a ficar zigue-zagueando por cones, fazendo "oito" e andando numa faixa estreita antes de uma subida não condiz com o que o motociclista deve fazer nas ruas. Ainda mais sem colocar os pés no chão. Que motociclista em sã consciência não colocaria os pés no chão para evitar uma queda???? Na minha opinião, os testes não são para selecionar quem está apto a pilotar, mas apenas para reprovar um bom número de candidatos e fazê-los refazer as provas e mais aulas para movimentar mais dinheiro.
 
Sergio Arantes em 13/01/2014 09:36:44
Bom, eu considero a ideia de aumentar rigorosamente as blitz, para que sejam retidas as motocicletas sem documentação e autuados os jovens sem CNH, ajude a diminuir um pouco estes índices, afinal se formos analisar a fundo as reportagens sobre acidentes com motos, em sua maioria os condutores não tinham CNH ou suas motos eram irregulares ou adulteradas. Quase não observamos relatos de Moto-Taxistas ou trabalhadores que usam motocicletas envolvidos em acidentes com traumas.
 
Renan Silva em 13/01/2014 09:35:57
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