17/04/2019 10:58

Alvo da PF abastecia com "muamba" órgãos públicos e empresas da Capital

PF e Receita investigam a compra ilegal de grande quantidade de equipamentos de segurança e informática no Paraguai

Anahi Zurutuza e Kerolyn Araújo
Policial federal e mercadorias apreendidas em casa no Vilas Boas (Foto: Henrique Kawaminami)Policial federal e mercadorias apreendidas em casa no Vilas Boas (Foto: Henrique Kawaminami)

A HB Engenharia e Segurança, alvo da PF (Polícia Federal) e a Receita Federal nesta quarta-feira (17), tinha contratos com órgãos públicos e empresas conhecidas em Campo Grande. A Operação Container investiga a compra ilegal de grande quantidade de equipamentos de segurança e informática no Paraguai.

Dentre os contratantes da investigada, segundo a PF, está o TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul). Na página da internet, a HB Segurança informa que presta serviços para grande rede de material de construção, restaurantes de comida japonesa, empresa de informática, rede de postos de combustíveis, concessionária de caminhões, garagem de veículos, laboratório, hotel e empresa de transporte de passageiros.

Policiais federais e agentes da Receita estiveram nesta manhã na sede da empresa, na Avenida Eduardo Elias Zahran, e na casa do proprietário, que não teve o nome revelado, no Vilas Boas, bairro localizado em região nobre da Capital.

O empresário foi preso por posse de drogas e ilegal de arma de fogo. Na casa dele foi encontrada porção de maconha e uma pistola calibre 380, segundo a PF, também trazida do Paraguai. Ele responderá, portanto, por tráfico internacional de arma.

Delegada Kelly Bernardo Trindade durante coletiva de imprensa (Foto: Kerolyn Araújo)Delegada Kelly Bernardo Trindade durante coletiva de imprensa (Foto: Kerolyn Araújo)

Descaminho – A operação foi batizada de Container em alusão à casa vasculhada, construída com containers. O local, segundo a polícia, funcionava também como uma espécie de estoque dos produtos comprados no Paraguai.

De acordo com a delegada Kelly Bernardo Trindade, chefe da Delegacia de Combate a Crimes Fazendários de Contrabando, a investigação teve início após denúncias de descaminho - crime contra a ordem tributária, quando produtos são comprados e entram sem nota no País, ou seja, sem o pagamento de impostos e taxas.

“Os produtos entravam no Brasil de forma ilegal, sem nota, só havia nota de saída. O nome de uma importadora era usado para dar credibilidade”, explicou a delegada durante coletiva de imprensa nesta manhã.

Toda a mercadoria apreendida durante o cumprimento dos mandados foi levada para a sede da Receita Federal em Campo Grande e um balanço ainda será feito.

Movimentação na sede da PF em Campo Grande (Foto: Marina Pacheco)Movimentação na sede da PF em Campo Grande (Foto: Marina Pacheco)
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