21/04/2013 10:38

"Ele atirou para matar e já está solto", diz esposa de homem morto por PM

Viviane Oliveira
Tatiane com camiseta estampada a foto de Ike. (Foto: Marcos Ermínio)Tatiane com camiseta estampada a foto de Ike. (Foto: Marcos Ermínio)

“A justiça soltou uma pessoa que atirou à queima-roupa para matar”. O desabafo é de Tatiana Virgínia Gonçalves, de 30 anos, viúva de Ike Cezar Gonçalves, morto por um policial militar na madrugada do dia 28 de outubro do ano passado em frente à casa de show Santa Fé, na rua Brilhante, em Campo Grande.

Quase seis meses depois do crime, o policial militar Bonifácio dos Santos Júnior, que estava preso no Presídio Militar, foi solto na última segunda-feira (15). Ele é acusado de ter matado Ike com um tiro na cabeça e ter atingido Max Bruno Souza Leite, na época com 19 anos, com um tiro de raspão.

Emocionada, Tatiana disse que os três filhos do casal, um de 8, 5 e 4 anos, não sabem que o pai for assassinado. “Eu falo para eles que o pai estava dormindo, doeu o coração e ele foi encontrar o vovô lá no céu”.

A sensação de perder alguém dessa forma, afirma, é horrível. “Não quero vingança, meu desejo é que ele pague pelo crime que cometeu e que tenha consciência de que ele tirou a vida de um pai de família”, afirma.

Segundo Tatiana, todos os dias os filhos sentem a falta do pai e perguntam dele. Para tentar amenizar a dor das crianças, a mãe evita que os filhos assistam a TV quando está passando alguma notícia sobre a morte do pai.

“Nós estamos aqui sofrendo, clamando por justiça e a cada dia a saudade aumenta mais. Ao contrário do policial, que até engordou nesse tempo que ficou preso. A justiça dos homens pode até não ser feita, porém da justiça divina ele não escapa”, finaliza Tatiana.

De acordo com o advogado do policial, José Roberto Rodrigues da Rosa, Bonifácio deve voltar ao trabalho no setor administrativo da Polícia Militar (PM). O habeas corpus foi concedido no último dia 15 pelo TJ-MS (Tribunal de Justiça).

O policial vai responder ao crime em liberdade junto com o amigo, apontado como coautor. Osni Ribeiro de Lima é acusado de ter colaborado para a fuga do PM, mas já está em liberdade desde o início do ano. 

Os desembargadores, que concederam o habeas corpus, determinaram que o policial seja removido para trabalho administrativo e que se recolha em casa a partir das 22h.

Ike, que era auxiliar de enfermagem, foi morto no dia que completaria 30 anos. “Enquanto o julgamento não sai esse homem vai estar livre”, finaliza Tatiana.

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