A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

17/07/2012 18:03

O dia em que a vida parou e Virgínia perdeu um filho e o marido

Paula Maciulevicius
Virgínia Ramires pede para que o motorista que matou o marido e seu único filho, se coloque no lugar dela, de ter agora, a família destruída pelo trânsito. (Foto: Minamar Júnior)Virgínia Ramires pede para que o motorista que matou o marido e seu único filho, se coloque no lugar dela, de ter agora, a família destruída pelo trânsito. (Foto: Minamar Júnior)

“A hora que eu chego aqui, tem fotos. Não sei se eu estou errada, mas eu dou bom dia, é um jeito de matar a saudade”. Ela desabafa recontando os passos do filho e do marido no dia 5 de maio. Os relatos são no presente a todo o momento e levam a crer, para quem desconhece a tragédia, que os dois estão vivos.

Veja Mais
Mal a vida adulta começou, um acidente mudou os planos
A dor da família de Keverson, um menino que se foi aos 6 anos

A casa de Virgínia Ramires, 40 anos, parece que parou no tempo. Os quartos continuam do mesmo jeito, o carro está na garagem e as roupas dos homens da casa no armário. As duas cadelas vêm receber a equipe e pedem carinho. A menorzinha, que era de Luiz Vinícius, fica o tempo todo por perto, pedindo carinho.

Virgínia tenta explicar que elas também sentem saudades. Ela sobreviveu ao acidente que matou o marido e o filho, não por ter resistido aos ferimentos, mas por sobreviver desde então à saudade e a dor de perder a família toda em um acidente de trânsito.

Luiz Carlos de Souza Silva, 47 anos, e Luiz Vinícius Ramires Silva, 12, foram atingidos por uma EcoSport dirigida por Manoel do Carmo Castro, 49 anos, no dia 5 de maio, enquanto andavam de bicicleta na ciclovia. O motorista não tinha habilitação e admitiu que não sabia dirigir.

“Ele sempre anda quando chega da escola e eu fico olhando para ele. Ele me dizia para de ficar olhando que eu não sou bebê”, conta a mãe hoje, após o acidente. Julgar o verbo no passado é se render a dor de nunca mais ver o filho.

Aos finais de semana os três saíam para andar de bicicleta, naquele dia o menino não queria sair, mas foi para responder a uma brincadeira do pai, de que ele estava gordinho e precisava se exercitar.

“Era para eu ser atropelada porque eu estava mais perto. Ele entrou dentro da ciclovia e saiu carregando todo mundo”, relembra.

Os três vinham pela ciclovia na mesma direção. Pai à frente, mãe no meio e o filho por último. No momento do acidente, segundo relatos de Virgínia, eles estavam parados, esperando umas pessoas passarem, para então andar de bicicleta.

O barulho e a cena de ver o carro subindo a ciclovia fizeram com que a mãe só prestasse atenção no filho. “Eu não percebi que ele tinha atropelado meu marido, lembro só da perninha do Vinícius sendo jogada. Quando virei meu filho estava sendo jogado pelo carro, eu fiquei mais focada no Luiz Vinícius”.

Os minutos seguintes ao acidente foram de desespero. Até hoje, quase três meses depois a mãe mostra a angústia que viveu naquele dia. “Fiquei tão apavorada que saí igual doida porque não vi onde foi jogado. Ele caiu em cima de concreto eu gritava ele pelo nome e ele não acordou”.

Os dois foram levados em estado grave para a Santa Casa. Três horas depois de dar entrada o pai morreu. O filho sobreviveu por dois dias, dando esperança ao coração de Virgínia.

A família completa ficou agora só no porta-retrato. O menino Luiz Vinícius se foi aos 12 anos, junto do pai, Luiz Carlos de Souza Silva. A mãe, sobreviveu ao acidente e ao dia-a-dia sem os amores. A família completa ficou agora só no porta-retrato. O menino Luiz Vinícius se foi aos 12 anos, junto do pai, Luiz Carlos de Souza Silva. A mãe, sobreviveu ao acidente e ao dia-a-dia sem os amores.

“No dia eu vi bastante sangue, mas eu pensei que ele ia sair dessa. Demorou 3h e ele teve uma parada. O acidente também perfurou o pulmão. Quando veio a notícia eu não queria receber e nem dar ao pior inimigo”.

