A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Terça-feira, 13 de Novembro de 2018

23/06/2017 14:37

Lembranças e esquecimento

Por Adilson Roberto Gonçalves

xcertos de cartas preteridas por outros veículos de comunicação refletem o que se pretendeu opinar, discutir e comentar. No âmbito cultural e em relação à política internacional, algumas notícias merecem uma maior reflexão ali contida.

Morei na Alemanha em período posterior à reunificação e vivenciei a duplicidade de respeito e crítica a Helmut Kohl – falecido agora –, mesmo dentre seus oponentes que diziam que haviam comprado o país vizinho – a Alemanha Oriental. No meio universitário, a tendência era o voto nos social-democratas, mas admirava-se, mesmo assim, a condução serena e até segura que o chanceler fazia. Ele ganhou um timão de madeira simbólico por isso. Um comportamento difícil de imaginar em nosso país com tanta polarização.

Modernidade e liberdade conviverão ou se conflagrarão dentro da inexorabilidade de nossa existência e do desenvolvimento. O editorial da Folha de S. Paulo de 15/6 (O preço do esquecimento) toma a precaução de trazer os limites da história pessoal para o debate, sem tomar partido, além da decisão jornalística ali expressa. E dialoga com os vinte anos das primeiras imagens digitais feitas por celulares, lembrada na crônica de Roberto Dias na mesma edição (Há 20 anos, a foto que compartilhou uma revolução), símbolo da exposição individual. Ainda há espaço para reflexões sérias e balizadas sobre nós mesmos, ainda que a estrutura política e governamental desmorone.

Nesse sentido, corajosa é a publicação de "Olga Benario Prestes – uma comunista nos arquivos da Gestapo" por sua filha Anita Leocádia. Em tempos incertos, nos quais o boato vale até mais que o fato, é importante a análise do arquivo nazista, ainda que provavelmente incompleto. Pelo volume de documentos, era esperada uma obra de maior fôlego, como a própria autora afirmara antes, mas que seja representativa de mais esse pedaço triste e antes nebuloso de nossa história. E que o livro não se torne tão indisponível para venda, como o anterior sobre Luis Carlos Prestes.

Por fim, uma lembrança quanto a questão que contrapõe conhecimento e crença. Se até o "design inteligente" é defendido por renomados cientistas, o que dirá a homeopatia, assunto sobre o qual pesquisadores da USP têm debatido. Os efeitos da auto-sugestão são conhecidos, mas o que se vê é a exacerbação da promessa de cura por meio da crença. A questão por trás disso é o poder religioso (mítico, místico, ou qualquer outra denotação), não apenas no meio político e social, mas também no científico. Feito um câncer, destrói o organismo consciente que luta para sobreviver de forma mais esclarecida.

*Adilson Roberto Gonçalves, doutor em química pela Unicamp, livre-docente pela USP e pesquisador do Instituto de Pesquisa em Bioenergia da Unesp-Rio Claro

Como destravar o comércio exterior
Como parece que o presidente eleito Jair Bolsonaro desistiu de incorporar o MDIC (Ministério da Indústria, Comércio e Exterior e Serviços ao Ministér...
O bilinguismo no século XXI
Dominar uma segunda língua - no caso o inglês, atualmente utilizado entre falantes de outros idiomas para se comunicarem no mundo - traz amplos benef...
Melhorar o PIB e os empregos
Grande parte dos problemas do Brasil refere-se ao descontrole das contas internas e externas, da falta de dar atenção ao que é prioritário e aos horr...
Seguindo em frente
Em minhas andanças por esse mundo afora conheci Alberto Braga. Descendente de portugueses que tiveram o auge familiar durante o ciclo da borracha, ho...


imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions