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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

05/07/2013 09:05

Quinta no ranking de menores ao volante, Capital aposta na educação

"Dirijo carro, piloto moto", confessa menino de 15 anos. De 2011 a 2013, 153 “condutores” entre 11 e 17 anos se envolveram em acidentes.

Aline dos Santos
Tragédia: adolescente de 15 anos morreu em capotagem. Motorista do carro tinha a mesma idade. (Foto: Fernando da Mata/Arquivo)Tragédia: adolescente de 15 anos morreu em capotagem. Motorista do carro tinha a mesma idade. (Foto: Fernando da Mata/Arquivo)

Todo mundo sabe de histórias de adolescentes que dirigem. Quem não tem um exemplo na família, conhece caso de amigo próximo ou tem conhecimento pela imprensa? Ainda assim, assusta quando a realidade é exposta em números.

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Pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta que Campo Grande é a quinta capital do País no ranking de garotos entre 13 e 15 anos que dirigem. Para mudar esse dado, escolas públicas têm projeto voltado para educação no trânsito e o Detran/MS (Departamento Estadual de Trânsito) dá ‘curso’ como forma de punição e orientação aos pais dos infratores.

A advogada Michele Menegat Nunes, de 35 anos, conhece o lado trágico dessa conduta, misto de irresponsabilidade e vontade de ser “grande”. Já são quase dois anos de convivência com uma lembrança inconsolável: ela perdeu o filho de 15 anos em um acidente de carro. O veículo era dirigido por um garoto da mesma idade.

“Se a pena fosse devidamente aplicada, muitos pais não deixariam os filhos dirigirem um carro”, enfatiza a mãe.
A tragédia veio no dia 19 de novembro de 2011, um sábado. O filho de Michele havia feito uma prova na escola e depois, junto com amigos do colégio, foi para uma festa na casa de um deles.

A bebida acabou e José Eduardo Menegat Tavares Manzione entrou no Honda City dirigido por outro adolescente. No automóvel havia mais cinco garotos. Quando eles retornavam da conveniência onde compraram cerveja, o condutor perdeu o controle da direção do veículo ao fazer uma rotatória.

O carro bateu em uma árvore e capotou várias vezes. José Eduardo morreu no local e os demais ficaram feridos. Na denúncia feita à Justiça, o advogado da família da vítima argumentou que o adolescente conduziu o veículo a velocidades extremas, chegando a atingir 200km/h.

O motorista do automóvel tinha 15 anos quando o acidente aconteceu. Mesma idade de um estudante de uma escola pública de Campo Grande que confessa: “Dirijo carro, piloto moto. Meus pais não deixam eu pegar [veículo deles], por isso pego dos meus amigos”, conta.

Os dois meninos são exemplos do resultado da Pense (Pesquisa Nacional do Escolar), feita ano passado com 1.953 estudantes do 9º ano de escolas públicas e privadas da Capital.O resultado mostra que 28% deles responderam que dirigem veículos. É o maior índice da região Centro-Oeste e está acima também da média do Brasil, que é de 27,1%. 

Na sala de aula, o estímulo à consciência – A Secretaria de Estado de Educação em parceria com o Detran implantou em escolas estaduais de Campo Grande e de mais 27 municípios o Programa Trânsito na Escola: Formação do Jovem Condutor.

Desde 2011, o programa leva a estudantes de 14 a 17 anos de 82 escolas, em aulas em período extraclasse, orientações sobre trânsito seguro. Atualmente, 3.776 alunos participam do curso ministrado por instrutores com nível superior custeados pelo Detran.

Em duas horas aulas semanais, eles aprendem noções de direção defensiva, primeiros socorros, de proteção ao meio ambiente, de funcionamento de veículos e convívio social no trânsito.

Para os flagrados, a Justiça - Menores de 18 anos flagrados conduzindo veículos – seja em fiscalização ou por envolvimento em acidente – são encaminhados para o Premi Junior (Programa de Reabilitação do Menor Infrator), realizado pelo Detran-MS.

A cada turma, um grupo de adolescentes, encaminhado por promotor ou juiz, é provocado a refletir sobre as consequências de assumir o comando de um volante ou o guidão de uma motocicleta. Alem de legislação de trânsito, eles recebem atendimento psicológico e visitam o setor de ortopedia da Santa Casa de Campo Grande, ocupada majoritariamente por vítimas de acidentes de trânsito.

