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Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

20/12/2015 10:47

Donos de cães fazem manifesto de apoio a médico veterinário autuado

Priscilla Peres
Pessoas levaram seus animais em tratamento para a avenida Afonso Pena nesta manhã. (Foto: Cecília Luchese/Direto das Ruas)Pessoas levaram seus animais em tratamento para a avenida Afonso Pena nesta manhã. (Foto: Cecília Luchese/Direto das Ruas)

Dezenas de pessoas se reúnem nesta manhã no Centro de Campo Grande, para manifestar apoio ao médico veterinário André Luis Soares da Fonseca. Ele foi autuado na semana passada pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária, acusado de atender em clínica irregular.

O professor e veterinário André é conhecido em Campo Grande por ser estudioso e defensor do tratamento da leishmaniose, atendendo gratuitamente animais de abrigos, de rua, ou resgatados. Assim que souberam da autuação ocorrida no dia 16, muitas pessoas que já tiveram ou ainda tem animais em tratamento criaram uma página no Facebook chamando para a ação deste domingo.

É o caso de Nilce Lucchese que há quase um ano resgatou um cão das ruas e ao levá-lo a clinica de uma universidade, foi diagnosticado com leishmaniose. Ela conta que no local eles se recusaram a fazer o tratamento e indicaram a eutanásia. "A gente se sente totalmente desamparado no momento que descobre a doença. Depois eu comecei a pesquisar e conheci o trabalho do dr André, que é de anos e fui procurá-lo", diz.

Nilce lembra que assistiu junto com outros donos de cães, uma palestra ministrada por André sobre a doença e o tratamento. "Eu aprendi que é preciso exterminar o mosquito transmissor e não o hospedeiro, que é o cachorro". O atendimento foi gratuito e hoje seu animal vive bem. "Ele é saudável, está vivendo bem. Ficamos feliz pois somos muito contra a eutanásia", afirma Nilce.

Ao saber da autuação do veterinário e do apoio preparado pelas pessoas, ela decidiu ir até a rua 13 de maio com a avenida Afonso Pena nesta manhã se juntar aos demais. "Me lembrei da preocupação que fiquei ao descobrir a leishmaniose e acredito que a doença depende da cidadania de cada um de nós", conta Nilce.

Entidades de apoio aos animais tão foram para a rua nesta manhã. A presidente e fundadora do Abrigo dos Bichos, Maria Lucia Metello, apoiou a ação de hoje em solidariedade ao veterinário André. "Essa é uma iniciativa popular, a maioria das pessoas que estão aqui tem animais em tratamento com ele. E o que ele faz é gratuito", afirma.

Dezenas se reuniram com os animais e placas de apoio. (Foto: Cecília Luchese/Direto das Ruas)Dezenas se reuniram com os animais e placas de apoio. (Foto: Cecília Luchese/Direto das Ruas)

Autuação - No site oficial do órgão, o CRMV/MS (Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso do Sul) informou que no dia 16, durante ação conjunta com a Vigilância Sanitária, autuou um consultório que funcionava irregularmente no bairro São Francisco. E que o ato foi feito visando garantir "a qualidade e a segurança dos mesmos".

De acordo com o conselho, as irregularidades encontradas foram a falta de registro no Conselho, infringindo a Lei nº 5517/68 e artigo 1º da Resolução CFMV nº 592, além da prestação de serviços gratuitos, vedado pelo Código de Ética do médico veterinário.

O conselho esclarece na nota que o atendimento somente poderá ser gratuito em caso de pesquisa, ensino ou de utilidade pública, conforme conta no Código de Ética, bem como com aprovação pelo CONCEA (Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal).

A Vigilância Sanitária municipal autuou o consultório pela falta de licença sanitária, descarte irregular de resíduos perfuro-cortantes, presença de medicamentos controlados de linha humana armazenados em desacordo com a legislação vigente e presença de medicamentos de linha humana vencidos.

Até cachorrinhos ganharam placa durante ato de apoio. (Foto: Cecília Luchese/Direto das Ruas)Até cachorrinhos ganharam placa durante ato de apoio. (Foto: Cecília Luchese/Direto das Ruas)

Outro lado - Ao Campo Grande News, o médico veterinário André Luis esclareceu que o local autuado é sua residência particular, onde eventualmente, atende animais com leishmaniose, mas onde não funciona uma clínica. Ele conta que foi informado que o conselho recebeu uma denúncia contra o local.

Ele terá 30 dias para se explicar da autuação e defende que por ser professor da UFMS (Universidade Federal de MS), ele usa seus atendimentos como fonte para pesquisas desenvolvidas junto a universidade. André defende que é registrado do conselho de classe, sob registro 1404, mas que a autuação foi por causa do local de atendimento, que por sua vez, não tem registro.

"Por causa das pesquisas que faço sobre a leishmaniose que atendo gratuitamente e vou continuar ajudando as pessoas e animais da mesma maneira", afirma ele, que acredita que a ação da semana passada é uma forma de represália ao seu trabalho de tratamento da doença, visto que tanto o CRMV como a Vigilância defendem a eutanásia para esses casos.

Outro possível motivo para a autuação, segundo ele, é uma palestra ministrada por ele em Belo Horizonte há 10 dias, onde informou que iria propor uma ação civil pública contra a Vigilância Sanitária, sob multa de R$ 50 mil, pelo não tratamento dos animais com doença que pode ser tratada.

Sobre a autuação ele afirma que fará sua defesa ao conselho e que para solucionar o problema, irá abrir junto com o Abrigo dos Bichos, um consultório para tratar os animais gratuitamente. Segundo ele, haverá um médico veterinário cadastrado atuando 40 horas semanais, como manda a legislação.



O professor deve se atentar em cumprir estritamente com todas as normas para não abrir brechas para que sofra represálias.
O tema do tratamento da leshimaniose é controverso e é justo e direito dele e da sociedade discordar neste tema da posição do conselho, até porque ainda não existe uma decisão definitiva sobre o assunto, que seria numa ação que chegasse ao STF.
Agora o fato do médico estar envolvido em um assunto controverso e ser uma boa ação para a sociedade não justifica desrespeitar as demais normas vigentes incontroversas. O trabalho de se fazer o certo e o errado é o mesmo, com a vantagem que quando se faz o certo não tem por onde sofrermos com represálias.
 
VINICIUS MOREIRA DE ARAUJO em 20/12/2015 18:46:52
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