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Interior

Ocupando antigo presídio pós-guerra, Casa do Artesão de Corumbá comemora 50 anos

Prédio histórico que abriga artesanato pantaneiro e sustenta famílias será restaurado

Por Silvio Andrade, de Corumbá | 29/11/2025 16:12
Ocupando antigo presídio pós-guerra, Casa do Artesão de Corumbá comemora 50 anos
Uma das lojinhas no interior da Casa do Artesão; portas de ferro de antigo presídio fazem parte do cenário (Foto: Silvio Andrade)

Cinco anos após a Guerra do Paraguai (1864-1870), Corumbá foi reerguida a partir do antigo porto e com as fortificações cercando um quadrilátero em forma de xadrez, onde o projeto urbanístico português consta os primeiros largos (espaços públicos, hoje praças), a primeira versão da Igreja de Nossa Senhora da Candelária, concluída em 1885, e a cadeia pública, edificada em 1875.

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A Casa do Artesão de Corumbá, instalada em um antigo presídio construído após a Guerra do Paraguai, celebrou 50 anos de existência. O espaço, que foi cadeia pública até 1970, passou por transformação significativa em 1975, quando se tornou um importante centro cultural da região pantaneira.Atualmente, o local abriga 16 artesãos que produzem obras com materiais típicos do Pantanal, como fibras de aguapé, couro de peixe e salsaparrilha. A prefeitura anunciou investimento de R$ 4,7 milhões para revitalização do prédio histórico, que faz parte de um projeto maior de restauração do patrimônio cultural da cidade.

Com dez grandes celas, grades reforçadas e paredões, a cadeia foi desativada em 1970 e em 1975 o governo de Mato Grosso ali instalou a Casa do Artesão, uma referência da cultura pantaneira e marco do desenvolvimento das artes locais, sobretudo o artesanato. Com processo de licitação em andamento para revitalização do prédio, o espaço celebrou 50 anos neste sábado.

A Prefeitura de Corumbá, que detém o bem público e executará sua restauração com verba (4,7 milhões) liberada pelo governo federal, reuniu os artistas corumbaenses e convidados para um ato de exaltação a um símbolo de transformação cultural e social da cidade. Onde havia reclusão, hoje florescem liberdade, identidade e expressões da cultura pantaneira, abrigando a criatividade e saberes tradicionais.

“Aqui criei meus filhos depois que deixamos a aldeia. Consegui sustentar a família e sobrevivi”, se expressou a indígena Catarina Ramos da Silva, a Catarina Guató, 76, uma das primeiras artesãs a ocupar o espaço com o ancestral trabalho com fibras de aguapé (planta aquática nativa do Pantanal), premiado e reconhecido nacionalmente. “Esse espaço nos deu forças para lutar, foram tempos difíceis lá atrás, mas superamos.”

Ocupando antigo presídio pós-guerra, Casa do Artesão de Corumbá comemora 50 anos
Prefeito Gabriel Oliveira com os artesãos durante evento comemorativo (Foto: Silvio Andrade)

Processo criativo - Catarina e outros 15 artesãos ocupam as antigas celas com seu riquíssimo artesanato. Os espaços são ocupados por ateliês e lojas de comercialização, abrigando nomes como o artista plástico Jorapimo, que morreu em 2009. Com a restauração e reorganização dos espaços, um dos principais projetos educativo e profissionalizante será retomado: a produção manual e as oficinas de ladrilho hidráulico.

O processo criativo é variada e reflete a riqueza cultural da região, destacando-se os trançados e cestos de salsaparrilha, tapetes e bolsas de aguapé, acessórios em couro bovino e couro de peixe, os pratos decorativos, os trabalhos com sisal e palha de milho. A produção inclui a arte em latas recicladas e peças de madeira, muitas com temática religiosa, tapetes em crochê, grafismo e a suculenta farinha de bocaiuva.

Para a artesã Francisca Garcia Silva, 39 anos, da Associação Amor Peixe, a Casa do Artesão proporciona a sustentação do trabalho realizado por quatro mulheres desde 2003, onde o couro de peixe (tilápia e piavuçu) se transforma em acessórios como bolsas, cintos, carteiras, roupas, agendas, pulseiras e bijuterias. “Temos participado de grandes feiras nacionais, nosso sustento sai daqui desse espaço”, diz ela.

Ao participar das festividades, o prefeito corumbaense Gabriel Alves de Oliveira lembrou que a restauração da Casa do Artesão faz parte de um pacote de quase R$ 20 milhões para intervir em cinco prédios históricos, cujos recursos estavam sendo perdidos por falta de projetos não apresentados pela gestão anterior. “Conseguimos garantir o dinheiro e no início do próximo ano iniciamos a obra desse espaço”, garantiu.

Ocupando antigo presídio pós-guerra, Casa do Artesão de Corumbá comemora 50 anos
Projeto de restauração da casa do artesão (Foto: Reprodução)

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