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Campo Grande, Segunda-feira, 15 de Outubro de 2018


29/06/2018 16:39

Legado da Copa do Mundo para os russos pode ser o interesse pelo português

Especialista em cultura russa, brasileiro contratado como tradutor da Fox Sports diz que opção pelo português pode vir com o Brasil campeã

De Moscou, Paulo Nonato de Souza
O cearense Cristiano Alves, no Centro de Imprensa da Fifa, em Moscou, durante a entrevista ao Campo Grande News (Foto: Paulo Nonato de Souza)O cearense Cristiano Alves, no Centro de Imprensa da Fifa, em Moscou, durante a entrevista ao Campo Grande News (Foto: Paulo Nonato de Souza)

Especialista em cultura russa, o cearense Cristiano Alves, de 33 anos, disse ao Campo Grande News que será mais fácil o Mundial da Fifa deixar como legado o interesse da população pelo aprendizado de português do que pelo inglês, principalmente se o Brasil for campeão da Copa do Mundo que acontece no país desde o dia 14 de junho, e se estenderá até o dia 15 de julho.

“A esmagadora maioria dos russos nunca esteve em outro país além da Rússia, e assim ignoram uma língua estrangeira. É muito difícil que a Copa do Mundo deixe interesse no inglês como legado. Quem aqui aprende inglês é por obrigação, por trabalhar na área do turismo, empresas com negócios internacionais, coisa assim, mas faz isso muita mais por obrigação do que por gostar do idioma”, declarou Cristiano ao explicar porque na Rússia raramente se encontra russos que falam inglês, mesmo nas ruas de Moscou, a capital do país.

Língua oficial de 53 países e de organismos internacionais importantes, como as Nações Unidas, União Européia e OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), além de segunda língua na grande maioria dos países em todo o planeta, o inglês só entrou na Rússia a partir da década de 1990 com o fim da União Soviética.

Com informações em russo nas placas, é muito comum encontrar pessoas perdidas no metrô de Moscou sem conseguir apoio de pessoas que falam inglêsCom informações em russo nas placas, é muito comum encontrar pessoas perdidas no metrô de Moscou sem conseguir apoio de pessoas que falam inglês

“O inglês é algo muito recente para os russos. Surgiu aqui nos anos 90 por razões óbvias, ou seja, com a derrota da União Soviética na guerra fria. Com isso teve início a hegemonia dos Estados Unidos, e assim vimos surgir uma nova ordem mundial. A língua inglesa nunca foi importante na Rússia, mas a americanização acabou criando a necessidade do inglês, não por intercâmbio, sim por imposição. Aqui muita gente não aceita nem vai atrás de aprender”, revelou Cristiano Alves.

Ele conta que os russos sentem orgulho do seu idioma e do seu país, e por isso é comum o uso da expressão “O Grande Idioma Russo” para enaltecer a língua materna da Rússia.

“Na época da União Soviética (a União das Repúblicas Socialistas Soviética dominou o leste europeu entre 1922 e 1991) nas escolas era ensinado o alemão como língua estrangeira, e até o espanhol. O alemão por conta da Alemanha Oriental, o aliado mais ocidental da União Soviética, que inclusive lá mantinha tropas militares, e o espanhol pela necessidade de ampliar as relações com Cuba”.

Se você se perde no metrô, melhor pedir informações aos jovens. Normalmente falam inglês, como essa moça de São Petersburgo (Foto: Paulo Nonato de Souza)Se você se perde no metrô, melhor pedir informações aos jovens. Normalmente falam inglês, como essa moça de São Petersburgo (Foto: Paulo Nonato de Souza)

Trabalhando há quase três anos com uma russa dona de uma escola de idiomas em Moscou, Cristiano Alves avalia que o aprendizado de qualquer idioma depende de um triângulo formado por material de estudo, prática diária e vontade. “Aqui na Rússia há mais interesse pelo espanhol e até mesmo português do que pelo inglês”, ressaltou.

Tradutor contratado pela Fox Sports americana e brasileira para dar suporte ao seu time de jornalistas na cobertura da Copa do Mundo de 2018, Cristiano revelou que começou a estudar a cultura russa desde os 12 anos de idade quando ainda vivia em Fortaleza.

“Já cheguei na Rússia falando russo. Todo o meu aprendizado foi lá em Fortaleza. Fiz algumas viagens para a Rússia e desde 2015 eu vivo em São Petersburgo. Já tinha planos de me mudar e quando conheci uma pessoa que tem uma escola de idiomas, e assim como eu, trabalha com traduções, então tudo se encaixou e resolvi ficar por aqui”, afirmou Cristiano.

Cristiano é hoje um cidadão brasileira, mas de alma russa. Até mesmo o seu jeito pontuado de falar com explicações detalhadas se assemelha ao modo russo de ser.

“Sempre gostei muito da cultura russa. A história do país é maravilhosa, modelo alternativo ao ocidente, um país que sofreu muitas invasões e diferente de outros países invadidos, a Rússia expulsou seus inimigos. Nos anos de 1940, na Segunda Guerra Mundial, o mundo foi ameaçada pelo nazismo, mas os russos expulsaram os nazistas. Aqui temos um povo muito guerreiro e com muita determinação para preservar sua cultura e a sua história”, finalizou.

POR DENTRO DA COPA – Com o enviado especial Paulo Nonato de Souza, o Campo Grande News estará nos passos da Seleção Brasileira e de todos os acontecimentos que vão envolver o Mundial da Rússia. Veja esta e outras notícias no Canal Copa 2018.



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