08/11/2019 11:29

Desembargador nega trocar prisão de empregados de Name por tornozeleira

No entendimento do desembargador Ruy Celso Florence, não há motivo para substituir as prisões por medidas cautelares

Anahi Zurutuza
Presos na operação chegando ao Centro de Triagem Anízio Lima, no Complexo Penal de Campo Grande, na noite do dia 27 de setembro (Foto: Paulo Francis/Arquivo)Presos na operação chegando ao Centro de Triagem Anízio Lima, no Complexo Penal de Campo Grande, na noite do dia 27 de setembro (Foto: Paulo Francis/Arquivo)

Depois que a Justiça negou habeas corpus duas vezes para Luiz Fernando da Fonseca, conhecido como “Ligeirinho”, e Euzébio de Jesus Araújo, a defesa dos funcionários “de longa data” da família Name pediu que os dois fossem libertados com a condição de serem monitorados por tornozeleira eletrônica e mais uma vez recebeu um “não”. No entendimento do desembargador Ruy Celso Florence, as prisões são legais e não há motivo para substituí-las por medidas cautelares.

A defesa alega que os clientes são “simples serviçais”, sendo Luiz Fernando o domador dos cavalos de Jamil Name no Jockey Club e Euzébio o motorista da família. Segundo os advogados Edgar Calixto Paz e Eliete de Jesus Araújo argumentam ainda que os dois não têm qualquer “relação com os crimes imputados aos seus patrões” e que a manutenção das prisões, portanto, é desnecessária.

A acusação, porém, aponta que Luiz Fernando integra o núcleo de gerência da organização criminosa investigada pela Operação Omertà, que trabalha há ao menos 35 anos para a família Name e que atua, inclusive, como porta-voz de Jamil Name, acusado de liderar milícia armada.

Já Euzébio de Jesus Araújo é citado como um dos mais antigos seguranças dos Name. Ele também exerce função de gerência, segundo a força-tarefa.

Euzébio de Jesus Araújo, citado pela investigação como um dos mais antigos seguranças de Name e gerente da organização (Foto: Reprodução)Euzébio de Jesus Araújo, citado pela investigação como um dos mais antigos seguranças de Name e "gerente" da organização (Foto: Reprodução)

Ligeirinho e Euzébio foram presos no dia 27 de setembro, por força de mandados de prisões temporária, e no dia 15 de outubro, a Justiça decretou que continuassem presos por tempo indeterminado.

No dia da operação, em setembro, várias armas foram encontradas na casa de Luiz Fernando - revólver calibre 38 com 5 munições, e, ainda, várias munições de calibre .40, .38, .22. A defesa também tenta a revogação da prisão preventiva e o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) já se manifestou contra, lembrando decisão anterior que negou o pedido.

“Embora a prisão em flagrante delito ocorra apenas em relação à posse da arma e da munição referidas, não é possível deixar de considerar o contexto em que a apreensão ocorreu, ou seja, no cumprimento de um mandado de prisão diante da suspeita de que existia, de fato, uma quadrilha disposta a matar pessoas”, destacou juiz de plantão à época da conversão do flagrante pela posse ilegal de armas em prisão preventiva.

Omertà - A operação apurou crimes de organização criminosa atuante na prática dos crimes de homicídio, milícia armada, corrupção ativa e passiva. Ao todo, foram 23 ordens de prisões expedidas para alvos em Campo Grande.

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