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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

22/09/2011 11:52

Rapidez, conforto e economia do transporte particular boicotam o "Dia Sem Carro”

Paula Vitorino

Falta de consciência é apontada como principal causa do boicote ao Dia; pequenas iniciativas, como ir à padaria perto de casa, são o começo

Dentro do veículo, motorista diz que não troca seu carro por nada. (Fotos: João Garrigó)Dentro do veículo, motorista diz que não troca seu carro por nada. (Fotos: João Garrigó)

Deixar o carro ou moto em casa e optar por ir trabalhar utilizando algum dos transportes alternativos é algo raro, até impossível, pelo menos para a maioria dos condutores. Em Campo Grande o costume já parece “lei” e o reflexo pode ser visto mais nitidamente nesta quinta-feira (22), quando os motoristas são convidados a comemorar o Dia Mundial na Cidade Sem Meu Carro, mas as ruas continuam abarrotadas de veículos.

Também vale considerar que todos os motoristas que a reportagem conversou nesta manhã afirmaram não ter nem ao menos conhecimento de que hoje o movimento acontece em todo o mundo.

“Já ouvi fala desse Dia, mas não sabia que era hoje. Nem ouvi fala”, garante a aposentada Vera Mattiello, de 59 anos.

Mas quando a pergunta é sobre deixar o transporte particular por um alternativo, a resposta negativa é unanimidade. A maioria tem argumentos fortes, que vão desde a segurança, rapidez, economia até o conforto. Todos, ainda, garantem que alternariam o uso do transporte coletivo se este oferecesse as características citadas acima.

O contabilista Marcio da Silva, de 33 anos, anda pela cidade de motocicleta e explica que optou por comprar o veículo para economizar dinheiro e tempo.

Pelas contas de Marcio, o gasto em uma semana com combustível para pilotar a moto até o trabalho ou outros locais é de R$ 20. Se tivesse que pagar a passagem de ônibus teria que desembolsar R$ 50.

“É uma economia de R$ 30. Só deixaria meu veículo em casa se o transporte coletivo fosse mais barato e de qualidade, aí poderia alternar. E também não troco minha moto por um carro”, frisa.

A frota de veículos na Capital já beira os 400 mil para uma população de cerca de 800 mil, o que equivale a um veículo para cada duas pessoas. As motocicletas representam mais de 90 mil deste total, sendo o transporte considerado pelos órgãos de segurança com o maior número de vítimas em acidentes de trânsito.

São considerados meio de locomoção alternativa todos que contribuem para a fluidez do trânsito e menor emissão de poluentes – bicicleta, metro, ônibus e a pé.

De carro é melhor - O comerciante Antonio Fagiolo, de 79 anos, diz com toda certeza que não troca o seu carro por ônibus ou qualquer outro transporte alternativo pela agilidade que consegue utilizando o veículo particular.

“Com o carro eu vou mais rápido onde quero, se tivesse que pegar um ônibus ia demorar muito”, diz.

Ele conta que já usou muito o metro e ônibus no estado de São Paulo, mas há 30 anos, quando segundo ele o trânsito não era um caos. “Aquele tempo dava para usar. Se aqui o transporte público fosse bom quem sabe poderia alternar o uso”, diz.

Só duas quadras - Já a auxiliar de serviços gerais Derci de Assunção, de 43 anos, admite que às vezes deixa de caminhar algumas quadras para ter o conforto do carro. Hoje ela foi ao mercado a duas quadras do serviço a pé, mas conta que muitas vezes o motorista do serviço alivia o esforço das funcionárias e leva de carro para fazer as compras.

No entanto, ela afirma que nem sempre foi assim. Há alguns anos atrás quando não tinha carro a locomoção era feita a pé.

“Ia de a pé, bicicleta, a gente se virava, não tinha preguiça. Agora com o carro é raro deixar ele em casa para ir a pé”, confessa.

Aposentada garante que prefere independência de andar a pé. Aposentada garante que prefere independência de andar a pé.

Independência e consciência andando a pé - “Coloco meu tênis e vou para todo quanto é lugar. Na minha casa tem três carros, dos meus filhos e marido, mas prefiro andar a pé”, garante a aposentada Vera.

Ela diz que não gosta de andar de ônibus porque não sente segurança no transporte da Capital e por isso seus pés são o melhor meio de transporte. “Em Porto Alegre você vê todo mundo pegando ônibus, executivo, trabalhador. Aqui o coletivo não tem qualidade, segurança”, frisa.

Vera também ensina que o desapego ao carro é uma questão de costume e o primeiro passo é ir aos locais perto de casa a pé. “Eu acho um absurdo ver vizinhas que vão à padaria que fica a duas quadras de carro. A pessoa tem que ter consciência, andar faz bem”, alerta.

Se fosse lei? - O motociclista Marcio admite que o único para fazer os motoristas trocarem o veículo particular é a medida virando lei.

Mas a chefe da Divisão de Educação para o Trânsito da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), Ivanise Rota, explica que a legislação não cabe ao trânsito da Capital, que segundo ela ainda não apresenta grandes entraves.

Ela frisa que o principal é seguir o conselho da aposentada Vera, e começar mudar a consciência em pequenos hábitos. “A pessoa tem que sentir bem em ir até a padaria a pé, em deixar o carro em casa, com a consciência de que está contribuindo para o bem do coletivo em que vive”, diz.

Para a educadora de trânsito, a adesão ao Dia Sem Carro ainda não muito grande na Capital porque os motoristas ainda não sentiram o caos nas ruas, como já acontece em grandes metrópoles. “Os motoristas só começam a dar importância a campanha quando sentem o problema”, frisa.

E o caminho para conscientizar a população e deixar o trânsito mais seguro é o investimento no transporte coletivo e campanhas como a desta quinta-feira.

“A população tem que ter pelo menos um dia para pensar, refletir sobre o problema e o governo tem que fazer sua parte nos investimentos do transporte”, frisa.

O Dia Mundial na Cidade Sem Meu Carro será comemorado na Capital com passeio ciclístico às 19h, saindo da Orla Morena e com a presença de autoridades. A programação por todo país pode ser conferiada no site:

Motociclista que seguia no acostamento escapa por pouco de acidente
O flagrante na BR-163 foi enviado por uma leitora através do canal Direto das Ruas. A TV News esteve no local e constatou diversas irregularidades....
Adolescente que colidiu em caminhão estava com moto irregular
Rapaz de 16 anos ficou ferido ao furar um sinal vermelho e bater em um caminhão na manhã desta terça-feira....



Fácil alegar falta de consciência! Moramos numa capital e, querendo ou não, é uma imensa cidade. Eu moro a 30 quadras do centro da cidade... há pessoas que moram mais longe ainda. Não há ciclovia no centro e nem na maioria das ruas.... não há respeito ao ciclista. Ir de bicicleta é se arriscar. Ônibus? São lotados, demoram e precisa comprar cartão para poder utilizar. Carro é o que nos sobra.
 
Gisele Sena em 22/09/2011 12:19:24
Hoje eu vim aqui pro trabalho de bike, encontrei muita dificuldade pra chegar até aqui, ciclista no tem muito espaço aqui na capital. Tomara que eu volte bem... rs
 
Lucas Gonçalves em 22/09/2011 03:02:04
Dia sem carro? eu moro a mais de 10km de onde trabalho, fico no trabalho e minha esposa anda mais 7km para deixar nosso filho na escola, e só então segue para o seu trabalho... e muitos são assim... vejo o carro como uma ferramenta, uma necessidade, grande bobagem esse "dia sem carro" para quem precisa, para que não precisa é outra história.
 
Luciano Bandeira em 22/09/2011 01:30:10
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