O domingo e a segunda-feira foram de dor e sofrimento. Virgínia precisou dividir-se entre o luto e a esperança de ver o filho sair vivo da tragédia. Na segunda-feira, ela já saiu da casa da mãe com um aperto no peito.

“Sabe quando você vai sentindo alguma coisa, eu pensava que só queria chegar logo lá. Ele tinha uma santinha no pescoço e no dia do acidente tiraram. Eu mostrei a santinha pra ele e disse que eu estava ali. Eu sei que ele me ouviu, mas quando a assistente social falou a senhora só tem ele? Não, eu comecei a gritar, não acredito que meu filho também”.

Perder o filho e o marido na porta de casa fez com que a mãe deixasse onde a família morou por 16 anos. Agora Virgínia passou a morar com a mãe e só vem a casa limpar e dar atenção às cachorras.

O carro que era do marido continua lá. Pelo trauma ela não pensa em tirar carteira de motorista e não quer ver, tão cedo, a única bicicleta que saiu inteira naquele dia.

“Fiquei sem chão como estou até agora. Eu não consigo acreditar, eles saíram daqui para morrer lá. Se eu soubesse, se adivinhasse que ia acontecer... Eu falei pro Luiz Vinícius ficar, alguma coisa fez ele querer não ir, mas depois ele foi...”

Com a televisão ligada, Virgínia leva a equipe até o quarto e mostra a última foto tirada do menino. Pelos noticiários, a mãe sempre acompanhou o drama das famílias que viveram a dor que hoje ela compartilha.

“Nunca imaginei que naquele dia, de repente minha vida ia mudar. Eu sempre via muita gente que perdeu filho, marido, eu até chorava junto, mas nunca pensei que ia acontecer comigo. Eu queria que ele se colocasse no meu lugar, ele destruiu a minha família”.

Manoel foi indiciado por homicídio doloso, por ter assumido o risco de matar ao dirigir em alta velocidade e sem carteira de motorista. Pelo crime, ele pode ir a júri popular.

“Ele ainda falou que não estava correndo, mas como se ele arremessou longe e bem alto o meu filho? Ele estava correndo demais”, questiona.

Virgínia, que agora entrou para as estatísticas de acidentes de trânsito, vê o tráfego agora com olhos de quem vê crueldade.

“Está muito violento, ninguém tem paciência, não respeita sinal. Não pensa no que significa um carro, quando está lá dentro é uma arma que está na sua mão. Eu não tive raiva do motorista, o que fica na minha cabeça é que se ele falou que não sabia dirigir, porque pegou o carro? Ele estava com uma arma na mão e matou meu único filho e meu marido e ficou por isso mesmo”.




È essa ai é minha tia!!!!!!eo Luiz era meu tio eo Vinícios meu primo.....essa era uma família que vivia alegre é feliz....ai do nada vem um cara desses que nem tem CNH é acaba com tudo!!!oque dizer?oque faser?a quem recorre?isso que eu me pergunto todos os dias....so reso para que esse homem seu Manuel do carmo castro seja levado a juri popular e seja condenado...tomara que nossa justiça funcione.
 
lucas alessandro em 19/07/2012 12:44:17
olha cristina campo grande e uma das cidades mais bem sinalizadas do Brasil,isto ai e pura falta de conciencia e de educaçao no transito,lamentamos por mais estas vidas que se forao,mais se o poder publico for colocar um guarda de transito em cada esquina so vamos ter policiais, e isto nao vai resolver enquato os condutores nao tiverem respeito pela vida humana afffff.
 
AGNALDO ESPINOSA em 18/07/2012 12:19:02
NÃO DÁ PRA LER UMA NOTÍCIA DESSA SEM CHORAR - NÓS QUE SOMOS PAIS SABEMOS O QUE SIGNIFICA UM FILHO PARA NÓS - NA VERDADE, O PODER PÚBLICO PODERIA TER CONTRUÍDO ESSAS AVENIDAS NOVAS QUE DISPÕEM DE CICLOVIA - JÁ COM PROTEÇÕES LATERAIS (GUARD RAIL) O PODER PÚBLICO TEM DINHEIRO PARA ISTO, CASO NAS AVENIDAS NOVAS, TIVESSE PROTEÇÃO PELO MENOS DE UM LADO (DO OUTRO É O CORRÉGO) MUITAS VIDAS SERIAM POUPADAS
 
LUIZ PAZ em 18/07/2012 12:02:29
Não é falta de sinalização! Não é falta de fiscalização! É falta de moral mesmo, as pessoas estão sem 'alma', sem coração. Matam e agem como se as vitimas fossem aninais. Podem julgar,prender, punir, não será sufuciente!
Ensine seus filhos, seus subrinhos, as pessoas a seus redor a amar e respeitar ao próximo. É a 'moral' que fará diferença. Só a consciência das pessoas pode mudar esse quadro...
 
KATIUSSI ARAÚJO em 18/07/2012 11:34:53
Infelizmente a dobradinha André/Nelsinho não da à mínima para a questão do problema no trânsito.
 
Cristina Veiga em 18/07/2012 10:12:41
Primeiro q Deus cuide do coracao dessa mae e esposa.Bom o assasino continua solto ja q nesse pais nao tem lei mesmo, ja q ele se apresentou muito tempo depois passou o flagrante, ai ele ta ai solto pronto para matar mas pessoas.Pais q nao tem lei é assim se mata, e ninguem nao ,faz nada.Sofre a familia q perde familiares ,os assasinos fica na rua fzendo as mesmas coisas,ja q a lei da espaço..
 
susan keyla mendes ferreira em 18/07/2012 09:46:15
So quem passa por uma dor como essa , e sabe que a dor maior e a impunidade se o causador tivesse conciencia de que os seus atos seriam punidos com rigidez jamais ele teria feito essa besteira a culpa e de nossa legislaçao branda demais homicídio e homicídio, acidente e acidente ou trata dessa forma ou vamos continuar sofrendo.
 
Daniel oliveira em 18/07/2012 07:49:27
Ta e ai o cara ta preso ou ta solto, eis a pergunta, provavelmente deve de estar solto, vivo e tranquilo. é uma pena.
 
francisco carlos em 18/07/2012 07:44:52
O que mais revolta é que essa esposa/mãe chora a perda dos entes queridos, pela falta de responsabilidade, pela inconsequência e certeza de impunidade de alguém que, sem CNH se achou capaz de dirigir. Será que essa criatura não conseguiu mensurar o quanto poderia prejudicar a si e aos outros, com esse gesto tão leviano e estúpido? Que Deus conforte o coração dela, pela dor da perda.
 
Regina Barbosa Lima em 18/07/2012 07:37:47
Creio que se a polícia de trânsito fizer blitz sobre os carros, diminuirá muito o índice, pois elas tem sido feitas apenas para motociclistas. Triste esta história. Dá um aperto no coração muito grande.
 
Márcio Patrocinio em 18/07/2012 07:04:10
Meu Deus, que tristeza...
Senhor, que o coração dessa mulher seja confortado e ela possa superar essas perdas...
Que Deus a abençoe...
 
ana paula oliveira em 18/07/2012 06:42:20
A vida para os irresponsáveis não tem valor e o que é pior, a cada dia aumenta o número de irresponsáveis que conduzem veículos sem a mínima prudência. Campo Grande precisa de uma fiscalização efetiva aos condutores de veículos, entendo até que a legislação de trânsiot deveria ser alterada para punir com mais rigor os irresponsáveis no trânsito. A vida dos inocentes agradece. Vamos a luta.
 
Melo Irmao em 17/07/2012 09:01:06
Parabéns pelo texto. Ajuda a entender perfeitamente a dor dessa mãe. Histórias como essa aumenta nossa indignação diante dos nossos nobres deputados que vivem tão preocupados com seus bolsos e não se dedicam nem um pouco para mudar nossas leis. A pessoa que mata no trânsito em situações em que assume o risco de causar um acidente deveria responder exatamente como aquele assassino que usa uma arma.
 
Sergio Tomé em 17/07/2012 07:09:05
Que as pessoas denunciem todo tipo de irregularidade na direção veicular, que filmem, fotografem, enfim registrem os abusos e mandem para os órgãos competentes e para a imprensa; vamos entrar de corpo e alma no combate à violência no trânsito.Digo p/ registrar em fotos e vídeos pq às vezes não dará tempo p/ a polícia chegar ao local.Que tal usar as redes sociais!?
 
laercio souza em 17/07/2012 06:31:00
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions