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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

29/02/2012 14:30

Promotor diz que réu é "racheiro" e mente; Defesa aponta falta de provas

Aline dos Santos e Nadyenka Castro

“Racheiro”, mentiroso e irresponsável: palavras que resumem o perfil de Anderson sob a ótica da acusação

Anderson assiste ao julgamento de cabeça erguida. (Foto: Marlon Ganassin)Anderson assiste ao julgamento de cabeça erguida. (Foto: Marlon Ganassin)

“Racheiro”, mentiroso e irresponsável. As três palavras resumem o perfil apresentado pela acusação contra Anderson de Souza Moreno, de 20 anos, que vai a júri popular nesta quarta-feira pela morte de Mayana de Almeida Duarte.

No banco dos réus, também está Willian Jhony de Souza Ferreira, que confessou disputar racha com Anderson antes do acidente, mas foi contra o segundo acusado que a promotoria centrou as acusações. Anderson era o condutor do Vectra que atingiu o Celta conduzido pela jovem.

Ponto a ponto, o promotor Douglas dos Santos mostrou as contradições do depoimento de Anderson. Sobre a disputa de racha, que segue sendo negada pelo réu, o promotor conta que os vizinhos relataram aos policiais que os acusados eram conhecidos pela prática.

“Anderson de Souza Moreno é racheiro”, afirma o promotor. O Vectra era rebaixado e, no Orkut (rede social na internet), havia menções sobre disputa de racha. Em 13 de junho de 2010, portanto às vésperas do acidente, Anderson recebeu o seguinte recado: “Vamu marcar no sabadão, tomar uma gela e tirar um racha ai véio”. Conforme, dados do Google, as mensagens entre 20 de fevereiro e 14 de junho foram apagadas. O fato é negado pelo acusado.

Em 2007, quando ainda era menor de idade, Anderson se envolveu num acidente que provocou a morte do motociclista Waldir Ferreira. Em fevereiro de 2011, quando já estava sem CNH (Carteira Nacional de Habilitação) devido ao acidente com Mayana, ele foi flagrado dirigindo na contramão. A prisão foi decretada no dia 2 de março de 2011 e se entregou na delegacia 12 dias depois.

“Esse rapaz mente da hora que abre a boca até a hora que fecha”, acusa o promotor. Atrás das grades, em 4 de agosto de 2011, ele foi flagrado com um celular.

Álcool e direção - Outra questão divergente era o consumo de álcool antes do acidente. Primeiro, Anderson afirmou ter ingerido duas latinhas de cerveja. Hoje, além das latinhas, disse que bebeu uma dose de tequila.

Em foto tirada no bar, ele aparece segurando garrafa de cerveja. De acordo com o promotor, a comanda com o nome de Anderson, que estava no bar Valentino, era de “músico com acesso livre ao bar”.

Na época, ele era fiscal da ordem dos músicos. Portanto, conforme a acusação, as latinhas e a dose de tequila foram o mínimo que ele bebeu. A comanda de Willian acusa consumo de três garrafas de cerveja e a de Keneth Gonçalves Pereira da Silva, três tequilas.

Amigo dos réus, Keneth chegou a responder por falso testemunho. Passageiro do Uno conduzido por Willian, ele afirmou que foi o único dos três amigos a beber antes do acidente.

A acusação também assegura que Anderson bateu no Celta de Mayana ao furar o sinal vermelho. Além do relato de testemunhas, o promotor requisitou informações sobre o funcionamento da Onda Verde. Com base na velocidade do Vectra, 110 km/h, e o tempo de abertura do semáforo, Douglas dos Santos, afirma que o condutor furou quatro sinais: nas ruas Bahia, 25 de Dezembro, 13 de Junho e José Antônio.

A promotoria pede que ele seja condenado por homicídio doloso qualificado por motivo torpe (disputa de corrida por espírito de emulação, exibicionismo), surpresa e embriaguez. Durante a acusação, Anderson permaneceu de cabeça erguida. Em algumas passagens, balançava a cabeça discordando do que era dito.

Vingança – Advogado de defesa de Anderson, Antonino Moura Borges afirma que cabe somente acusação por homicídio culposo (sem intenção de matar). Segundo ele, não há provas contra o reú e a acusação é baseada em indícios. “O Direito não pode virar vingança”.

O caso - De acordo com a acusação, os dois réus disputavam um racha na avenida Afonso Pena, sentido bairro/centro, na madrugada do dia 14 de junho de 2010. Anderson, com um Vectra, à 110Km/h, passou à frente de William, que conduzia um Fiat Uno.

No cruzamento com a rua José Antônio, o Vectra bateu no Celta dirigido por Mayana. Testemunhas disseram que ele passou no sinal vermelho. Ele estaria embriagado. Mayana foi levada em estado grave para o hospital e morreu 10 dias depois.




Se o codigo penal não resolve, espero que os pais da Mayana recorrem ao codigo civil. Cabe pedir ressarcimento por danos materiais (o Celta, gastos com advogados neste processo, custos do enterro, ...) e danos morais.

Já que com certeza a seguradora do Vectra (se houver) vai negar-se a pagar tal indenização, o Anderson vai ter que pagar em dinheiro pelo que fez, pelo menos. Não tem como evitar!
 
Marcos da Silva em 29/02/2012 06:36:39
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