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Capital

Pastor recorre à Justiça depois de virar chacota com #vemcomigodandoglória

A polêmica dos tapinhas em uma ex-funcionária da Assembleia de Deus Missões rendeu, agora, ação contra pastora, missionária e site

Por Silvia Frias | 22/01/2021 12:05
Vídeo com os alegados "tapinhas", imagem que derrubou pastor e causou polêmica dentro da ADM (Foto: Reprodução)
Vídeo com os alegados "tapinhas", imagem que derrubou pastor e causou polêmica dentro da ADM (Foto: Reprodução)

A atribulada vida pessoal do pastor evangélico Antônio Dionizio da Silva, 70 anos, liderança da Igreja Assembleia de Deus Missões (ADM), em Campo Grande, chegou à Justiça. O polêmico flagrante em vídeo dos tapinhas na bunda de ex-funcionária da instituição, que ganhou as redes sociais e foi usado na disputa eleitoral da instituição, agora, motivou ação em que figuram como réus o Facebook, uma pastora, uma missionária e site de notícias gospel.

A ação foi protocolada pelo pastor Antônio Dionizio e está tramitando na 11ª Vara Cível de Campo Grande, sob responsabilidade do juiz Marcel Henry Batista de Arruda contra o Facebook, uma pastora, que usa a hastag #vemcomigodandogloria em live divulgada no site, uma missionária do setor 1 e o homem responsável pelo site www.conttei.com.br, que seria pedreiro de Indaiatuba (SP). O site tem como conteúdo principal notícias de pastores em todo Brasil.

As integrantes da igreja e o site divulgaram o escândalo envolvendo o pastor e a ex-funcionária da igreja, Gleicy Motta, 39 anos. Os dois seriam protagonistas de vídeo feito em outubro de 2020, em que o pastor estaria dando tapinhas amigáveis na bunda da mulher.

Dentro da igreja, já circulavam boatos de que os dois fossem amantes e a publicação do vídeo escancarou a polêmica, que custou ao pastor o cargo na presidência da Comadems (Convenção dos Ministros das Assembleias no Estado de Mato Grosso do Sul) e ruptura familiar. Em entrevista em outubro ao Campo Grande News, Gleicy negou o relacionamento com o pastor e disse que as imagens foram editadas e montadas.

Por conta da polêmica, o pastor teria sido alvo de vários xingamentos, listados pelo advogado na ação: “adúltero, síndrome de lúcifer, “sossiopata” puro, prostituto, cafetão, mentiroso, covarde (...) profeta de baal, pastor e sua amante, mamon, por incrível todos estes impropérios são ditos por crentes evangélicos!”

No dia 12 de dezembro, a ADM teve eleição, com vitória da chapa Renovar, liderada pelo pastor João Martins. Essa foi a primeira disputa entre chapas após 22 anos do pastor Dionizio na chefia da igreja.

Campanha – Na ação, o advogado do pastor relata o histórico, que teria sido iniciado na Caravana Evangelística ao Estado de Israel, em 2016, quando o pastor tirou foto Gleicy, quando ela trabalhava como coordenadora de comunicação da ADM. A partir daí, iniciou-se o que chamou de campanha sórdida para retirá-lo à força da presidência da igreja.

Alega que não teve chance de se defender, por conta da velocidade da “propagação das infâmias”, afetando, também, as relações familiares. Por conta dos problemas, ficou com a saúde fragilizada e foi internado por 16 dias, de agosto a setembro de 2020, diagnosticado com trombose de veia mesentérica, ficando em coma induzido.

Depois disso, veio o golpe fatal: “O inimaginável ocorreu no dia 17.10.2020, por volta das 22h00min, estando em seu apartamento, alugado, no décimo andar do prédio, num encontro destinado a convolar noivado, com sua atual esposa, sem saber, estava sendo filmando de forma invasiva, clandestina, criminosa, abusiva pelo lado de fora da janela. Muito provavelmente o vídeo realizado por alguém contratado para este tipo de serviço sujo”, relata o advogado, na ação.

A defesa alega que o vídeo foi editado e que o pastor não deu os alegados tapinhas. Na ação, o nome de Gleicy não é citado, apenas o evento ocorrido no dia do vídeo. Também não fica claro se a atual esposa do pastor seria a ex-funcionária.

Segundo a ação, aproveitando-se da polêmica, a pastora e a missionária estariam “orquestrando levante contra o pastor”.


No dia 5 de janeiro, a missionária e a pastora publicaram lives no Facebook, em que condenam a união do pastor com a nova esposa. A pastora chega a citar nominalmente Gleicy, dizendo que o casamento com o pastor Dionizio é pecaminoso.

Na página da pastora, sob a hastag #vemcomigodandogloria, o vídeo pede a saída do pastor em definitivo da igreja. Na ação, há citações do que foi publicado: “(...) Pastor Antonio Dionizio se vc não sair, Deus vai te tirar, eu não faço parte do seu sistema, eu não faço parte da sua Igreja, eu admiro, dói meu coração por ver que vc o senhor se perdeu nesta caminhada (...) se vc não sair Deus vai te tirar.” Em outro trecho, diz que a igreja nunca irá reconhecer a união.

A missionária também condena a permanência do pastor e critica eventual apoio que os membros da ADM possam manifestar ao casal. “Você vai ver tu que está apoiando esta safadeza”.

Tramitação – Na ação, em tutela antecipada, foi pedida a retirada das lives do Facebook e do conteúdo publicado no site conttei.com.

Na alegação, o advogado cita o direito à inviolabilidade da honra, prevista na Constituição Federal, pois a proteção ao direito à liberdade do pensamento não afasta a proteção constitucional contra ofensas desproporcionais. Também pede que os réus se retratem, com pedido de desculpas e, ainda, pagamento integral das custas processuais.

Preliminarmente, no dia 11 de janeiro, o juiz Marcel Henry Batista de Arruda indeferiu o pedido de tutela antecipada e pediu a citação dos réus em prazo de 15 dias, ficando advertida que, findo o prazo, a ação será considerada revel (quando o citado não se contrapõe ao pedido formulado) e será presumido como verdade o que foi alegado pela parte autora

A reportagem entrou em contato com a pastora e a missionária citada na ação, mas não obteve retorno. Também não obteve contato com o responsável pelo site conttei.com.br

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