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Campo Grande, Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2018

04/05/2014 10:03

Caixa d’água desaba, azulejos caem e condição de casas populares revolta

Luciana Brazil
Paredes estão desabando e moradores se revoltam com imóvel. (Fotos: Marcelo Victor)Paredes estão desabando e moradores se revoltam com imóvel. (Fotos: Marcelo Victor)
Bruno mostra parte dos azulejos que caiu na sua casa. Bruno mostra parte dos azulejos que caiu na sua casa.

Moradores do Residencial João Alberto Amorim, no Jardim Caiobá, em Campo Grande, estão revoltados com a condição dos imóveis entregues pela prefeitura em junho do ano passado. Até uma caixa d’água já desabou sobre uma das residências populares. Além das rachaduras, as casas estão com portas mal colocadas, azulejos caindo das paredes e pisos mofados.

“Estamos aqui há 10 meses e a casa já está caindo. Tinha apenas um azulejo oco na parede da cozinha e quando o pedreiro foi mexer desabou vários azulejos”, contou indignado o cabeleireiro Paulo dos Santos Santiago, 23 anos.

Das 292 casas do residencial, várias têm apresentado problemas, segundo os moradores.

“Pelo menos cinco casas tiveram problema com a caixa d’água. Uma desabou e as outras estão com vazamento. Na casa ao lado, está tudo mofado”, disse o companheiro de Paulo, Bruno de Carvalho, 23 anos.

Paulo e Bruno moram em uma das nove casas do projeto adaptadas para portadores de deficiência.

Revoltados, eles denunciam a qualidade dos materiais utilizados na construção.

Conforme a construtora JBens Participações, responsável pela obra, a Caixa Econômica Federal (CEF) vistoriava os imóveis duas vezes na semana.

O arquiteto da construtora, Renato do Amaral Oliveira, garante que todo o processo foi acompanhado.

Ele disse ainda que as residências recebem todos os reparos necessários e afirma que a empresa oferece assistência aos moradores por meio de uma empresa terceirizada, a Cosil.

“Nós não deixamos de atender os moradores. Todas as casas recebem reparo”, garantiu Renato.

No mês passado Renato levou os funcionários da Cosil até a casa de Paulo e os azulejos começaram a ser colocados.

Porém, segundo Bruno, foi preciso brigar ao telefone com a empresa para conseguir os consertos. “Eu preciso me humilhar para que eles venham aqui”.

Eles ainda dizem que são mal tratados pelos funcionários da JBens. “Na frente da mídia eles são de um jeito, uma seda”.

Mas Renato rebate a acusação. “Não são mal tratados. O problema é que eles não entendem que alguns reparos precisam ser feitos com urgência, mas outros podem esperar dois ou três dias”, disse.

Os imóveis têm seguro de até um ano para reparos, segundo os moradores. “Mas depois disso, vamos ter que tirar o dinheiro do nosso bolso?”, questionou Paulo.

Outra moradora foi pega de surpresa quando a caixa d’água desabou no meio do corredor.

 

Renato garante que os reparos são feitos. Renato garante que os reparos são feitos.

“Eu tinha acabado de sair na varanda para fumar um cigarro quando ouvi um barulho imenso. Achei que a casa estava desabando. Quando corri para ver era a caixa d’água”, conta a dona de casa Valdirene Aparecida da Costa Souza, 31 anos.

Além de destruir parte do telhado e inundar a residência, ela acredita que o incidente tenha afetado também a saúde do filho de 15 anos, que está internado há uma semana.

O adolescente tem microcefalia e lesão cerebral e possui uma traqueostomia para ajudar na respiração, e uma gastrostomia para auxiliar na alimentação enteral.

Quando o telhado desabou, Valdirene lembra que além de poeira, muitas fezes de pombo se espalharam pela casa. Uma semana depois, o menino precisou ser internado com um dos orifícios infeccionados.

“Ele já tem essas cirurgias há mais de dois anos e nunca infeccionou. E eu tenho certeza que foi a poeira ou as fezes que causaram isso”, disse a mãe. A família ainda aguarda o resultado da cultura para saber o que causou o problema no menino.

Valdirene também mora em uma casa adaptada para deficientes por causa do filho.

Renato classificou a queda da caixa d'água como um "incidente, uma fatalidade". 

"Agora é normal as caixas d'água cairem sobre nossas cabeças", ironizou Paulo.  

Residencial- O conjunto de residências populares foi entregue por meio da Emha (Agência Municipal de Habitação) em junho de 2013.

A Caixa Econômica, que liberou a verba para a construção, também acompanhou a execução da obra, responsabilidade da construtora JBens Participações. O projeto começou a ser desenvolvido em 2011 e foi concluído em junho de 2012.

O valor total das casas é de R$ 48 mil, desse montante R$ 3 mil é pago pelos moradores. O saldo devedor é dividido em 10 anos.



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