ACOMPANHE-NOS    
JANEIRO, SÁBADO  23    CAMPO GRANDE 25º

Cidades

Caminhoneiros podem parar no dia 1º e garantem ação maior que em 2018

Redução no preço do diesel é a principal reclamação, mas o preço mínimo de frete, parado na Justiça, também é foco da categoria

Por Lucia Morel, com agências | 13/01/2021 18:52
Em 2018, greve durou vários dias e desabasteceu todas as regiões. (Foto: Arquivo)
Em 2018, greve durou vários dias e desabasteceu todas as regiões. (Foto: Arquivo)

Caminhoneiros autônomos de todo o País podem definir esta noite se entram em greve a partir de 1º de fevereiro. A categoria promete mobilização maior que a de 2018, quando o Brasil parou diante do protesto que durou dias e provocou desabastecimento em todas as regiões.

O grupo se reúne esta noite às 20h para tentar angariar apoio e definir as pautas de uma nova greve nacional. A assembleia geral, por videoconferência, foi convocada por Plínio Nestor Dias, presidente do CNTRC (Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas). Ele diz que a paralisação será pacífica.

"O que você está achando, meu irmão? O senhor tem condições de rodar com seu caminhão nesse País, com combustível caro, insumo caro, tudo aumenta, tudo sobre e o frete está uma desgraceira. Pessoal, 250 litros de diesel está quase R$ 1 mil. Não tem mais cabimento”, enfatiza Dias.

Segundo ele, “de Curitiba para São Paulo sobra R$ 150 no final da viagem e está com o tanque seco, não sobra nada. Quem acha que a situação está ruim, pare dia 1º", convoca, lamentando que “tem pessoas aí que ficam atrás de lideranças que se dizem de caminhoneiros alegando que não precisa parar. Isso é uma afronta”.

As últimas tentativas de greve da categoria não vingaram por rachas entre as diversas entidades representativas no País. O governo federal aposta justamente nessa divisão para tentar desmobilizar a greve.

Na Região Sul, caminhoneiros prometem em grupos de WhatsApp bloquear cidades e fábricas de alimentos, o que pode afetar o abastecimento de supermercados.

Já o presidente da ANTB (Associação Nacional do Transporte Autônomos do Brasil), José Roberto Stringasci, diz que essa poderá ser uma paralisação maior do que a realizada em 2018, devido ao grau crescente de insatisfação da categoria, principalmente em relação ao preço do diesel e às promessas não cumpridas após a histórica greve no governo Temer.

Conforme ele, a alta do preço do diesel é o principal motivador da greve, mas conquistas obtidas na paralisação de 2018, que chegou a prejudicar o abastecimento em várias cidades, também estão na lista de dez itens que estão sendo reivindicados ao governo para evitar a greve.

"Esse (diesel) é o principal ponto, porque o sócio majoritário do transporte nacional rodoviário é o combustível (50% a 60% do valor da viagem) Queremos uma mudança na política de preço dos combustíveis", informa.

Outras reivindicações são o preço mínimo de frete, parado no Supremo Tribunal Federal (STF), após um recurso do agronegócio, e a implantação do Código Identificador de Operação de Transporte (Ciot), duas conquistas de 2018.

Para resolver a questão e evitar uma greve, os caminhoneiros querem uma reunião com a presença do presidente da República, Jair Bolsonaro, que recebeu o apoio da categoria nas eleições de 2018.

"A categoria apoiou ele em 100% praticamente nas eleições. Então agora exige a presença dele na reunião", explica.

Stringasci diz que a greve já tem 70% de apoio da categoria e de parte da população, diante de preços em alta não apenas no diesel, mas em outros combustíveis, alimentos e outros itens que elevaram a inflação em 2020.

"Eu creio que a greve pode ser igual a 2018. A população está aderindo bem, os pequenos produtores da agricultura familiar também. Se não for igual, eu creio que vai ser bem mais forte do que 2018", alerta.

Nos siga no Google Notícias
Regras de comentário