“Para saber o que causa um menor na direção e as consequências da atitude. É um ato ilegal perante o Estatuto da Criança e Adolescente e a legislação”, afirma a diretora de Habilitação e Educação de Trânsito do Detran, Elizabeth Félix. Nas aulas, os adolescentes afirmam que dirigem melhor que os pais ou que, como podem votar, também podem dirigir.

Mas, nas ruas, os números expressam outra realidade. Em 2011, 16 “condutores” com idade até 11 anos se envolveram em acidente. Em 2012, foram 14. Neste ano, já são cinco. Segundo estatística do Detran, entre 2011 e 2013, 153 “condutores” entre 11 e 17 anos se envolveram em acidente.

“É a ansiedade do amadurecimento. O carro para o menor está ligado à autoestima, autoafirmação, fazer exibicionismo para o grupo. Ele pode, ele sabe dirigir”, explica a diretora. Nessa idade, o dirigir vem acompanhado da alta velocidade e disputa de racha. Basta o roncar do motor ou o cantar do pneu para a rua virar pista de corrida.

Para os pais, punição - O programa exige a participação dos pais. Pois, muitas vezes, quem deveria educar acaba sendo mau exemplo. Em nome de pequenas comodidades, eles permitem que os filhos estacionem o carro na garagem, vá a um supermercado no bairro ou leve o irmão mais novo para a escola. A resposta padrão de que não sabiam, por vezes cai por terra no relato dos próprios adolescentes.

“O pai falar que não sabia não tem fundamento legal. O pai é responsável pelo menor, independente dele saber ou não”, salienta Elizabeth Félix.

Os adultos não escapam da responsabilização. De acordo com a diretora, a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) é suspensa, o veiculo apreendido e o proprietário recebe multas. O juiz pode determinar que o participante, que já tenha completado 18 anos, só faça processo para obter CNH após a conclusão do programa.

Em média, cada turma fica um mês no Premi Junior. Mas caso o grupo de mostre resistente à mudança de atitude, os ensinamentos podem levar mais tempo. A preocupação é evitar a reincidência, ou seja, que os menores de idade voltem a conduzir veículos pelas ruas. O programa é desenvolvido em parceria com a UCDB (Universidade Católica Dom Bosco).

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Os adolescentes infratores deveriam também ser penalizados (prestação de serviços comunitários em asilos, abrigos, garis) assim poderiam "refletir" sobre sua irresponsabilidade. As leis brasileiras deveriam ser mais severas em relação a este tema. Punição em dobro aos pais que permitem tamanha falta de respeito com o trânsito e com todos que neles circulam.
 
Beatriz Souza em 05/07/2013 19:09:14
Investir em educação não adianta nada quando todos sabem que a fiscalização não existe!!! Falta polícia na rua para multar os infratores e evitar os acidentes!!!!
 
Eloy Marques em 05/07/2013 18:36:47
Acredito que o ato dos jovens querem logo ser maduros se utilizando de bens materiais já é a prova de que seus pais não os educaram bens. Ser madura não tem idade, ser madura e ter responsabilidade. No caso de dirigir na minha opinião educação de transito deveria ser matéria obrigatória nas escolas e não como punição. Os jovens poderias tirar carteira com 16 anos (como em alguns países), mas caso cometesse alguma inflação teria a carteira aprendida (não usaria o critério normal para os de maiores de 18) e so poderiam tirar nova CNH com 18. o problema e que tudo so pode se fazer com 18 ai, ja viu, pode dirigir, pode comprar bebida alcoólica e assim vai. Talvez dosando a responsabilidade e mostrando suas consequência ele possam vim a refletir, ja que os jovens de 16 ja tem o direito ao voto
 
julia abreu em 05/07/2013 15:26:59
Só educação sem reprimenda adequada não resolve muito.
Equivale a passe livre para impunidade, como temos visto, tanto pra menores e adultos infratores, quanto aos pais permissivos e incapazes de impor limites, e que na verdade não identificam mal algum permitir a infringência legal da direção sem carteira, aliada ao consumo tbém ilegal de álcool e velocidade acima da permitida. Várias infrações e um resultado trágico, só que mto mais trágico para as vítimas e suas famílias do que para os infratores que seguem adiante.
 
