01/11/2019 15:28

A doença da folha verde do tabaco e a proteção do trabalhador

Por Luiz Carlos Castanheira (*)

A Doença da folha verde do tabaco, ou GTS-Green Tobacco Sickness, é um tipo de intoxicação por nicotina causada pela absorção dermal desse alcaloide durante a colheita de tabaco molhado por orvalho ou por chuva.

A intoxicação dos trabalhadores rurais durante a colheita passou a ser melhor estudada a partir do início dos anos 70, principalmente nos Estados Unidos. Aqui no Brasil, os primeiros estudos se iniciaram no começo dos anos 90 quando, a partir de dados obtidos por meio de pesquisas efetuadas em outros países e também de relatos fornecidos pelos próprios agricultores, notou-se a necessidade de melhor estudar esse problema.

Nessa época, as empresas fumageiras, preocupadas com o problema, iniciaram um trabalho com o objetivo de se aprofundar no assunto e desenvolver equipamentos de proteção para evitar que os trabalhadores se intoxicassem com a nicotina contida nas folhas molhadas.

Quando iniciamos o trabalho, no início de 2009, para estudar o problema e desenvolver Vestimentas de Colheita mais eficientes, rapidamente percebemos que as roupas de proteção usadas pelos produtores não funcionavam, por se rasgarem com facilidade ou por não oferecerem a proteção que era necessária.

A partir daí, foram iniciados os estudos para que se pudesse encontrar a Vestimenta de Colheita que atendesse a necessidade de proteção e conforto do trabalhador. Durante todo o ano de 2009, visitamos agricultores dos três estados do sul do Brasil, acompanhando todo o trabalho de colheita, testando materiais, modelagem, costura, cor, acabamento, tudo a fim de se conseguir produzir uma roupa que atendesse não só as necessidades de proteção, mas que também fosse termicamente confortável e bem aceita pelos agricultores.

No final de 2009, foi entregue ao SindiTabaco o Relatório Final desse trabalho, com as especificações de vestimentas de colheita. A eficácia desse novo equipamento de proteção foi então testada e ficou comprovada uma proteção efetiva de 98%. Faltava o teste final, o mais importante, que era a aceitação por parte dos agricultores, caso contrário, todo o trabalho e todo o tempo de estudo estariam irremediavelmente perdidos. Mas a aceitação foi excelente, e hoje, passados 10 anos, a vestimenta de colheita continua a ser utilizada, cumprindo o seu papel de evitar a intoxicação dermal por nicotina, protegendo o trabalhador e garantindo a ele conforto térmico e maior durabilidade.

(*) Luiz Carlos Castanheira é Engenheiro Agrônomo, formado em 1972, Faculdade de Agronomia de Pinhal; Engenheiro de Segurança do Trabalho, formado em 1977, pela UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas). Parte do CCAS.

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