05/08/2019 19:24

Taxa de homicídio é baixa, mas MS peca no socioeconômico

Estado tem a quarta menor taxa de atendimento escolar para adolescentes entre 15 e 17 anos

Tainá Jara
Ipea colocada adolescentes como foco de políticas de enfrentamento a criminalidade (Foto: Marina Pacheco)Ipea colocada adolescentes como foco de políticas de enfrentamento a criminalidade (Foto: Marina Pacheco)

Embora esteja entre os 10 estados com a menor taxa estimada de homicídios do País, Mato Grosso do Sul peca nas condições socieconômicas. Conforme o Atlas da Violência Retratos dos Municípios Brasileiros 2019, divulgado nesta segunda-feira pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o Estado tem a quarta menor taxa de atendimento escolar a população de 15 a 17 anos.

Conforme o estudo, a taxa de adolescentes sem estudar é de 77,55 para cada 100 mil habitantes. O Estado fica na frente apenas do Amazonas, cuja taxa é de 76,4; Roraima, com taxa é de 74,6; e Acre, onde o número é de 73,9. Considerando a região centro-oeste, o índice é o mais baixo. Mato Grosso registra taxa de 80,3, Goiás de 82,5 e 88,4 no Distrito Federal.

A articulação de dados da violência com indicadores socioeconômicos pode servir de base para traçar estratégias para melhorar os índices do Estado. Diante da taxa relacionada a educação de adolescentes constatada no Estado, o Ipea sugere que esse deve ser um dos focos em programas de enfrentamento a criminalidade.

Mato Grosso do Sul também está entre os 10 do País com maior número de meninas entre 10 e 17 anos que tiveram filhos, 10,8%. É o maior índice do centro-oeste. No recorte por região, é também o maior em índice de pessoas entre 15 a 24 anos que não estudam nem trabalham e são vulneráveis à pobreza, 12,3% da população.

O Estado também perde em relação aos outros estados do centro-oeste no porcentual de crianças pobres, 23,2%; de crianças vulneráveis à pobreza, 51,1%; e em população de pessoas que dividem o domicílio com mais de duas pessoas, 26,1%.

O levantamento do Ipea analisou 310 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes em 2017 e fez um recorte regionalizado da violência no país. Os indicadores socioeconômicos se referem ao ano de 2010 e foram calculados tomando como base o censo demográfico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

 

Menos violenta - De acordo com o estudo, Campo Grande (18,8) era a segunda capital menos violenta do país, em 2017. Os municípios com maiores índices de violência letal no estado do Mato Grosso do Sul situavam-se na mesorregião do sudoeste, nos territórios que fazem fronteira com o Paraguai.

“Essa região tem uma fronteira de 1.300 km com aquele país, por onde passam três rodovias federais (BR-267; BR-463 e BR-060) e é conhecida por ser uma das entradas de drogas e armamentos para o Brasil”, destaca o estudo.

Os municípios com maiores taxas de homicídio nesse espaço geográfico eram Paranhos (91,3), Antônio João (90,8), Ponta Porã (48,0) e Itaquiraí (67,8). “Ponta Porã, o município vizinho à cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, tem uma posição estratégica como entreposto do narcotráfico internacional de drogas e esteve exposta nos jornais quando, em 15 de junho de 2016, o traficante Jorge Rafaat Toumani foi morto cinematograficamente na cidade paraguaia, no enredo pela disputa com o PCC pelo controle da fronteira”.

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