Adriano Magahães em 05/07/2013 14:29:07
A maioria dos que agora jogam pedras aprenderam a dirigir em tenra idade e alguns chegaram a causar acidentes. O que mata não é a pouca idade e sim a falta total de educação que os "Expertos no assunto" nos colocaram goela abaixo a partir dos anos 80.
 
Carlos Roberto em 05/07/2013 13:38:44
se houvesse blitz que pegasse a mulecada dirigindo e fosse instaurado processo no nome dos pais isso acabaria, mas tinha que ser xulapada mesmo, tipo suspender habilitação dos pais e multa de 5 mil ou de acordo com a situação, quanto mais rico maior o valor da multa, acho que resolveria, mas o governo não faz isso, se fosse pra arrebentar com os pobres eles fariam, mas pobre não tem carro e se tem não deixa o filho passar nem do lado.
 
MAXIMILIANO RODRIGO ANTONIO NAHAS em 05/07/2013 12:26:24
Agetran, Ciptar, Prefeito, Governador e a quem mais possa interessar o assunto
Faço a seguinte proposta: Durante seis meses contínuos façamos campanha de conscientização no trânsito. Vamos gastar com cartazes, faixas folders etc... vamos para as escolas falar sobre trânsito dar palestras (eu mesmo sou voluntario para isso)
Depois, durante seis meses contínuos, vamos multar os errados, mas multar mesmo, sem dó nem piedade, colocaremos todos os agentes e policias disponíveis para aplicar multas NA CIDADE TODA e não só no centro. Multa por excesso de velocidade, por se falar ao telefone, por pilotar moto de chinelo, por fazer conversão sem dar SETA, sem contar é claro os sem habilitação documentação vencida, alcoolizado, drogado etc. Depois saberemos qual campanha deu mais resultado. QUE TAL?
 
Alex André de Souza em 05/07/2013 12:24:32
" é provocado a refletir sobre as consequências de assumir o comando de um volante..." façam me o favor né. já não chega ser o palhaço espectador desse transito monstro ainda sou brigado a ouvir que um jovem vai refletir sobre alguma coisa que não seja balada e carro. Deem uma cédula de 100,00 para um jovem, se ele rasgar é maluco, se comprar drogas ou álcool ele esta em condições de ASSUMIR A RESPONSABILIDADE PRO SEUS ATOS, mas como a LEI não deixa, então que os pais paguem e paguem muito CARO pela irresponsabilidade dos filhos.
 
Alex André de Souza em 05/07/2013 12:00:19
Dever-se-i-a era dar uma "camaçada" de "pau" nos pais que permitem aos filhos, a pratica de dirigir. Digo isso como um profundo "desabafo" de um homem honesto, que paga tributos e vive em um Pais em que impera as leis formais,e que, portanto, vigora a "supremacia do interesse dos que agem com ilicitude".
 
Edson Chaves em 05/07/2013 11:32:00
O que deveria ser feito, é mudar a forma de tirar a CNH, pois qualquer um passa por um processo simples para tirar a mesma, depois pensam que porque tem habilitação, já são experientes o suficiente pra andar feitos loucos sem consciência;
Andar em um carro de auto escola é uma coisa, veiculo normal e outra coisa, e mais, não existe motorista experiente assim que sai do detran, a experiência é adquirida com o tempo.
 
Anderson Silva em 05/07/2013 11:18:08
Uma coisa que deveria começar a ensinar sinalização, é o tempo todo desviando de ciclista na contra mão, etc.. e ai esse ciclista compra moto ou carro e continua com os mesmo hábitos!!
 
Caio Prado em 05/07/2013 09:52:43
Isso só comprova o descaso de nossa policia para com os condutores de automóveis, 100% das blitzes de Campo Grande trabalham parando somente motocicletas, com isso as famílias se sentem a vontade para deixar seus filhos menores de idade dirigir carro, pois carro a policia não para, nosso departamento de transito e policia militar estão ridículos na gestão desde sempre, nunca foi boa esta área, nossa cidade não era para ter meio metro de engarrafamento, mas a ineficácia dos serviços que só gastam e nada dão em troco fazem com que hoje tenhamos transito em certos horários quase que na cidade inteira, é lamentável o que se gasta e o que temos de retorno...
 
MAXIMILIANO RODRIGO ANTONIO NAHAS em 05/07/2013 09:50:19
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