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Campo Grande, Domingo, 18 de Novembro de 2018


10/07/2018 07:46

Em Moscou, passeio no Bunker 42 é “viagem” ao tempo da Guerra Fria

A fortaleza a 65 metros de profundidade foi construída nos anos de 1950 para proteger o líder Stalin e seus parceiros soviéticos de uma guerra nuclear com os Estados Unidos

De Moscou, Paulo Nonato de Souza
Fachada frontal do Bunker 42 no dia da minha visita nesta segunda-feira. Não havia muita gente, foi tranquilo (Foto: Paulo Nonato de Souza)Fachada frontal do Bunker 42 no dia da minha visita nesta segunda-feira. Não havia muita gente, foi tranquilo (Foto: Paulo Nonato de Souza)

No cenário da Guerra Fria. Difícil não se sentir fazendo parte das disputas estratégicas e dos conflitos indiretos entre os Estados Unidos e União Soviética, que tanto atemorizaram o planeta no período entre 1945, no pós Segunda Guerra Mundial, até a dissolução da união das repúblicas socialistas soviéticas, em 1991, estando no interior do Bunker 42, um lugar a 65 metros abaixo do nível do solo bem no centro da cidade de Moscou.

Foi exatamente a sensação que tive nesta segunda-feira, 9, ao visitar o Bunker construído em 1956, a pedido de Josef Stalin, o secretário-geral do Partido Comunista Soviético, para resistir terremotos e abrigar a liderança soviética no caso de uma guerra nuclear com os Estados Unidos. Confesso que fiquei emocionado ao conhecer o que na época certamente seria inimaginável para qualquer ser que não fosse da extrema confiança de Stalin.

Com entrada por uma rua estreita, a menos de 300 metros da estação de metrô Taganskaya, em uma casa discreta, do tipo que nunca chamaria a atenção, o Bunker 42 era o local ultra-secreto que funcionava como posto de comando alternativo militar da União Soviética, batizado de Tagansky CS-42. Distante apenas 3,6 km do Kremlin, a residência oficial do presidente e sede do alto comando do país, o lugar é simplesmente espetacular por todo o seu conteúdo histórico.

O acesso ao bunker é por uma rua estreita, a menos de 300 metros da estação de metrô Taganskaya (Foto: Paulo Nonato de Souza)O acesso ao bunker é por uma rua estreita, a menos de 300 metros da estação de metrô Taganskaya (Foto: Paulo Nonato de Souza)
O acesso ao bunker é um túnel como se fosse do metrô, mas sem o trem, e com um tapete vermelho gigantescoO acesso ao bunker é um túnel como se fosse do metrô, mas sem o trem, e com um tapete vermelho gigantesco

Durante o passeio de 1h15 por 1.800 rublos (R$ 112), enquanto o guia falava inglês britânico em uma velocidade de quem tem pressa de contar uma longa história em tão pouco tempo, fiz uma viagem ao passado ao caminhar por túneis na época tão secretos.

É fascinante ver os equipamentos de comunicação usados pelas Forças Armadas da União Soviética, as armas, os papéis rascunhados por Stalin e seus generais, a sala de reuniões da elite do Partido Comunista impecavelmente montada sobre tapetes vermelhos, as camas onde dormiam os líderes soviéticos, e ainda mais impactante quando o passeio chega na área do escritório de Josef Stalin, onde há uma espécie de boneco do líder.

O guia conta que o projeto do bunker foi apresentado a Stalin em outubro de 1949 como Bunker on Taganka, que depois passou a ser chamado pelo codinome de Objeto 02 ou ChZ-293. “Havia apenas duas preocupações a considerar, a de que o bunker deveria ser construído em uma curta distância do Kremlin para que os nossos líderes tivessem acesso rápido e fácil no caso de um ataque nuclear americano, e que os trabalhadores, além de discretos para não chamar a atenção da população civil e de espiões estrangeiros, não poderiam danificar o sistema de comunicação de Moscou”, disse ele em um texto que certamente repete seguidas e várias vezes ao dia.

A mesa de reuniões do alto comando do Partido Comunista da União Soviética é uma das atrações do Bunker 42A mesa de reuniões do alto comando do Partido Comunista da União Soviética é uma das atrações do Bunker 42

Construído para suportar a força e o poder de bombardeios nos anos de 1950, o bunker foi a fortaleza dos líderes soviéticos até meados dos anos de 1980, depois se tornou obsoleto ante os armamentos mais modernos e com o fim da União Soviética virou atração turística, onde atualmente há inclusive um restaurante que serve comidas típicas da Rússia. Diariamente grupos de até 50 pessoas visitam o local, e pelo que me informei as visitas são muito concorridas, sempre das 11h30 às 13h30 e das 15h30 às 18h30.

“Depois que os Estados Unidos criaram uma bomba na década de 1940 para destruição em massa, o governo da União Soviética teve que se proteger. Criou o bunker para abrigar os nossos líderes e também a nossa própria bomba nuclear”, disse o veloz guia, um jovem russo que parece viver a emoção da história do seu país em cada palavra que pronuncia, tamanha a sua empolgação.

O bunker tem até restaurante para quem fizer passeios e optar por degustar comidas típicas da Rússia a 65 metros de profundidadeO bunker tem até restaurante para quem fizer passeios e optar por degustar comidas típicas da Rússia a 65 metros de profundidade

Quando perguntei se a preocupação do governo foi apenas proteger os líderes políticos do país de um ataque nuclear, o guia respondeu com a mesma rapidez. “Para proteger o povo o governo construiu os túneis do metrô”, afirmou.

De fato o metrô de Moscou foi inaugurado em 1935, na era Stalin, e as estações são todas muito abaixo do nível do solo em comparação com o sistema de metrô de outras cidades pelo mundo. Algumas como a Park Pobedy, um dos meus trajetos entre o Centro de Imprensa da Fifa e o hotel onde estou hospedado neste período da Copa do Mundo, tem 84 metros de profundidade.



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