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Capital

Impedida de assistir júri, família “acampa” em frente do Fórum e pede justiça

Adimilson Estácio foi morto por dois funcionários da sua funilaria – Jorge Augusto e Alex Golçalves

Por Geisy Garnes e Alana Portela | 15/06/2021 09:35
Com camisetas e faixa com fotos de Adimilson, a família acompanha júri do lado de fora do Fórum (Foto: Marcos Maluf)
Com camisetas e faixa com fotos de Adimilson, a família acompanha júri do lado de fora do Fórum (Foto: Marcos Maluf)

Um ano, dois meses e 14 dias foi o tempo que a família esperou para ver os assassinos do funileiro Adimilson Estácio, de 44 anos, serem julgados. A pandemia, no entanto, impediu que eles acompanhassem o júri popular que acontece nesta terça-feira (15). Motivados pelo desejo de justiça, decidiram acampar em frente ao Fórum de Campo Grande até ouvirem a condenação.

Adimilson Estácio foi morto por dois funcionários da sua funilaria – Jorge Augusto Nogueira de Oliveira e Alex Gonçalves de Oliveira – no dia 1º de abril do ano passado, teve o corpo enterrado às margens de um córrego do município de Rochedo, a 74 quilômetros da Capital e só foi encontrado duas semanas depois.

O crime ganhou repercussão após detalhes cruéis serem relevados com a prisão dos assassinos: eles mataram por medo de serem descobertos como autores do furto do cartão do padrão, usado em compras de R$ 1,6 mil e mesmo assim participaram efetivamente das buscas pela vítima dura as duas semanas em que ela esteve desaparecida.

Hoje, em frente ao Fórum, a família de Adimilson relevou que a traição dos funcionários causou feridas profundas e tornou a dor ainda mais intensa. “Meu tio era uma pessoa boa, tão honesta que foi traído pelos funcionários, foi uma traição pelas costas”, lembra Larissa Estácio de Souza, de 25 anos, sobrinha do funileiro.

Advogada, a jovem optou em não atuar no caso justamente pelo envolvimento emocional. “É uma mistura de tristeza e revolta. Estamos tendo que reviver tudo de novo. Espero realmente que seja feita a justiça. A gente queria muito assistir ao júri, mas o Ministério Público se opôs”, explicou a jovem.

Cerca de dez pessoas permanecem em frente ao Fórum e pedem por justiça (Foto: Marcos Maluf)
Cerca de dez pessoas permanecem em frente ao Fórum e pedem por justiça (Foto: Marcos Maluf)

O motivo alegado pelo órgão público é o agravamento da pandemia em Campo Grande. Sem possibilidade de acompanhar o julgamento no plenário, a família de Admilson resolveu ficar em frente ao Fórum até o fim do júri. “Esperamos um ano, dois meses e 14 dias. Vamos ficar aqui até acabar. Trouxemos comida, máscara, álcool em gel, trouxemos tudo”, conta uma das tias do funileiro, Marinez Estácio, de 54 anos.

Enquanto os acusados são ouvidos, ela lembra detalhes da morte do sobrinho, da pancada na cabeça que o deixou desacordado até o momento em que foi enterrado por Jorge e Alex.

“No outro dia o Jorge foi na casa da minha irmã perguntando sobre o Adimilson. Foi uma traição dupla. Mil e seiscentos reais, isso em dinheiro não significa nada, nessa situação significou a vida do meu sobrinho. Tenho certeza que se eles tivessem contado a verdade meu sobrinho nem ia registrar queixa na polícia, teria perdoado porque eram muito amigos, mas preferiram matar”, lamentou.

Segundo a família, Adimilson namorou uma prima de Jorge e da convivência surgiu a amizade. Na época, o rapaz estava desempregado e o funileiro, na tentativa de ajudar, o chamou para trabalhar com ele. Os dois viviam juntos, frequentavam a casa um do outro e na noite anterior ao crime, jantaram na casa do assassino. Naquele momento, pareciam “bons amigos”, gravaram vídeos dançando e demonstraram confiança e proximidade.

“Somos enganados pelos dois, tanto pelo Jorge, quanto pelo Alex. Meu irmão morreu sem saber quem roubou ele”, reforçou Andreia Estácio.

A frase escrita na faixa carregada pelo grupo de dez pessoas representa, contam eles, o sentimento de toda a família. “Não queremos justiça cega, queremos justiça justa”. Ao Campo Grande News o defensor público Rodrigo Stochiero explicou que a pedido da família, diante da impossibilidade de entraram no plenário, irá acompanhar o julgamento.

“Estão muito abalado e optaram pela defensoria para acompanhar em plenário. Esperamos a condenação dos réus”, afirmou o defensor. Segundo ele, os assassinos são julgados por três crime: homicídio qualificado – que tem pena de 12 a 30 anos – furto qualificado – que vai de 2 a 8 anos e ocultação de cadáver – de 1 a 3 anos.

A previsão é de que os dois réus prestem depoimento nesta terça-feira, além de duas testemunhas, por isso o julgamento deve acontecer até o fim do dia.

Defensor Rodrigo Stochiero representa a família dentro do plenário (Foto: Marcos Maluf)
Defensor Rodrigo Stochiero representa a família dentro do plenário (Foto: Marcos Maluf)


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