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Campo Grande, Sexta-feira, 27 de Abril de 2018

24/11/2017 12:00

PF investiga ‘fake news’ e áudios enviados a vítimas de golpe milionário

Operação prendeu quatro pessoas, suspeitos de comandar quadrilha de estelionatários

Anahi Zurutuza
Celso Éder Gonzaga de Araújo, preso no dia 21 de novembro, sendo conduzido para dentro da sede da PF em Campo Grande (Foto: Marcos Ermínio)Celso Éder Gonzaga de Araújo, preso no dia 21 de novembro, sendo conduzido para dentro da sede da PF em Campo Grande (Foto: Marcos Ermínio)

A Polícia Federal de Mato Grosso do Sul abriu inquérito e está “a caça” do autor de uma notícia falsa que passou a ser veiculada em grupos de WhatsApp onde estão as pessoas que compraram cotas em negócio oferecido pela Company Consultoria Empresarial, empresa de Campo Grande, que pertence a Celso Éder Gonzaga de Araújo, o suspeito de comandar golpe que fez ao menos 25 mil vítimas no Brasil. Segundo a PF, a fake news está sendo usada para desacreditar o trabalho da corporação e perpetrar a fraude.

A Company foi o principal alvo da Operação Ouro de Ofir, deflagrada na terça-feira (21) em Mato Grosso do Sul e mais dois estados. Celso Éder está preso.

De acordo com PF, os estelionatários teriam usado o layout do G1 para veicular o título que seria de uma matéria feita pelo jornal on-line da rede Globo.

“Polícia Federal admite erros em Operação Ouro de Ofir, Celso Éder mostra valores que serão pagos a partir de hoje a investidores”, é intitulada a fake news. No subtítulo, está escrito “nós erramos, os valores, de fato, existem”. O suposto print não traz o texto da matéria.

Ainda segundo a PF, assim que tomou conhecimento da situação, a rede Globo enviou declaração oficial negando a autoria da matéria foi enviado ao superintendente da PF em MS, Ricardo Cubas Cesar.

“A imagem (suposto print) permitiu que os estelionatários mantivessem seus golpes pela internet e amealhassem outras vítimas, com propostas de elevadíssimo retorno financeiro resultante de investimentos irrisórios e histórias fantasiosas”, informou a Polícia Federal via assessoria de imprensa.

Aúdios - A polícia também está atrás dos autores de áudios enviados a diversos grupos do WhatsApp e outros aplicativos que reúnem “investidores”, onde os estelionatários disseminam a informação de que a Ouro de Ofir seria um complô contra as operações oferecidas pela Company.

“Tais áudios têm como objetivo gerar confusão às vítimas para que não denunciem e busquem a responsabilização dos autores dos crimes e, em alguns casos, aportem mais recursos para enriquecimento dos criminosos, como restou provado pelas buscas e apreensões realizadas esta semana pela PF e Receita Federal”, informou a nota da PF.

Suposto print, que está circulando pelo WhatsApp (Foto: Reprodução)Suposto print, que está circulando pelo WhatsApp (Foto: Reprodução)
Coletiva da PF no dia da operação; delegado Cleo Mazzoti (no centro) e Guilherme Farias (à direita) (Foto: André Bittar)Coletiva da PF no dia da operação; delegado Cleo Mazzoti (no centro) e Guilherme Farias (à direita) (Foto: André Bittar)

Operação – Policiais federais e servidores da Receita foram às ruas antes da 7h desta terça-feira (21) para cumprir 19 mandados – 11 de busca e apreensão, 4 de prisão temporária e 4 de condução coercitiva, em Campo Grande, em Terenos, Goiânia (GO) e Brasília (DF).
Além de Celso Éder, foram presos Anderson Flores de Araújo e Sidney Anjos Peró. O quarto alvo, Ricardo Machado Neves, está foragido. Eles, segundo a polícia, são “cabeças” do esquema em Mato Grosso do Sul.

O nome da operação, Ouro de Ofir, é inspirado em uma cidade mitológica da qual seria proveniente um ouro de maior qualidade e beleza. Tal cidade nunca foi localizada e nem o metal precioso que seria de origem dele.

Esquema – Conforme divulgou a PF, o grupo dizia que havia uma mina de ouro explorada na época do império e os valores referentes às comissões das vendas feitas para a Europa e aos Estados Unidos pertenciam a uma família de Campo Grande.

O golpe teria começado a ser aplicado em Mato Grosso do Sul por Celso Araújo há ao menos dez anos. Ele dizia ser herdeiro dos valores, aponta a PF. Depois, Celso Éder, neto dele, assumiu os “negócios”.

De acordo com o delegado federal Cleo Mazzoti, os estelionatários integrantes da organização criminosa diziam que a família havia ganhado em uma ação internacional o direito a repatriação de R$ 3 trilhões, mas o acordo judicial previa que 40% do montante fosse distribuído para outros brasileiros.

As cotas mínimas para entrar no negócio eram de R$ 1 mil e os “corretores” prometiam lucro de até R$ 1 milhão, quando o dinheiro fosse repatriado.
Outra modalidade de golpe era a promessa de liberação de uma antiga LTN (Letra do Tesouro Nacional).

A quadrilha chamava as supostas operações financeiras de SAP e Aumetal.

Denúncias - Já está disponível no site da Polícia Federal o formulário que vítimas do golpe milionário investigado na Operação Ouro de Ofir. A corporação também orienta que as pessoas que investiram dinheiro nos “negócios” oferecido principalmente pela Company Consultoria Empresarial façam boletim de ocorrência na Polícia Civil da sua cidade.

Se preferir, baixe o formulário aqui.



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